Israel vai às urnas e define futuro de primeiro-ministro
O primeiro-ministro Benjamim Netanyahu pode perder o cargo conforme for o resultado da disputa das 120 vagas no Parlamento
Israel realiza nesta terça-feira (27), eleições parlamentares que vão definir a composição do Knesset, o Parlamento do país, e determinar quem poderá formar o próximo governo.
Ao todo, 7.331.981 cidadãos estão habilitados a votar, o equivalente a cerca de 71% da população israelense. Estão em disputa as 120 cadeiras do Legislativo, ocupadas por deputados eleitos para mandatos de quatro anos.
Diferentemente do Brasil, Israel adota o parlamentarismo. Isso significa que os eleitores não escolhem diretamente o primeiro-ministro, chefe de governo, mas votam em partidos ou alianças partidárias.
O país também não realiza eleições diretas para presidente, cargo que tem funções predominantemente cerimoniais. O presidente é escolhido pelo Parlamento para um mandato de sete anos.
Como funciona a eleição para o Knesset
O Knesset é unicameral, ou seja, não existe divisão entre Câmara dos Deputados e Senado. Todo o território israelense funciona como um único distrito eleitoral, e as 120 vagas são distribuídas proporcionalmente à votação nacional de cada legenda.
Para conquistar representação parlamentar, um partido precisa alcançar pelo menos 3,25% dos votos válidos. As legendas apresentam listas fechadas de candidatos, cuja ordem é definida previamente.
O eleitor escolhe uma dessas listas, e o número de deputados eleitos depende da votação recebida.
A votação é permitida a cidadãos israelenses a partir dos 18 anos. As seções eleitorais funcionam, em sua maioria, das 7 horas às 22 horas, no horário local. O voto não é obrigatório.
Pontos principais do sistema eleitoral:
- Eleição proporcional em distrito único nacional
- 120 cadeiras em disputa, com mandatos de quatro anos
- Cláusula de barreira de 3,25% dos votos válidos
- Voto em listas fechadas de partidos/alianças
- Disputa política e formação do governo
O atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, líder do partido conservador Likud, tenta permanecer no poder. Entre seus principais adversários está Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas e líder do partido centrista Yashar.
O cenário político israelense é fragmentado. À direita estão partidos nacionalistas, conservadores e religiosos, incluindo legendas de extrema direita e representantes dos judeus ultraortodoxos. O centro reúne forças liberais e moderadas, enquanto a esquerda inclui partidos social-democratas. Há ainda legendas que representam principalmente a população árabe de Israel.
Além das diferenças ideológicas, uma das principais divisões políticas é entre partidos que apoiam Netanyahu e aqueles que defendem sua saída do governo. Segurança nacional, guerra em Gaza, relações com os palestinos, custo de vida e serviço militar obrigatório estão entre os temas centrais da campanha.
Pesquisas de boca de urna devem ser divulgadas ainda na noite de terça-feira (27), enquanto os primeiros resultados oficiais parciais são esperados para quarta-feira (28). O resultado definitivo deverá ser publicado até (4) de novembro.
A divulgação dos votos, entretanto, não determina automaticamente quem será o primeiro-ministro. Para governar com maioria parlamentar, uma coalizão precisa reunir pelo menos 61 dos 120 deputados.
Depois da eleição, o presidente Isaac Herzog consultará os partidos e indicará um parlamentar para tentar formar o governo. O escolhido terá inicialmente 28 dias para negociar uma coalizão, prazo que poderá ser prorrogado por mais 14 dias. Caso nenhum candidato consiga formar governo, o impasse poderá levar a outra eleição.
Enquanto os israelenses se preparam para eleger um novo Parlamento, os palestinos lidam com um novo adiamento das eleições legislativas e presidenciais, previstas para novembro, mas remarcadas para setembro de 2027.
Nos dois casos, os processos eleitorais estão impactados pelos traumas dos ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultaram na morte de 1.200 pessoas e no sequestro de outras 251, bem como pela subsequente guerra na Faixa de Gaza, com um saldo de 75 mil mortos.
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