Golpe do boleto falso de planos de saúde dá prejuízo de R$ 1 milhão
Bandidos bloqueavam o envio do documento real e encaminhavam uma cobrança falsa por e-mail semelhante ao utilizado pela operadora
Quatro suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em golpes com falsos boletos de planos de saúde foram presos nesta quinta-feira (29), durante a Operação Metástase, deflagrada pela Polícia Civil.
O grupo teria causado prejuízo superior a R$ 1 milhão desde junho deste ano, principalmente na Grande Vitória.
A ação cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão na Serra, em Cariacica e em Vila Velha, com a participação de cerca de 40 policiais. A investigação contabiliza mais de 100 boletins de ocorrência relacionados ao esquema, mas o número de vítimas pode ser maior.
Segundo a polícia, os bandidos bloqueavam o envio do boleto verdadeiro ao cliente e encaminhavam uma cobrança falsa por meio de um endereço de e-mail semelhante ao utilizado pela operadora.
Os documentos apresentavam aparência e dados compatíveis com os contratos, o que levava as vítimas a acreditar que estavam pagando uma conta legítima.
Os valores pagos variavam, com registros superiores a R$ 1 mil e casos que chegaram a R$ 50 mil. Para receber o dinheiro, os investigados também teriam utilizado um CNPJ falso.
“Não temos, até o presente momento, indícios de prova concreta de que alguém dentro da operadora de saúde participava desse esquema. Mas como os dados constantes nos boletos eram muito semelhantes aos verdadeiros, investigamos a possibilidade de um vazamento de dados ou da participação de algum colaborador”, explicou o chefe da Divisão Patrimonial e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos, delegado Brenno Andrade.
Um dos presos é apontado como possível mentor e líder do grupo. A investigação também busca identificar pessoas que teriam cedido contas bancárias para receber os valores desviados. Os celulares apreendidos passarão por perícia.
Os investigados são suspeitos de associação criminosa, fraude eletrônica, lavagem de capitais e invasão de dispositivos informáticos.
As apurações continuam para identificar outros envolvidos e dimensionar o total de vítimas.
Como o golpe funciona?
Os criminosos bloqueiam o envio do boleto verdadeiro e encaminham uma cobrança falsa por e-mail. O documento imita o original e contém dados compatíveis com o contrato da vítima.
Como identificar um boleto falso?
Confira o nome e o CNPJ do beneficiário, o valor da cobrança e o endereço de e-mail do remetente. Compare o documento com boletos anteriores e desconfie de diferenças.
O que fazer antes de pagar?
Confirme a autenticidade do boleto diretamente com a operadora, por outro canal de atendimento. Ao pagar ou copiar o código de barras, confira se o destinatário é realmente a empresa contratada.
E se o valor parecer correto?
Mesmo que o boleto tenha aparência legítima e dados verdadeiros, isso não garante sua autenticidade. Verifique o beneficiário e confirme a cobrança com a empresa.
Como o dinheiro é rastreado?
A perícia pode analisar as contas que receberam os pagamentos, as transferências posteriores, os saques e a distribuição dos valores para identificar os envolvidos.
Como os celulares podem ajudar?
Conversas, e-mails, arquivos com modelos de boletos e registros digitais podem revelar como o golpe era organizado, a divisão de tarefas e a origem das informações das vítimas.
Quem empresta a conta bancária?
Segundo Gabriel Petri, é necessário demonstrar que o titular sabia que a conta seria usada para atividades criminosas. Conversas, pagamentos pelo empréstimo, saques e transferências podem ajudar a comprovar essa participação.
Como evitar cair em outros golpes?
Desconfie de cobranças urgentes e pedidos inesperados de dinheiro. Confirme as informações por outro canal e redobre a atenção ao pagar boletos ou fazer transferências. Converse também com familiares que possam ter dificuldade para identificar fraudes digitais.
Prova digital
Especialistas destacam que nesses casos, em que a prova digital é fundamental para a apuração (e posterior comprovação) da efetiva participação de cada investigado na empreitada criminosa, é imprescindível que o Estado documente como o dispositivo foi apreendido, preservado e periciado.
além de utilizar métodos que permitam verificar que a cópia analisada e futuramente entregue ao Poder Judiciário corresponde ao conteúdo original, inclusive por mecanismos de verificação de integridade e mesmidade, como os valores de hash.
O hash é uma sequência única de caracteres alfanuméricos gerada por um algoritmo matemático que funciona como a “impressão digital” de um arquivo eletrônico.
Fonte: Polícia Civil e especialistas consultados.
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