Mamdani chama Lula de grande inspiração, e os dois debatem custo de vida
Líderes conversaram por uma hora sobre os desafios sociais e econômicos enfrentados por Nova York, a terceira cidade mais cara do mundo
O presidente Lula (PT) se reuniu nesta segunda-feira (21) com o prefeito de Nova York, o socialista democrata Zohran Mamdani, e a conversa teve como tema central o custo de vida na cidade.
"A primeira pergunta que eu fiz foi se Nova York tem os problemas sociais que outras cidades do mundo têm", disse Lula, que falava na residência do embaixador do Brasil. "Eu não sei se Nova York tem periferia. [Mas], em toda cidade do mundo, os pobres sofrem."
O nova-iorquino respondeu que o tema prioritário é o custo de vida. "Vivemos na cidade mais cara dos Estados Unidos e a terceira mais cara do mundo. Um em cada quatro nova-iorquinos vive na pobreza."
O democrata também chamou Lula de inspiração. "Foi uma honra mostrar como ele foi uma inspiração para muitos de nós para defender os trabalhadores, os que vivem em dificuldade", afirmou.
Mamdani teve nessa reunião o seu encontro de maior envergadura com um líder internacional até aqui em sua gestão, iniciada em janeiro.
Ele recebeu elogios em troca. O petista mencionou sua juventude (Mamdani tem 34 anos) e pediu que o prefeito não esqueça seu discurso que o levou a ganhar a eleição: combater as desigualdades. Os dois estiveram juntos por cerca de 1 hora, em conversa privada.
Ao fim do encontro, o presidente e o prefeito trocaram presentes. Lula deu a Mamdani uma camiseta do Corinthians, enquanto o socialista democrata presenteou o brasileiro com uma camiseta personalizada de Nova York, criada para a Copa do Mundo.
A dupla falou sobre algumas das experiências do governo Lula 3 na área trabalhista, como a defesa do fim da escala 6x1. A imprensa não foi autorizada a fazer perguntas a nenhum dos dois líderes.
Os dois conversaram ainda, segundo o Palácio do Planalto, sobre a defesa da democracia e o enfrentamento à desinformação. O petista convidou Mamdani a visitar o Brasil, mas nenhuma data foi acordada.
Após o encontro, o assessor de Lula para política externa, Celso Amorim, disse que a conversa foi como um diálogo de pai para filho. "Uma pessoa jovem governando uma das cidades mais importantes do mundo e dando a visão dele", definiu o ex-chanceler.
Mamdani chegou por volta das 11h40 à residência do representante do Brasil na ONU, o embaixador Sérgio Danese. Lula está em Nova York para a Assembleia-Geral da ONU, onde, por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar.
O prefeito estava acompanhado de assessores -um deles carregava um pacote que aparentava ser um presente para o presidente brasileiro- e do vice-prefeito de Nova York, Dean Fuleihan.
Ainda que não possa concorrer à Presidência por ter nascido fora dos EUA (em Uganda), Mamdani é hoje um dos principais nomes de oposição ao presidente Donald Trump no país. Ainda nesta segunda, aliás, Mamdani recebe o republicano em sua residência.
Trump fica até terça-feira e parte de volta para Washington receber o líder chinês, Xi Jinping, que visita os EUA para uma visita de Estado.
Mais cedo, Lula recebeu o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. Nas redes sociais, Lula afirmou que eles trataram sobre infraestrutura e comércio agrícola e agradeceu a autorização concedida ao Brasil para uso do excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China.
Segundo auxiliares do uruguaio disseram à reportagem, o petista também pediu a Orsi mais informações sobre a legislação uruguaia para as empresas de aposta online, as bets. Elas são proibidas no país vizinho, que também multa jogadores brasileiros de futebol que vão ao país usando camisetas com propagandas desse setor.
Segundo o governo uruguaio, entre os temas de conversa também estavam o multilateralismo, a ONU, a próxima Secretaria-Geral da organização (a candidata patrocinada pelo Brasil, Michelle Bachelet, desistiu da corrida), a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e o Mercosul.
No fim da tarde, Lula também tem uma reunião prevista com o senador independente Bernie Sanders, de Vermont, um dos principais nomes da esquerda americana.
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