“Os bares são nossa escola”, afirmam Bruno e Marrone ao AT2
Dupla afirmou em entrevista que novas gerações de artistas deveriam viver experiência de cantar em barzinhos
Antes dos grandes palcos, das multidões e dos sucessos que atravessaram gerações, havia os bares. Foi nesse ambiente, de contato direto com o público e muita música, que Bruno e Marrone construíram parte importante de sua história.
“Os bares são nossa escola e é sempre bom reviver e lembrar de onde viemos”, resume Bruno em entrevista ao AT2. A dupla, que acaba de lançar o projeto “De Volta aos Bares II”, faz show sexta-feira no Café de La Musique, em Vila Velha, resgatando a atmosfera intimista dos primeiros anos.
Para eles, essa vivência de tocar em barzinho tem um valor que vai além da nostalgia. Bruno observa que muitos artistas da nova geração acabam pulando essa experiência.
“É uma escola que hoje as duplas novas acabam pulando. Raramente se aprecia um álbum, e sim o viral. Acho que todos os artistas que vivem da música deveriam passar pela experiência de cantar em bares”, avalia.
Com quatro décadas de estrada, a dupla continua encontrando motivos para produzir e experimentar. Um deles, segundo Bruno, são os fãs.
E é na reação do público que Marrone encontra uma das maiores recompensas da carreira.
“Ver e ouvir o público cantando é muito incrível, porque aí você sabe que realmente chegou, entrou na vida daquela pessoa”, destaca.
ENTREVISTA
“Enxergamos mais celulares do que olhares” - Bruno e Marrone, dupla sertaneja
- AT2 - Vocês voltam ao Espírito Santo para uma apresentação em um formato mais intimista. O que o público pode esperar desse show?
Bruno: Na verdade, desde que gravamos o DVD de Uberlândia trouxemos uma sonoridade mais acústica. Há alguns anos, não temos mais metais em nossa banda, e foi esse formato que acabou conquistando nossos fãs. Felizmente, quem vai ao nosso show vai em busca da musicalidade.
Como é escolher as músicas de um show sabendo que tantas delas fazem parte da história de vida dos fãs?
Marrone: Difícil. A gente tenta variar um pouco, sempre ouvindo a opinião dos nossos fãs. Mas tem aquelas que não podem faltar de maneira nenhuma! Já imaginou um show de Bruno e Marrone sem “Dormi na Praça”, “Por Um Minuto”, “Inevitável”? É impossível!
- Ao longo dessas quatro décadas, o que mais mudou na experiência de subir ao palco?
Bruno: O palco mesmo não mudou muito, sentimos uma mudança de comportamento. Hoje, enxergamos mais telas de celulares do que olhares. As pessoas querem registrar e deixam de viver aquele momento que pode ser único.
- Que lembranças vocês guardam do público capixaba?
Marrone: A alegria. Sempre fomos muito bem recebidos. É o que chamados de público quente!
- Entre as músicas inéditas de vocês está “Penteadeira”. Por que apostaram nessa canção?
Marrone: Ela tem muita identidade com o repertório de Bruno e Marrone. Isso é o que buscamos: identidade com o nosso público.
- O repertório também inclui “Filho Pródigo”, com a participação de Enzo, filho de Bruno. Como foi dividir esse momento musical entre pai e filho?
Bruno: Acho que divido o amor pela música desde sempre com o Enzo. Em casa, nos dias de folga, o que não nos falta é um violão, e estar com ele no palco é incrível. Até porque foi algo que ele escolheu. Em nenhum momento, eu interferi. Muito pelo contrário, falei a realidade sobre as dificuldades da estrada.
- Depois de tantos anos de carreira, gravar novas versões de músicas conhecidas permite olhar para a própria história com outra perspectiva? O que vocês percebem de diferente na interpretação dessas canções hoje?
Bruno: Mais contida (risos), mais madura e necessária. Para trazer estas canções para o novo público, também precisa modernizar os arranjos.
- Quando olham para o início e para tudo o que construíram, qual é a primeira lembrança que vem à cabeça?
Bruno: Dos carros quebrados, das noites cantando as mesmas músicas várias vezes, e de tudo que nos trouxe até aqui.
- “Dormi na Praça” foi um marco na projeção nacional de vocês. Como é ter uma música que continua sendo cantada por diferentes gerações?
Marrone: É nossa virada de chave. E, para manter, já tocamos em todos os ritmos: axé, pop, rock. E ela sempre faz sucesso.
- Se pudessem conversar com os dois jovens que começaram essa parceria em 1986, que conselho dariam a eles?
Bruno: Continuem, porque vocês irão chegar lá!
- O que vocês gostariam que o público levasse para casa depois do show em Vila Velha: uma lembrança, uma emoção ou uma experiência diferente?
Marrone: A lembrança de uma noite especial.
SERVIÇO
Bruno & Marrone
O quê: Apresentação em formato especial, que une grandes sucessos, conforto e uma experiência mais próxima dos artistas. Participação de Léo Lima.
Quando: Sexta-feira (06), a partir das 20h.
Onde: Café de La Musique. Av. Estudante José Júlio de Souza, 310, Jockey de Itaparica, Vila Velha.
Clas.: 18 anos.
Ingressos: A partir de R$ 200 (deck/meia/4º lote).
Reservas de lounges: (27) 99875-8416.
Vendas: onticket.com.br/eventos/8760.
Inf.: @cafedelamusiquevilavelha.
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