Festival Gabiroba celebra sabores da Mata Atlântica em Vargem Alta
Primeira edição do Festival Gabiroba leva à Reserva Águia Branca dois dias de experiências com gastronomia, floresta, saberes tradicionais e música.
Inspirado no fruto nativo comum em diferentes regiões da Mata Atlântica, o Festival Gabiroba realiza a sua primeira edição nos dias 30 e 31 de outubro de 2026, na Reserva Ambiental Águia Branca, em Vargem Alta. A programação reúne gastronomia, território, cultura, música, biodiversidade e empreendedorismo.
A proposta do festival é trazer a floresta de volta à mesa com receitas inéditas criadas por chefs de cozinha capixabas, usando frutos, folhas e sementes presentes na região. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados pelo link oficial do evento.
Educação e conexão com a floresta
Com o tema “Educação e Conexão com a Floresta”, o primeiro dia do festival começa às 9h e inclui uma caminhada botânica com o consultor ambiental Jorge Forager e o mateiro Adenilson Panzin. Em seguida, haverá o bate-papo “Biodiversidade, fonte de alimento, cultura e memória”, com Jorge Forager e a bióloga Karla Pedra, além da Feira dos Produtores da Floresta.
A trilha sonora do dia 30 ficará por conta da apresentação do Trio Brasilidades, reforçando a ideia de que a relação com a Mata Atlântica também passa pela cultura e pela música.
Livro de receitas e chefs convidados
No segundo dia, a programação começa às 13h30 com o tema “Gastronomia e Saberes da Floresta”. O destaque é o lançamento do livro de receitas “Da mata à mesa – Gastronomia da Mata Atlântica”, que reúne criações gastronômicas dos chefs Renato Santos, Beto Brunelli, Ricardo Silva e Robson Feu. A obra será distribuída gratuitamente no local.
Junto com o lançamento haverá um bate-papo entre o chef Ricardo Silva e Adenilson Panzin e uma aula-show em que os chefs Renato Santos, Beto Brunelli e Ricardo Silva irão preparar receitas presentes na publicação. O encerramento terá apresentação de MPB com a saxofonista Kátia Rocha e o violonista Leo Carvalho.
O Festival Gabiroba é uma realização da Caju Produções e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio do Grupo Águia Branca e apoio da Reserva Ambiental Águia Branca, Sapucaia da Mata, Natureza Eco Lodge, Cozinha Rústica Bistrô e Sebrae.
Sabores da floresta e identidade do território
Coordenador da Caju Produções e coidealizador do evento, Vinicius Rodrigues explica que o festival nasceu do desejo de aproximar as pessoas da Mata Atlântica por meio de experiências do cotidiano, como a comida e as memórias à mesa.
"A gente percebeu que falar de biodiversidade e preservação não precisa acontecer apenas de uma maneira técnica ou científica. Podemos falar sobre a floresta também através da comida, dos sabores, das histórias, dos produtores e dos conhecimentos que passam de geração para geração"
Segundo o coordenador, o principal conceito do festival é mostrar que a floresta está presente na alimentação, na cultura, nas memórias e na identidade do território. Por isso, a escolha dos chefs levou em conta a relação de cada profissional com o lugar onde o Festival Gabiroba acontece.
Os chefs Renato Santos, Beto Brunelli, Ricardo Silva e Robson Feu foram convidados a criar receitas com ingredientes ligados à biodiversidade da Mata Atlântica, trazendo repertórios próprios, técnicas diversas e diferentes formas de interpretar esses produtos.
Criações gastronômicas do livro “Da mata à mesa”
As criações gastronômicas dos chefs estão em destaque no livro de receitas “Da mata à mesa – Gastronomia da Mata Atlântica”, acompanhadas de fotos e do passo a passo de montagem dos pratos. A obra é um dos principais produtos do Festival Gabiroba.
Foram produzidos mil exemplares impressos, com 12 receitas desenvolvidas especialmente para o projeto. Os exemplares físicos serão distribuídos durante as ações do festival e também servirão para fazer esse conhecimento circular além dos dias de programação. A publicação será disponibilizada em formato digital no site da Caju Produções.
Entre os destaques do livro está a bruschetta de polenta com capeba, creme de puína e cambuci do chef Renato Santos, que também assina o prato principal “Solo da Mata”, feito com barriga de porco, mousseline de cará, capiçoba, gel de cambuci e farofa de sapucaia com socol. De sobremesa, ele apresenta a “Copa da Floresta”, com parfait contemporâneo de gabiroba, praliné de sapucaia, gel de juçara e merengue de Cambuci.
O chef Robson Feu criou uma entrada com pinhão crocante, creme azedo e caviar de mostarda. Como prato principal, ele elaborou tilápia em crosta de castanha de sapucaia, purê de palmito pupunha, ervilhas frescas, minicenouras glaceadas, brócolis de rama, taioba crocante e molho verde de ervas. A sobremesa é um sorbet de uvaia, merengue italiano de capim-santo, farofa crocante de castanha de sapucaia e licuri com coulis de juçara.
Já o chef Beto Brunelli aposta no Hambúrguer Nativo, feito com pão de sapucaia, carne suína moída, sal e pimenta-de-macaco, acompanhado de geleia de gabiroba com bacon e abacaxi. Como prato principal, ele apresenta filé mignon suíno com geleia de Cambuci e, de sobremesa, pudim de gabiroba.
O chef Ricardo Silva preparou como entrada o snack de sagu com coalhada de gabiroba, pesto de capiçoba e relish de frutas nativas. Como prato principal, assina cuscuz caipira com prime suíno e geleia de uvaia. A sobremesa é sorbet de gabiroba com crumble de castanha de sapucaia e mel de uruçu capixaba.
Biodiversidade como ferramenta de conhecimento
Para Vinicius Rodrigues, o livro foi pensado como ferramenta de conhecimento, memória e valorização da biodiversidade.
"A ideia é despertar curiosidade sobre esses ingredientes, contar um pouco sobre sua relação com o território e apresentar as diferentes possibilidades que a gastronomia pode criar a partir deles"
As receitas evidenciam essa diversidade de olhares: algumas são mais elaboradas, outras mais afetivas ou experimentais, mas todas partem da mesma provocação — olhar para os ingredientes do território de forma diferente e revelar novas possibilidades para aquilo que a Mata oferece.
"Mais do que criar receitas, buscamos reunir profissionais capazes de traduzir o território por meio da gastronomia"
Serviço: Festival Gabiroba – 1ª edição
- Datas: 30 e 31 de outubro de 2026
- Local: Reserva Águia Branca – Rodovia ES-164, Alto Castelinho, Vargem Alta (ES), 29.295-000
- Entrada: gratuita, com retirada de ingressos pelo link oficial
- Realização: Caju Produções e Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet
- Patrocínio: Grupo Águia Branca
- Apoio cultural: Reserva Ambiental Águia Branca, Sapucaia da Mata, Natureza Eco Lodge, Cozinha Rústica Bistrô e Sebrae
Programação completa
Dia 30 de outubro (sexta-feira) – Educação e Conexão com a Floresta
- 9h – Recepção dos participantes e Café da Mata
- 9h30 – Abertura
- 9h45 – Caminhada Botânica com Jorge Forager e Adenilson Panzin (Adê)
- 12h – Almoço
- 14h – Bate-papo “Biodiversidade, fonte alimento, cultura e memória” com Jorge Forager e Karla Pedra
- 15h30 – Feira dos Produtores da Floresta
- 15h30 – Apresentação musical com o Trio Brasilidades
- 17h – Agradecimentos e encerramento
Dia 31 de outubro (sábado) – Gastronomia e Saberes da Floresta
- 13h30 – Recepção dos participantes e Café da Mata
- 14h – Abertura
- 14h30 – Bate-papo de lançamento do livro de receitas “Da mata à mesa – Gastronomia da Mata Atlântica”, com o chef Ricardo Silva e Adenilson Panzin (Adê)
- 14h30 – Aula-show com degustação pelos chefs Renato Santos, Beto Brunelli e Ricardo Silva
- 17h – Agradecimentos e encerramento
- 17h05 – Apresentação musical com Kátia Rocha e Leo Carvalho
Conheça os convidados do evento
Adenilson Panzin (Adê) — Guardião da Mata: junto com sua esposa Maria, pesquisa e desenvolve pratos com ingredientes silvestres encontrados no bioma da Mata Atlântica. É pioneiro na produção e doação de mudas nativas, especialmente de espécies ameaçadas de extinção, e atua na criação de abelhas sem ferrão em Vargem Alta. É cofundador do projeto Gastronomia Mata Atlântica, em parceria com o chef Ricardo Silva.
Chef Renato Santos: chef e instrutor de Educação Profissional em Gastronomia, atua na formação integrando técnica, criatividade, gestão e metodologias ativas, desenvolvendo experiências que aproximam cozinha, território e cultura.
Chef Beto Brunelli: chef de cozinha autodidata, apaixonado pela cozinha capixaba. É sócio-proprietário do Betu’s Burguer e do Anjo Doce, com trajetória voltada à valorização dos sabores regionais.
Chef Ricardo Silva: chef de cozinha que desenvolve trabalhos com ingredientes da Mata Atlântica, pesquisando novos sabores e possibilidades gastronômicas que contribuam para a valorização dos produtos e das histórias do território.
Chef Robson Feu: profissional com mais de dez anos de experiência em alta gastronomia, com perfil minimalista e atuação voltada à elaboração, desenvolvimento e montagem de pratos.
Karla Pedra: bióloga, professora e pesquisadora, atua em Botânica, Ecologia Vegetal, Agroecologia, Educação Ambiental e Conservação da Natureza. À frente do Laboratório de Botânica do Ifes de Alegre, transforma conhecimento científico em novas formas de perceber e cuidar do que cresce ao nosso redor.
Jorge Forager: etnobotânico e consultor em biodiversidade, aproxima ciência, conhecimentos tradicionais e conservação da natureza, com olhar especial para plantas e cogumelos silvestres que podem alimentar, curar e contar histórias sobre os lugares onde nascem.
Gabiroba: fruta, memória e cultura
A gabiroba não é apenas uma fruta de polpa perfumada. Seu nome carrega origem tupi e uma história de relação entre povos, plantas e paisagens. Gabiroba é o nome popular de várias espécies do gênero Campomanesia, da família Myrtaceae, a mesma da goiaba, da pitanga e da uvaia.
O gênero ocorre em diferentes regiões do Cerrado e da Mata Atlântica, e cada espécie tem sua área. Em comunidades rurais e tradicionais, a fruta foi transformada em sucos, doces, licores e preparos artesanais, reunindo origem indígena, presença rural e diversas possibilidades de uso culinário.
Em 1929, a gabiroba foi celebrada na marchinha de carnaval “Quebra, quebra, gabiroba”, composta por Plínio de Brito e que fez sucesso na voz do cantor Januário de Oliveira. A música também se tornou popular entre bandas de congo do Espírito Santo, reforçando a presença da fruta na cultura brasileira.
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