Atacante capixaba do Vasco é intimado pela polícia do RJ a entregar passaporte
Ação foi realizada em apoio à Polícia Civil do Espírito Santo, que conduz as investigações da Operação A Tropa
O atacante capixaba David Corrêa, conhecido como "DVD", que atua no Vasco da Gama, foi intimado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro a comparecer à 14ª Delegacia de Polícia, no Leblon, nesta sexta-feira (30), para apresentar seu passaporte e tomar ciência de medidas cautelares determinadas pela Justiça do Espírito Santo.
A informação foi divulgada pelo g1 Rio de Janeiro na noite de quinta-feira (29). A ação foi realizada em apoio à Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), que conduz as investigações da Operação A Tropa, deflagrada no dia 31 de agosto.
A operação investiga o possível envolvimento de atletas profissionais e empresários com um grupo criminoso suspeito de praticar tráfico interestadual de drogas e armas e lavagem de dinheiro. Além de David, outro jogador de futebol capixaba, o Hayner, do Vila Nova-GO, foi alvo da operação. As investigações também apuram possíveis conexões com a facção criminosa Comando Vermelho (CV).
De acordo com o g1 Rio de Janeiro, entre as medidas cautelares impostas ao jogador estão a proibição de deixar o país, a restrição de contato com outros investigados e testemunhas e a obrigação de comparecer periodicamente à Justiça.
O g1 Rio de Janeiro informou, ainda, que David deverá ser advertido de que o descumprimento injustificado das determinações judiciais poderá levar à decretação de sua prisão preventiva, mediante decisão da Justiça.
Atacante admitiu ter conhecidos ligados à investigação
Em depoimento à Polícia Civil em setembro, David admitiu ter conhecidos no Espírito Santo ligados à investigação que apura a atuação de uma organização criminosa interestadual, mas negou qualquer participação em tráfico de armas e drogas. A informação foi divulgada à época pelo jornal O Globo.
David reforçou, no entanto, que, apesar de ter conhecimento sobre possíveis investigados no Espírito Santo, não tinha noção alguma sobre possíveis crimes cometidos e quem estaria envolvido em cada caso apurado.
Jogador trocava mensagens com traficantes
Ainda em setembro, novos detalhes da Operação A Tropa divulgados pela Polícia Civil capixaba relevaram que David trocava mensagens com traficantes da Serra. Um deles, identificado como Édson Vander da Silva Júnior, 32 anos, agenciava o jogador.
À época, o delegado Rodrigo Sandi Mori explicou que as investigações começaram após a prisão de Édson Júnior, suspeito de envolvimento em um homicídio ocorrido no dia 6 de março de 2024, devido a disputa de tráfico na região entre os bairros Serra Dourada II e III, na Serra.
Um outro crime, ocorrido no dia 15 de março, também foi investigado. Uma tentativa de homicídio na qual a vítima foi sequestrada no bairro Serra Dourada III e levada até o bairro Porto Canoa. A vítima teria conseguido sair do veículo em dado momento e correu, mas os suspeitos efetuaram disparos em direção a ela, que foi atingida e caiu, mas sobrevieu à ação.
Após investigações, a polícia prendeu Edson Júnior como envolvido nos dois crimes. Na época, ele era agente do jogador capixaba David Corrêa. De acordo com o delegado, Edson seria responsável por administrar a vida financeira e a carreira do jogador. Edson inclusive foi preso em um apartamento em Itaparica, no município de Vila Velha, que pertence ao jogador investigado.
Mensagens divulgadas
Após a prisão, durante análises do celular de Édson, foram encontradas conversas dele com o jogador. "Em uma das mensagens, o Júnior dá satisfação para o investigado sobre a motivação do crime e sobre o estado da vítima no hospital. Eis que o investigado, em um dos diálogos diz: 'Ele mereceu tomar uns tiros mesmo.'", detalhou o delegado.
"Em outro diálogo entre o Júnior e o investigado, o Júnior manda uma foto de uma pistola para o investigado. Eis que ele responde: 'Tem que deitar um para ver de qual é, da referida arma de fogo'", completou Rodrigo Sandi Mori.
O delegado ainda citou um terceiro ponto que chamou a atenção da polícia durante as investigações. "Um possível financiamento do tráfico de drogas do bairro Serra Dourada III por parte do investigado", explicou Sandi Mori.
"Ficou comprovado na análise do aparelho celular e na investigação que o Júnior assumiu o controle do tráfico de drogas do bairro Serra Dourada III após a morte de Leleto. Além dele ser o agente do investigado, também controlava o tráfico de drogas do bairro do crime até sua prisão que ocorreu em agosto de 2024", explicou ainda.
*Com informações do g1 Rio de Janeiro
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