Apenas 22% dos brasileiros possuem ensino superior, diz estudo
Pesquisa também mostra que no País 25% dos estudantes abandonam o curso de bacharelado já no primeiro ano
O Brasil avançou na expansão do acesso à educação, mas ainda está distante dos países mais desenvolvidos quando o assunto é ensino superior.
Apenas 22% dos brasileiros de 25 a 64 anos tinham formação superior em 2024, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na média dos países da organização, o índice chegou a 43%. Os dados são do Panorama da Educação da OCDE de 2026, divulgados na terça-feira (29).
Para a especialista em Políticas Educacionais e presidente do Instituto Salto, Claudia Costin, os números precisam ser analisados considerando o atraso histórico do Brasil na universalização da educação.
Segundo ela, o País só universalizou o acesso ao ensino fundamental nas últimas décadas do século 20 e ainda não conseguiu universalizar completamente o ensino médio.
Porém, a boa notícia, aponta ela, é que a cada ano pós-pandemia há mais pessoas entrando e completando o ensino médio.
“Como há um incentivo nos governos estaduais para se prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a chance aumenta delas levarem a sério sua escolaridade e estudarem mais para entrar na universidade”.
O aumento do número de jovens que chegam ao ensino superior, no entanto, traz outro desafio: garantir que eles tenham condições de acompanhar os cursos e concluí-los.
O estudo de 2025 da OCDE mostra que no Brasil, 25% dos estudantes abandonam o curso de bacharelado já no primeiro ano e apenas 49% dos que ingressam concluem a graduação até três anos depois do tempo previsto, em comparação com a média de 70% dos países da OCDE.
Para a especialista, parte dos estudantes chega à universidade sem o domínio de conhecimentos e competências necessários para ter um bom desempenho acadêmico.
“É importante fortalecer o ensino médio para que os estudantes cheguem às universidades mais preparados. Vi uma estratégia na Romênia em que as universidades levavam os jovens, nas férias de verão antes das aulas, para um reforço de Matemática, leitura e compreensão de textos, importantes para ter sucesso na universidade”.
Apesar dos desafios, Cláudia ressalta que a formação superior continua tendo impacto importante na vida profissional. “É verdade que o salário também depende do curso, como as novas profissões do futuro”.
Fique por dentro
Estudantes abandonam curso
Ensino superior
Apenas 22% dos brasileiros de 25 a 64 anos tinham formação superior em 2024. O percentual ficou praticamente pela metade da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 43%.
Entre os jovens de 25 a 34 anos, a taxa de equivalência ao ensino superior no Brasil foi de 24%, contra 49% na média da organização.
Abandono na faculdade
Um em cada quatro estudantes brasileiros de bacharelado abandona o curso já no primeiro ano.
Mesmo três anos depois do período previsto para a conclusão, apenas 49% dos ingressantes haviam terminado a graduação com sucesso. Na média da OCDE, a taxa de conclusão chega a 70%.
Diploma e salário
No Brasil, trabalhadores de 25 a 64 anos com ensino superior completo ganham, em média, 148% mais do que aqueles que concluíram o ensino médio. O chamado prêmio salarial da formação superior é bem maior que a média de 54% registrada nos países da OCDE. Já quem não concluiu o ensino médio recebe cerca de 75% da renda de um trabalhador com ensino médio completo.
Ensino profissionalizante
A proporção de alunos do ensino médio matriculados em programas de formação profissional quase dobrou na última década: passou de 8% para 14% no Brasil.
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