Alimentos e eletrônicos são as cargas mais roubadas nas rodovias do ES
Produtos concentram 37,5% dos registros no Estado. A BR-101, entre Guarapari e a divisa com o Rio, reúne quase metade dos casos
Uma parada para dormir, um caminhão que tomba na estrada ou uma carga deixada sem vigilância são situações que podem virar oportunidade para criminosos que furtam ou roubam mercadorias e alimentam o comércio ilegal no Espírito Santo.
Alimentos e eletrônicos estão entre os principais alvos: juntos, representam 37,5% dos registros de furto e roubo de cargas no Estado, segundo o Observatório da Segurança, da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp).
Para o delegado Christian Waichert, titular da Delegacia Especializada de Crimes Contra o Transporte de Cargas (DCCTC), os números não significam uma preferência por determinados produtos.
Segundo ele, a madrugada é o período mais crítico e quase metade dos casos ocorre na BR-101, entre Guarapari e a divisa com o Rio de Janeiro, trecho com grande concentração de postos e pontos de parada.
“Na verdade, não temos no Estado um tipo de carga mais visada. Os crimes que ocorrem aqui, em sua maioria, são crimes de oportunidade, como no caso dos saques após acidentes e furtos durante o repouso noturno do caminhoneiro. Nesses casos, o que importa é a facilidade da subtração da carga.”
A agente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Ana Carolina Albuquerque Cavalcanti ressalta que recolher produtos espalhados após um acidente também é crime. A diferença entre furto e roubo está no uso de violência ou ameaça.
“O roubo de carga ocorre quando há violência ou grave ameaça contra a vítima. O furto da carga não tem violência. Quando um caminhão tomba e a carga derrama sobre a pista, pegar os produtos é furto, não roubo. A carga continua pertencendo ao proprietário”, pontuou a agente.
A PRF recomenda planejar a viagem, parar em locais seguros, iluminados e monitorados, evitar pontos isolados e não divulgar carga, trajeto ou horários a desconhecidos.
Em caso de abordagem, a orientação é não reagir e ligar para o 191. Waichert recomenda rastreadores e treinamento dos motoristas. O boletim de ocorrência ajuda nas investigações, ressaltam os policiais.
Menores índices no Estado
O Espírito Santo vem se destacando por ser um dos estados com menor índice de roubo e furto de cargas no País, mesmo fazendo divisa com três estados que registram maiores índices: Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, de acordo com o delegado Christian Waichert, titular da Delegacia Especializada de Crimes Contra o Transporte de Cargas (DCCTC).
Segundo o delegado, no ano passado, a região Sudeste concentrou 68% dos mais de 8.500 roubos e furtos de cargas praticados no Brasil, sendo que no Espírito Santo foram registrados apenas 59 casos, sendo 13 roubos e 46 furtos.
“Este ano, no Brasil, foram registrados, de janeiro a junho, 3.851 casos de roubo de cargas, aproximadamente 21 casos por dia, fora os furtos. No Espírito Santo foram registrados 11 roubos até o último dia 27, índice baixíssimo, mesmo com o Estado cada vez mais se consolidando como um grande polo logístico nacional”, diz Christian Waichert.
Integração
Esse resultado, segundo o delegado, pode ser atribuído a políticas públicas direcionadas ao combate a esse tipo de crime, à delegacia especializada atuante e à integração total entre as forças de segurança, juntamente com o setor privado.
Aumento do roubo de carga de cigarros
- Furto e roubo de cargas
Produto alimentício - 22,5%
Eletrônicos - 15%
Bebidas - 12,5%
Carga fracionada - 12,5%
Cigarros - 5%
Produto siderúrgico - 2,5%
Vestuário têxtil- 2,5%
Faixa horária
0h a 0h59 - 42,5%
6h às 11h59 - 30%
18h às 23h59 - 12,5%
Em branco - 2,5%
Dia da semana
Domingo 10%
Segunda-feira - 10%
Terça-feira - 25%
Quarta-feira - 10%
Quinta-feira - 20%
Sexta-feira - 12,5%
Sábado - 12,5%
Região
Metropolitana - 45%
Sul - 32,5%
Noroeste - 12,5%
Serrana - 7,5%
Norte - 2,5%
Quadrilhas
Não há no Estado quadrilhas especializadas em roubo de cargas.
São furtados e roubados os mais diversos tipos de cargas, sendo que um dos mais recentes registrados pela PRF foi uma carga de sandálias, que foi recuperada.
Cigarro
Este ano houve uma mudança, com o roubo de carga de cigarros em destaque entre os crimes.
Saques e revenda alimentam o crime
Produtos furtados após acidentes ou durante paradas de caminhoneiros podem chegar ao comércio local e a vendedores informais, segundo a Polícia Civil.
O delegado Christian Waichert alerta que combater os receptadores é essencial para interromper a cadeia criminosa.
“O combate ao receptador é de extrema importância, pois é o destino da carga após o crime. Importante destacar que o Espírito Santo foi um dos primeiros Estados a ter uma lei que pune o comerciante/empresário que for flagrado comercializando qualquer bem, mercadoria ou produto, proveniente de furto ou roubo de cargas ou de estelionato”, pontuou o delegado.
Trata-se da Lei Estadual nº 8.246/2006, alterada pela Lei nº 10.638/2017, que trata especificamente da cassação da eficácia da inscrição estadual dos estabelecimentos que comercializarem produtos oriundos de cargas roubadas.
O delegado observa que, recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou o PL nº 5.582/2025, chamado de PL Antifacção, o qual traz o agravamento das penas no intuito de combater o crime organizado no País, sendo que dentre seus dispositivos encontra-se a “suspensão temporária, com possibilidade de cancelamento, do CNPJ de empresas envolvidas na receptação e comercialização de cargas roubadas”.
Christian Waichert destaca que não há no Estado quadrilhas especializadas em roubo a cargas.
“Por este motivo, o Espírito Santo se destaca positivamente ano após ano pelo seu baixíssimo índice de roubo a cargas. Esse ano tivemos uma mudança no tipo de crime praticado, tendo o roubo a carga de cigarros se destacado entre os crimes, sendo que até mesmo nesses casos, de uma carga específica, os crimes foram praticados por grupos criminosos diferentes, que não tinham nenhuma relação entre si.”
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