Alunos de Medicina são expulsos após atacar bolsistas
Campus localizado em Maringá confirmou as medidas aplicadas, mas não informou quantos estudantes receberam punições
Alunos de uma universidade privada de Maringá, no Norte do Paraná, foram expulsos do curso de Medicina após registros de ataques a estudantes bolsistas, com alusão ao nazismo, em grupos de mensagens.
Segundo a universidade, todos os estudantes punidos estão envolvidos nas mensagens ofensivas contra alunos que ingressaram no ensino superior por meio de programas sociais, como o Programa Universidade para Todos (ProUni).
As mensagens foram enviadas depois do resultado das eleições de 2026, em que Lula foi reeleito presidente do Brasil.
A UniCesumar informou ontem que concluiu a sindicância e também optou por advertências e suspensões, de acordo com a gravidade das condutas de cada aluno envolvido, mas não detalhou quantos estudantes foram atingidos pela decisão. Em nota, a instituição disse repudiar “veementemente qualquer forma de discriminação ou preconceito”.
O Ministério Público Federal (MPF) confirmou ter recebido denúncia sobre as mensagens e disse que apura o caso.
Nas mensagens, enviadas no último dia 25 em um grupo da turma, alguns alunos fizeram comentários ofensivos.
Em uma delas, um estudante sugere superioridade em relação aos bolsistas ao comparar quem paga a mensalidade com quem conquistou a vaga por seleção acadêmica de programas sociais.
Outra aluna criticou as ofensas e ressaltou que todos terão a mesma formação, independentemente da forma de ingresso. “Virou bonito ofender quem não tem dinheiro para pagar toda a mensalidade, como vocês? Todo mundo aqui vai sair com CRM (registro profissional para exercer a medicina)”.
Além disso, imagens e expressões associadas ao nazismo também foram compartilhadas nos grupos. Em uma das mensagens, um estudante compartilhou a foto do exército nazista acompanhada de referências ao “leite cru”, expressão que se tornou comum entre grupos na internet que defendem a supremacia branca.
Além da investigação aberta pelo Ministério Público Federal, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também se manifestou, afirmando que as “atitudes ferem diretamente os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina”.
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