IA detecta problemas cardíacos anos antes dos sintomas aparecerem
Pesquisa apresentada em congresso europeu revela que IA consegue detectar problemas cardíacos que o olho humano não identifica
O coração pode dar sinais de que algo não vai bem muito antes de aparecerem dor no peito, falta de ar ou outros sintomas. Com a ajuda da Inteligência Artificial (IA), esses sinais estão começando a ser identificados em exames e dados de saúde, abrindo caminho para prever doenças cardiovasculares anos antes delas se manifestarem.
No congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), em Munique, na Alemanha, em agosto deste ano, foi apresentada uma ferramenta treinada com milhões de pacientes que extrai do eletrocardiograma comum informações que o olho humano não vê – e detecta problemas em menos de dois segundos, destaca o coordenador da Cardiologia Intervencionista do Hospital Santa Rita, Renato Serpa.
“Em um teste com 67 mil pacientes dos Estados Unidos, a ferramenta identificou até 81% dos casos de insuficiência cardíaca e até 90% das doenças de válvulas que poderiam passar despercebidas. Parece ficção científica, mas já está sendo usada em hospitais”.
A IA aplicada ao eletrocardiograma também tem se destacado para identificar infarto, aponta Renato. A ferramenta Queen of Hearts, da Powerful Medical, recebeu aprovação da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, no último dia 15, para identificar no eletrocardiograma sinais de síndrome coronariana aguda (incluindo o infarto).
“É a primeira IA autorizada para esse fim, com potencial de acelerar o diagnóstico na emergência”, afirma o cardiologista.
Para os próximos cinco a 10 anos, na avaliação da cardiologista Daniella Motta, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia do Espírito Santo, uma das doenças que podem ser tratadas de forma diferente é a doença das artérias coronárias, que levam sangue ao coração e podem acumular placas de gordura.
“Nos próximos anos, uma das grandes mudanças pode ser reconhecer o risco mais cedo, antes do primeiro infarto”, observa.
Hoje, segundo ela, já é possível reunir informações como pressão, colesterol, diabetes e histórico familiar para estimar esse risco.
“A dosagem da lipoproteína(a), uma partícula do sangue muito influenciada pela genética, acrescenta uma informação importante. Em algumas pessoas, o escore de cálcio, uma tomografia que identifica cálcio nas placas das artérias do coração, ajuda a decidir quando intensificar a prevenção”.
Novo remédio acelera tratamento
Com mais de 90 mil mortes em decorrência de acidente vascular cerebral (AVC) em 2025, segundo dados Portal da Transparência do Centro de Registro Civil, pesquisadores têm se empenhado em mudar o desfecho de quem é vítima do problema.
Um novo medicamento já representa esperança contra a grave emergência: a tenecteplase (TNK). Usada em casos de AVC isquêmico, a medicação chegou em julho ao Espírito Santo e passou a ser incorporada no Hospital Unimed Vitória.
O AVC isquêmico é o tipo mais comum de acidente vascular cerebral, responsável por cerca de 85% dos casos.
O trombolítico, cuja infusão é feita em cerca de cinco a 10 segundos, dissolve o coágulo responsável pela obstrução da circulação sanguínea no cérebro. O novo remédio substitui a alteplase, cuja aplicação levava cerca de uma hora.
O neurologista da Unimed Vitória Guilherme Coutinho, especialista em Doenças Cerebrovasculares, explica que a principal vantagem do medicamento é sua praticidade e seu rápido efeito no paciente.
“Diferentemente do tratamento tradicional, que precisa ser administrado continuamente por mais de uma hora com o auxílio de uma bomba de infusão, a tenecteplase é aplicada de uma só vez, por meio de uma única injeção intravenosa que dura cerca de cinco segundos”, afirma.
De acordo com o neurologista, o medicamento é recomendado exclusivamente para os casos de AVC isquêmico agudo, que ocorre quando uma artéria cerebral é obstruída por um coágulo, interrompendo o fluxo de sangue e de oxigênio para os neurônios.
“Para o paciente conseguir utilizá-lo, precisa chegar ao hospital até 4h30 após o início dos primeiros sintomas”, ressalta.
Os números
Mortes
294 mil mortes por doenças cardiovasculares já foram registradas este ano no Brasil, segundo o Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
1.100 mortes são registradas por dia, 46 por hora, uma morte a cada 90 segundos.
Aumento
Estima-se que o número de pessoas com doenças cardiovasculares poderá crescer 90% entre 2025 e 2050, conforme aponta estudo que analisou dados do Global Burden of Disease (GBD).
No mesmo período, as mortes por essas doenças devem aumentar 73,4%, enquanto os anos de vida perdidos ou vividos com incapacidade devem crescer 54,7%.
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