Tarefa hercúlea para Ricardo Ferraço no segundo turno
Lorenzo Pazolini tem vitória acachapante e quase leva a eleição na primeira rodada
Eduardo Maia
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A apuração da eleição ao governo do Estado pegou o mercado político de surpresa na tarde de ontem. Embora pesquisas recentes tenham apontado que o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Rep) tinha a preferência da maior fatia do eleitorado capixaba, neste momento, nenhum instituto foi capaz de captar o tamanho da diferença entre os candidatos.
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Ao atingir a marca de 1.048.633 de votos (49,65%), Pazolini atestou uma vitória forte no primeiro turno. Ricardo Ferraço (MDB), por sua vez, alcançou 719.397 votos (34,06%). Uma diferença que nem os mais entusiastas do próprio Pazolini teriam arriscado.
A partir de agora, as estratégias do emedebista devem mudar drasticamente. A coordenação da campanha terá de entender o que podem fazer para recuperar o que não conseguiram no primeiro turno.
A tarefa é grande, já que Lorenzo Pazolini ficou a poucos votos de ter levado a disputa já no primeiro turno.
Emoção para todos os lados....
Do lado dele, manter...
Os números de Lorenzo Pazolini demonstram que fez “quase tudo certo” nesse primeiro turno. Consolidou sua votação na Grande Vitória e ampliou sua presença na Região Serrana, chegando bem aos municípios do Sul e Norte do Estado, liderando em alguns dos principais deles.
Durante discurso, diz que vai continuar da mesma maneira.
Se manteve perto do bolsonarismo na medida certa para angariar o eleitorado e não afastar eleitores da direita moderada.
Do lado do governador...
O discurso de que “2º turno é momento de novas eleições” já começa a ser repetido nos bastidores. Em nota, Ricardo reconheceu o resultado, mas dá sinais dos próximos passos.
“Com cenário delimitado entre duas alternativas, teremos a oportunidade de fazer um debate ainda mais amplo, direto e aprofundado com toda a sociedade capixaba”.
Eleitorado do candidato que ficou em 3º lugar, Helder Salomão (PT), é essencial para Ricardo neste momento.
Evair surpreendeu?
A pergunta que circula no mercado político é se era esperado que Evair fosse se eleger senador. Na maior parte do tempo da apuração, apareceu liderando como mais votado. Na reta final, Casagrande (PSB) virou o jogo.
A coluna ouve de atores próximos de Evair que o então deputado federal tem voto orgânico, onde algumas pesquisas não alcançam.
A pauta do agro e a ligação com o bolsonarismo também deram vantagem para ele neste momento.
Golpe duro para o PL
Levando em consideração que a prioridade do presidente estadual do PL, Magno Malta, era eleger a filha Maguinha Malta como senadora, o PL sofreu um duro golpe. E vai além disso: apostou em uma coligação com Evair, que ao que tudo indica, só prejudicou Maguinha.
Evair conseguiu se sobressair entre o público bolsonarista e, de quebra, ainda transitou entre governistas, como Gilson Daniel (Pode), Da Vitória (PP) e prefeitos e vereadores da base.
O que surpreendeu na configuração?
O Republicanos, de Pazolini, elegeu um deputado federal. Esperava-se que não passasse disso. Entretanto, o nome mais cotado, nos bastidores, era do próprio presidente e tido como candidato de Pazolini, Erick Musso. Não deu certo. O eleito foi Coronel Ramalho, que depois de tanto tempo, enfim consegue sua sonhada vaga.
Sergio Meneguelli (PSD), outrora deputado estadual mais votado da história, não performou bem nas urnas neste ano para Senado, seu sonhado cargo.
Sem usar fundo eleitoral, conseguiu pouco mais de 300 mil votos.
Saiu prejudicada
Ex-senadora Rose de Freitas (MDB) também não performou bem.
Embora tenha participado da coligação com Casagrande (PSB) e Ricardo (MDB), houve muitos governistas que além de voto a Casagrande, pediram para Evair de Melo, deixando Rose para fora da equação.
Fez quase 165 mil votos, ficando em 7º lugar.
Até dentro do PL?
A coluna colheu durante a última semana que havia muitos nomes do PL que deixaram de estimular voto em Maguinha Malta para abraçar a candidatura de Evair de Melo e outro candidato ligado à direita, como Marcos Do Val (Avante).
Ficaram de fora...
A eleição para a Assembleia Legislativa, conforme a coluna destacou diversas vezes, teve muitas candidaturas “pesadas”, de nomes relevantes no cenário político local. Mas, não há espaço para todos.
Ficaram de fora, por exemplo: Audifax (PP), Daniel da Açaí (PP), Denninho (União), Hércules (PP) e vários outros.
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Há mais de 55 anos, a tradicional coluna Plenário acompanha de perto os bastidores da política capixaba nas páginas de A Tribuna. Também presente no Tribuna Online, o espaço traz diariamente notícias, análises e informações exclusivas sobre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Com olhar atento, revela as costuras políticas que movimentam os quatro cantos do Espírito Santo.