Operação em PE expõe ligação de delegada do Pará com PCC no Grande Recife
Polícia Civil de Pernambuco deu início às investigações que resultaram na prisão da servidora
Uma ação policial deflagrada nesta quinta-feira (15) com protagonismo das forças de segurança de Pernambuco desarticulou um esquema de vazamento de informações sigilosas e proteção institucional ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A Operação Sinalagma cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão no estado, com destaque para a execução de uma ordem judicial em um edifício de luxo no Cais José Estelita, no bairro de São José, área central do Recife.
A investigação apontou que a delegada do Pará, Maria Virgínia Grimwood Pinto, atuava em conluio com Renato Henrique do Carmo, o “Gordão”, considerado pela policia como uma das principais lideranças do PCC na região de Muro Alto, em Ipojuca, no Grande Recife. "Gordão" já havia sido preso pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) em janeiro do ano passado.
Investigações começaram em Pernambuco e revelaram rede de proteção
O ponto de partida de todo o esquema foi descoberto pela própria Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), que iniciou os trabalhos de investigação há mais de um ano. A partir das apurações, os policiais identificaram que a delegada paraense recebia vantagens financeiras indevidas para repassar dados confidenciais e garantir facilidades à facção criminosa que atuava no litoral do estado.
Com base nos elementos colhidos na investigação da PCPE, o Juízo da Vara Criminal da Comarca de Ipojuca (PE) expediu as ordens judiciais de prisão, busca e apreensão, além do sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros dos envolvidos.
Prisão no DF e buscas no Pará, São Paulo e Recife
Além da ação no Cais José Estelita, a operação também ocorreu em outros estados:
- Brasília (DF): A delegada Maria Virgínia foi localizada e presa no Setor Hoteleiro Norte.
- Belém (PA): Cumprimento de mandados na residência da investigada e no gabinete ocupado por ela na Divisão de Polícia Administrativa (DPA) da Polícia Civil do Pará.
- São Paulo (SP) e Recife (PE): Busca, apreensão e cumprimento de ordens cautelares.
Esquema financeiro e lavagem de dinheiro no estado
A apuração conduzida com apoio do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e análise de relatórios do Coaf revelou uma complexa estrutura de lavagem de capitais. Para movimentar a propina e ocultar o patrimônio gerado pelos crimes no Grande Recife e em outros pontos do país, o grupo utilizava:
- Abertura de empresas em nome de terceiros;
- Uso de documentos falsos;
- Contas bancárias de "laranjas" para dissimulação de valores.
A Operação Sinalagma contou com o apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a integração de órgãos de segurança pública de Pernambuco, Pará, São Paulo e do Distrito Federal. Os investigados poderão responder por corrupção, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e colaboração com organização criminosa.
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