80 anos depois: o que o futuro espera de nós?
No pós-Segunda Guerra, organizações ganharam força em meio à reconstrução; hoje, em 2026, o desafio é se reinventar antes da crise
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Algo me chamou a atenção nos últimos tempos. Tenho visto empresas e instituições comemorando 80 anos de existência. Oito décadas de história, trabalho, desafios e transformação. E comecei a me perguntar: o que aconteceu há 80 anos para que tantas empresas e instituições surgissem ou se consolidassem naquele período? Fui buscar a resposta.
E ela estava em um dos momentos mais dramáticos da história: 1946, o primeiro ano depois do fim da Segunda Guerra Mundial. O mundo estava em reconstrução. A Europa havia sido devastada. Cidades estavam em ruínas, milhões de pessoas haviam perdido suas casas e referências, economias precisavam ser reconstruídas e a sociedade precisava encontrar novas respostas. Era, literalmente, um mundo que precisava começar de novo.
Foi nesse cenário que nasceram ou ganharam força instituições, empresas e novos modelos de organização social e econômica. O Sesc, que agora completa 80 anos, é um desses exemplos.
O que me chama a atenção não é apenas a coincidência histórica. É a capacidade de tantas organizações terem atravessado oito décadas. Nenhuma sobrevive por 80 anos fazendo as mesmas coisas, da mesma maneira, para as mesmas pessoas.
Longevidade exige reinvenção.
Estamos em 2026. O mundo não está em ruínas como em 1946, mas vive uma transformação profunda: inteligência artificial, mudanças climáticas, novas formas de trabalho, novos hábitos de consumo e uma geopolítica em rápida transformação.
As perguntas de hoje já são diferentes. E então me faço outra pergunta: Como será o mundo daqui a outros 80 anos?
Em 2106, o que será essencial? Como as pessoas irão trabalhar, consumir, aprender e se relacionar? Que papel terão as empresas e as instituições?
Será que precisaremos novamente de uma “terra arrasada” para perceber que os velhos modelos já não respondem às novas necessidades? Espero que não.
Talvez a grande evolução dos próximos 80 anos seja aprendermos a nos reinventar antes que a realidade nos obrigue a fazê-lo.
Celebrar 80 anos não deveria significar apenas olhar para trás com orgulho. Deveria significar olhar para frente com responsabilidade. Empresas e instituições longevas preservam sua essência enquanto transformam sua maneira de gerar valor e responder às necessidades da sociedade. Preservar valores não significa preservar formatos. Tradição e inovação não são adversárias.
O Sesc, assim como tantas empresas e instituições que chegam aos 80 anos, nos oferece essa reflexão. Daqui a 80 anos, alguém olhará para 2026 como hoje olhamos para 1946. E talvez faça a mesma pergunta: O que fizemos quando percebemos que o mundo estava mudando? A resposta será parte do legado da nossa geração.
O futuro não precisa de uma nova terra arrasada. Precisa de empresas e instituições capazes de enxergar a mudança antes da ruptura — e de coragem para mudar antes que ela aconteça.
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