Comédia com Eduardo Moscovis e Patricya Travassos
“Duetos”, em cartaz sexta-feira (9), sábado (10) e domingo (11) no Teatro da Ufes, fala com humor sobre o mundo caótico dos relacionamentos modernos
As expectativas geradas pelo amor e a busca incessante por afeto podem levar um indivíduo a cair em ciladas. De encontro com aquele pretendente que você nunca viu pessoalmente a se apaixonar por um chefe.
Esses são alguns dos dramas que se transformam em bons motivos para rir em “Duetos”. Estrelada por Patricya Travassos, 71, e Eduardo Moscovis, 58, a comédia fala sobre o mundo caótico dos relacionamentos modernos.
O espetáculo, que será apresentado em Vitória entre hoje e domingo, tem direção de Ernesto Piccolo e texto de autoria do premiado dramaturgo britânico Peter Quilter.
No palco, os veteranos dão vida a quatro histórias de uma mulher e um homem – não necessariamente casais – às voltas com seus próprios desejos e traumas em busca de um amor.
“O que esses personagens têm em comum é a solidão. É achar que o outro vai completar sua vida e que precisa disso para existir. É a necessidade de ser amado e de encontrar um parceiro, e todas as ilusões que se envolvem nesse desejo, sabe?”, opina Patricya Travassos em conversa com o jornal A Tribuna.
As outras histórias em cena são de um casal que decide passar férias na Espanha para finalizar um divórcio e de uma mulher que parte para seu terceiro casamento.
Apesar de não se identificar com nenhuma das esquetes apresentadas, Patricya, que está solteira, afirma que essas personagens existem fora da ficção.
“Eu conheço essas pessoas, então não preciso ter vivido essas situações para poder interpretá-las”.
Vista por mais de 200 mil pessoas pelo País, “Duetos” ganhou o selo de qualidade “O Teatro Me Representa”, com quatro indicações do crítico teatral Gilberto Bartholo.
Patricya Travassos atriz
“Não me sinto sozinha de jeito nenhum”
A Tribuna — É a primeira vez que “Duetos” fica em cartaz em Vitória. Como está a expectativa?
Patricya Travassos — Estou adorando fazer cidades que a gente nunca fez, como é o caso de Vitória. É mais excitante. A última vez que estive aí foi com a peça “A Partilha”, do Miguel Falabella, entre 2012 e 2014. Então, estou curiosa. Todo mundo que foi aí recentemente elogiou muito a cidade.
“Duetos” carrega o texto original assinado pelo dramaturgo britânico Peter Quilter. O que foi preciso para deixar a montagem com uma cara mais brasileira?
O texto original tem uma dramaturgia muito interessante. São quatro histórias com pegadas totalmente diferentes. Mas é um texto antigo, que o Peter Quilter escreveu há 20 anos, e é aquele teatro em inglês que falam muito, sabe? Então, era um texto muito grande para o Brasil.
Essa peça já foi apresentada em mais de 20 países, mas o próprio autor sugere que cada cultura adapte o texto para o seu humor e cotidiano. E vamos combinar que, nos últimos anos, o mundo mudou muito com a tecnologia. Então, muita coisa não funcionava mais.
Aí eu e o Neco (o diretor Ernesto Piccolo) fomos adaptando e cortando o texto. Primeiro na mesa, e depois, ensaiando, fomos criando piadas para o Brasil, mas usando a dramaturgia que ele propôs.
Qual é o espaço que o teatro ocupou e ocupa na sua vida?
Comecei no teatro, sempre fui dele. Depois é que surgiu a televisão e outras coisas. Eu acho que é um lugar onde eu me sinto muito confortável. É muito a minha raiz e a gente tem muita liberdade para escolher o que quer fazer.
É mais livre e , talvez, mais difícil porque é ao vivo, todo dia. Parece uma repetição, mas nunca é, porque a gente nunca está igual e o público também não. Então esse somatório nunca é igual. Eu gosto muito de trabalhar com audiovisual, mas eu amo fazer teatro. Adoro assistir a plateia.
É a primeira vez que encontra Eduardo Moscovis nos palcos. Como tem sido essa troca?
O Du é um ótimo parceiro de cena, a gente sempre se deu muito bem. Como “Duetos” tem uma participação nossa no texto e em tudo, ele também colaborou muito do jeito dele, trazendo coisas para os personagens dele. Ele é uma pessoa muito envolvida, disciplinada.
Está solteira. A solidão para você não é um problema?
Não. Eu já tive vários relacionamentos ao longo da minha vida. Vários. Mas, no momento, eu não estou em relacionamento nenhum. E eu não chamo de solidão, de forma alguma. Eu chamo de independência, sabe?
Eu não me sinto sozinha de jeito nenhum. E não acho que é um relacionamento afetivo com uma pessoa que faz você não ter solidão. Eu conheço pessoas muito solitárias dentro de um relacionamento. Então, eu não acho que é por aí a fórmula.
Você é adepta dos encontros por aplicativo ou prefere conhecer pessoas casualmente, através de amigos?
Eu não uso aplicativo, não sou dessa geração. Acho muito estranho. Eu gosto do olhar da pessoa, do tato e do jeito. É muito diferente você conhecer uma pessoa ao vivo e uma pessoa que está se descrevendo para agradar ao outro. Ou tentando ser uma personagem para agradar ao outro.
Às vezes, dá certo. Eu conheço gente que se conheceu em aplicativo e casou. Mas acho que essa é uma dinâmica mais para você encontrar um companheiro para sair algumas vezes, entende? Raramente dá certo.
Tem alguma dica para quem se vê muito nesses personagens de “Duetos” e não consegue lidar de forma leve com a solidão?
Não é dica, na verdade. Eu acho que o que a gente vê do público é que as pessoas riem muito das situações que elas já viveram, né? Elas podem não ter vivido exatamente aquela situação, mas às vezes se reconhecem nos personagens.
Acho que é isso que também faz o público se conectar. Porque, mesmo atrás da comédia, tem uma verdade, né? Tem muita coisa ali que é verdade e, às vezes, a comédia começa num momento dramático. O drama pode virar uma comédia num estalar de dedos.
Saiba Mais
“Duetos”
- O quê: Comédia com Patricya Travassos e Eduardo Moscovis.
- Quando: Sexta-feira (9) e sábado (10), às 20 horas, e domingo (11), às 18 horas.
- Onde: No Teatro Universitário da Ufes, em Goiabeiras.
- Ingresso: A partir de R$ 60 (Mezanino/meia).
- Venda: Site sympla.com.br.
- Classificação: Livre.
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