Orlas da Grande Vitória viram “mar” de bikes elétricas no feriadão
Muitos banhistas aproveitaram para ir à praia no feriado utilizando as bikes, que ficaram estacionadas nas calçadas
O sol é um convite para um mergulho, e é sobre duas rodas que muita gente tem escolhido chegar ao litoral. Em Vitória e Vila Velha, as bikes elétricas estão mudando o cenário da orla. Por lá, um verdadeiro “mar de bicicletas” estacionadas de forma improvisada tem roubado a cena.
A mudança de hábito já caiu no gosto dos frequentadores, e há quem admita ter deixado o carro na garagem para ir à praia de bicicleta elétrica.
Na capital, a Ilha do Boi também foi “invadida” pelas bikes elétricas. Já na orla de Vila Velha, o calçadão da Praia da Costa é o local onde há mais aglomeração. A maioria das bikes fica estacionada na calçada.
O especialista em Trânsito Josimar Amaral ressalta que as bikes elétricas se multiplicam e o espaço físico carece de adequações para minimizar os impactos da crescente demanda.
“Estamos diante de um desafio de infraestrutura para garantir tanto a segurança e o direito de ir e vir quanto a guarda desses veículos em locais apropriados”.
Para o especialista em Segurança e Trânsito André Cerqueira, não é preciso reproduzir o modelo do automóvel e criar enormes estacionamentos.
“É possível criar pequenos bolsões distribuídos ao longo da orla, próximos aos acessos à praia. Um espaço ocupado por poucos automóveis consegue acomodar dezenas de bicicletas. Esses locais deveriam ter paraciclos resistentes (suporte para bikes), boa iluminação e, nos pontos de maior movimento, monitoramento por câmeras”.
O consultor em Segurança Viária Anthony Moraes Costa lembra que, embora não existam normas específicas de estacionamento para bicicletas e autopropelidos, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) define esses equipamentos como veículos de propulsão humana, no caso das bikes, e de propulsão elétrica, no caso dos autopropelidos.
Portanto, eles estão sujeitos às regras gerais de estacionamento e parada previstas no CTB, como não obstruir a passagem de pedestres.
“Só que o cotidiano nos apresenta outra realidade, com ciclistas praticando condutas que vão na contramão da segurança viária e das regras de convivência”.
Segundo ele, cabe às autoridades responsáveis pelas vias públicas estabelecer normas dentro de suas competências, como as relacionadas ao estacionamento, além de fiscalizar as condutas.
“O novo modal exige adequações amplas, com ações que envolvam educação, fiscalização e, eventualmente, punições compatíveis.”
Acesso fácil e sem transtornos
De bicicleta elétrica, o casal de namorados Júlia Bravin Ferrari, 27 anos, que é arquiteta e urbanista, e o estudante Igor Emílio Fonseca Oliveira, 29, curtiu o dia de sol.
Moradores de Vitória, eles foram à Ilha do Boi e Guarderia. Júlia vê a mobilidade elétrica como um avanço, mas defende mais ciclovias interligadas e fiscalização.
Já Igor contou que amigos foram de carro à Ilha do Boi e tiveram dificuldade para estacionar. “A bicicleta facilita o acesso e evita transtorno.”
Metade do tempo do ônibus
O trajeto até a praia ficou mais rápido para o mecânico de bicicletas elétricas Gabriel de Oliveira Turra, 23 anos, e a assistente administrativo Yasmin Machado Furtado, 20.
Moradores de Cariacica, eles levam cerca de 30 minutos de bike, metade do tempo gasto de ônibus.
Mesmo com rastreador na bike elétrica, Gabriel prefere manter a bicicleta por perto para evitar furtos. O casal defende a criação de estacionamentos específicos, com câmeras e segurança.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários