A Comunicação Aumentativa como direito da criança autista
Comunicação Aumentativa e Alternativa amplia as formas de expressão e promove autonomia para pessoas autistas
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A comunicação é uma das necessidades mais primordiais da experiência humana. É por meio dela que expressamos dor, afeto, escolhas e necessidades. No entanto, no Transtorno do Espectro Autista (TEA), as barreiras na comunicação verbal ainda são vistas por muitos como um obstáculo. Estima-se que cerca de 25% a 30% das pessoas no espectro autista sejam não falantes ou possuam uma fala pouco funcional.
Diante desse cenário, surge uma questão urgente: como garantir o direito fundamental de se expressar quando as palavras faladas não vêm?
Aproveitando o dia 21 de setembro, Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, precisamos jogar luz sobre uma ferramenta transformadora e ainda envolta em mitos: a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). A CAA abrange desde métodos de baixa tecnologia, como pranchas de símbolos e cartões de comunicação (PECS), até recursos de alta tecnologia, como softwares e aplicativos em tablets acionados por toque.
Um dos maiores desafios, na prática, é desmistificar o preconceito de que o uso da comunicação alternativa “acomoda” a criança. A evidência científica demonstra exatamente o oposto. Ao oferecer um meio estruturado para que a criança faça escolhas e reduza a frustração de não ser compreendida, diminuímos comportamentos de crise e estimulamos as vias neurais da linguagem. Muitas crianças passam a falar a partir do suporte visual fornecido pela CAA.
Compreendemos, ainda, que não existe uma única forma de comunicação que funcione para todas. A escolha dos recursos deve considerar as habilidades, necessidades e particularidades de cada indivíduo. Algumas crianças podem se beneficiar de símbolos e imagens; outras, de dispositivos eletrônicos com síntese de voz. O objetivo não é substituir a fala, mas ampliar as possibilidades de expressão.
Para que a intervenção seja eficaz, contudo, é preciso ir além do consultório. A fonoaudiologia especializada atua sob o modelo de parceria com a família e a escola. Não adianta a criança utilizar a prancha apenas durante a terapia; o ambiente ao redor precisa tornar-se um meio modelador, onde pais, professores e cuidadores também utilizem os símbolos no dia a dia.
Quando a comunicação é acessível, a criança deixa de depender exclusivamente da interpretação do adulto para participar das situações cotidianas. Ela pode demonstrar preferências, recusar algo, fazer perguntas, pedir ajuda, interagir com colegas e participar das decisões que dizem respeito à própria vida. Essa autonomia tem impacto direto na qualidade de vida e na inclusão social e educacional.
Investir em Comunicação Aumentativa e Alternativa é garantir autonomia. É permitir que uma criança autista escolha a roupa que deseja vestir, o alimento que quer comer ou expresse que está com dor antes que isso se torne um sofrimento silencioso. A luta pelo direito da pessoa com deficiência passa, de forma inegociável, pela garantia do direito de se comunicar.
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Tribuna Livre,por Leitores do Jornal A Tribuna