Pesquisa revela as áreas com mais oportunidades no mercado de trabalho; confira
Pesquisa nacional mostra que Medicina tem o maior número de formados trabalhando entre 9 a 19 meses após a colação de grau
Para os 15 mil universitários capixabas que estão prestes a chegar ao mercado de trabalho, a escolha da área de formação pode pesar na hora de conquistar uma vaga.
Uma pesquisa nacional mostra que Medicina tem o maior número de formados trabalhando entre 9 a 19 meses após a colação de grau, enquanto Engenharia e Construção e Negócios e Administração aparecem na sequência.
Os dados são da quinta edição do Indicador ABMES/Symplicity de Empregabilidade (IASE 2026).
A pesquisa ouviu 10.317 recém-formados de 99 instituições de ensino superior de todo o País.
O levantamento aponta que 95,3% dos formados em Medicina estão trabalhando após a graduação, índice que cai para 89,4% em Engenharia e Construção e 86% em Negócios e Administração.
A diferença entre as áreas chega a 22,8 pontos percentuais, mostrando que o caminho entre o diploma e o trabalho pode ser mais curto em algumas carreiras.
Entre os entrevistados em geral, 85,2% estavam trabalhando de 9 a 19 meses após a colação de grau. Do total, 67,2% atuavam na própria área de formação e outros 9,4% atuavam em outra área por escolha própria.
Para Gabriel Modica Custodio, líder do Comitê da Pesquisa de Empregabilidade IASE e diretor nacional da Symplicity, os resultados mostram que o diploma de ensino superior continua sendo diferencial para a inserção no mercado de trabalho.
Ele destaca que o índice de empregabilidade se mantém estável em relação ao ano passado, quando 85,5% dos entrevistados estavam trabalhando, o que reforça a importância da formação universitária.
“O diploma segue fazendo bastante diferença. No País, quem tem ensino superior ganha, em média, cerca de duas vezes e meia o que ganha quem tem apenas o ensino médio. E só 24% dos jovens de 25 a 34 anos têm diploma. Ou seja, o diploma vale bastante e ainda chega a poucos”.
Apesar disso, Gabriel ressalta que a escolha da graduação não deve considerar apenas o desempenho atual de cada profissão no mercado de trabalho. Isso porque as exigências das empresas estão em constante transformação.
Pesquisa de empregabilidade Iase 2026
Situação profissional de 9 a 19 meses após formatura
- 85,2% trabalhando de 9 a 19 meses após a colação de grau;
- 67,2% trabalhando na área de formação;
- 9,4% trabalhando fora da área, por opção;
- 12,6% estavam em busca de trabalho;
- A inserção favorável no mercado ficou em 76,6%, que se refere a quem conseguiu emprego na área ou está fora por opção.
Tipo de vínculo, renda e atuação na área
- Emprego formal privado (49,6%) - R$ 5.227
- Liberal ou autônomo (20,3%) - R$ 5.961
- Emprego formal público (16,8%) - R$ 5.944
- Empresário (5,5%) - R$ 8.104
- Estágio ou bolsa (4,7%) - R$ 3.669
- Trabalhador informal (3,1%) - R$ 2.669
- 49,6% em emprego formal privado
- 20,3% liberal ou autônomo
Empregabilidade e renda (curso / % / renda média)
- Medicina - 95,3% - R$ 11.071
- Engenharia e Construção - 89,4% - R$ 6.639
- Negócios e Administração - 86% - R$ 6.043
- Agricultura e Veterinária - 85,6% - R$ 5.707
- Saúde (demais) - 85,1% - R$ 4.398
- Ciências Sociais e Comunicação - 84,5% - R$ 4.761
- Direito - 83,9% - R$ 4.902
- Computação e TIC - 83,2% - R$ 6.226
- Educação - 81,7% - R$ 4.124
- Ciências Naturais e Matemática - 81,6% - R$ 4.527
- Artes e Humanidades - 75% - R$ 4.094
- Serviços - 72,5% - R$ 3.271
Empregabilidade e renda por modalidade de curso
Presencial
- Taxa de empregabilidade - 86,6%
- Renda média - R$ 5.444
EAD
- Taxa de empregabilidade - 79,7%
- Renda média - R$ 5.776
"Empresas esperam atitude e ação"
Ter um diploma na mão é importante, mas não basta para conquistar espaço no mercado de trabalho. Para o escritor e mentor Sidnei Oliveira, que há 25 anos atua com desenvolvimento de carreira e jovens profissionais, quem está começando precisa demonstrar principalmente disposição para aprender, iniciativa e capacidade de gerar valor.
Na visão dele, o mercado espera menos discurso e mais ação.
A Tribuna: O que empresas estão esperando hoje de quem acaba de sair da faculdade?
Sidnei Oliveira: As empresas, de modo geral, estão esperando muito mais do que um diploma. Elas estão esperando mais atitude, ação, e menos 'falação'. Quase diria que mais atitude, de curiosidade e de querer gerar valor, do que competência.
E quais erros mais observa nos jovens recém-formados quando eles começam a procurar emprego?
Um erro é muito característico da juventude, que é um pouco da petulância.
Ele fez uma faculdade, tem o diploma e pelo esforço que ele fez para ter o diploma, ele acredita que já precisa ser remunerado ou, em algum grau, ser reconhecido pelo mercado, pela empresa.
Então, quando ele entra na empresa o erro é que ele dá muito mais crédito para a titulação que ele tem, quase que atrelada ao esforço que fez para chegar no emprego.
Mas quando a gente entra no mercado, é o oposto. A empresa já tem consciência que o jovem que entra não entra com a capacidade de gerar valor no início. Ele precisa se ambientar, entender a cultura, entender o que está acontecendo.
Essa dissonância entre o que o jovem entra na empresa esperando e o que a empresa espera do jovem é talvez o que leva a maior erro e a maior dificuldade dos jovens se adaptarem no emprego.
O jovem precisa ter mais paciência e entender que esse primeiro momento com a empresa ainda é parte do investimento dele na trajetória.
Como os jovens podem compensar a falta de experiência?
Essa é uma questão estratégica. Eu normalmente aconselho jovens que ainda estão na universidade que já entrem no mercado de trabalho pela porta que eles conseguirem, seja como estagiário, como jovem aprendiz, como trabalho pro bono (voluntário) em algum lugar ligado à área que ele tem. A experiência é algo que ele só vai adquirir sentando no mercado e entrando no jogo.
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