Presa quadrilha que enganava idosos para fazer empréstimos
Criminosos entravam em contato por telefone ou WhatsApp, iam até a casa das vítimas e coletavam dados pessoais e biométricos
Uma organização criminosa sediada no Rio de Janeiro usava dados pessoais vazados, como a biometria, para selecionar idosos e aplicar o golpe do Vale Gás no Espírito Santo.
Segundo a Polícia Civil, o grupo também atuava em Minas Gerais e Alagoas e pode ter movimentado cerca de R$ 2 milhões com as fraudes desde agosto de 2024.
Os criminosos entravam em contato por telefone ou WhatsApp e diziam que a vítima teria direito a um benefício social.
Com informações como CPF, endereço, telefone e dados familiares, descobriam, por contato prévio, até o horário em que a pessoa estaria sozinha. Depois, uma integrante ia à casa da vítima para supostamente fazer um cadastro.
Eles coletavam dados pessoais e biométricos, inclusive reconhecimento facial. Com essas informações, os criminosos abriam contas digitais, faziam portabilidade de benefícios, antecipavam o 13º salário e contratavam empréstimos consignados de até R$ 30 mil.
A investigação identificou oito integrantes, sendo quatro apontados como lideranças. Segundo o delegado Jonathan Lana, adjunto da Delegacia Especializada de Defraudações e Falsificações (Defa), a organização tinha divisão de tarefas e usava termos empresariais para tratar das fraudes.
“Eles tinham uma nomenclatura própria ali daquela estrutura criminosa, em que eles chamavam as vítimas de clientes, o local onde se reuniam antes das fraudes era o escritório, e cada fraude eles chamavam de contrato”.
Joyce Máximo da Silva, 34, e Rafael de Jesus Guarany de Oliveira, 32, foram presos e oito suspeitos foram indiciados por sete estelionatos contra quatro vítimas e por organização criminosa.
O delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, alertou para o risco do uso de dados vazados. “A gente pede para a população sempre ter muito cuidado, a prevenção é uma excelente forma de se combater os crimes de fraude, principalmente fraudes digitais”.
58 boletins de ocorrência são registrados no Estado
A Polícia Civil identificou 58 boletins de ocorrência relacionados ao golpe no Espírito Santo somente em 2025. Os registros apontam que a prática já era documentada desde agosto de 2024 e atingia vítimas em diferentes municípios capixabas, com predominância de casos na capital.
Os golpistas fizeram vítimas em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, onde uma idosa de 71 anos perdeu R$ 94.421,88; no Noroeste, em Colatina, uma idosa de 64 anos perdeu R$ 78.986,71. Já no Norte, em Linhares, um idoso de 68 anos perdeu R$ 41.613,92.
Em Vila Velha, foram R$ 42.000 de uma idosa de 74 anos. Já em Guarapari, uma idosa de 64 anos, cega e com deficiência, foi abordada em casa com o pretexto de entrega de cesta básica, mas o valor do prejuízo não foi informado. Somando os quatro valores informados, o prejuízo chega a R$ 257.022,51.
O delegado Gabriel Monteiro, chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), destacou a importância da divulgação para prevenir novas vítimas.
“É um trabalho muito importante e de utilidade pública. Para nós, essa divulgação vai ajudar a prevenir diversos golpes, possíveis golpes até em nível nacional, pois eles não agiam só aqui no Espírito Santo”, ressaltou.
Visitas a casas para fazer foto do rosto
Grupo
O Grupo chamado “Tropa Milhões CPX” tinha divisão de tarefas, hierarquia, controle financeiro e atuação no Espírito Santo, Minas Gerais e Alagoas.
O núcleo de comando era chamado de “escritório” e ficava no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
Presos
Joyce Máximo da Silva: Idade não informada. Presa apontada como executora de campo, abordava idosos, levava cestas e cartões falsos e coletava documentos e biometria facial.
Rafael de Jesus Guarany de Oliveira, idade não informada. Preso apontado como motorista e vigilante de campo, era responsável pelo transporte e segurança de Joyce.
Indiciados
Os dois presos e outros oito suspeitos com idades entre 20 e 35 anos foram indiciados por sete estelionatos contra quatro vítimas e por organização criminosa.
Como agiam
os suspeitos identificavam idosos vulneráveis, especialmente aposentados que moravam sozinhos ou tinham dificuldades financeiras.
Primeiro, faziam contato telefônico se passando por assistentes sociais e levantavam informações sobre renda e margem para empréstimos.
Presencial
Depois, Joyce ia até a residência levando uma cesta básica verdadeira e um cartão falso de “Vale Gás” para conquistar a confiança da vítima.
Durante a visita, eram obtidos documentos, fotos e biometria facial.
Golpe
Os dados eram usados para contratar empréstimos e antecipações de 13º sem autorização. O dinheiro era direcionado a contas ligadas ao grupo, inclusive de vítimas que se tornavam “laranjas” sem saber que tinham uma conta bancária aberta.
A investigação aponta pelo menos sete estelionatos contra cinco vítimas no Espírito Santo e prejuízos atribuídos ao grupo que ultrapassariam R$ 2 milhões.
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