Economia do Espírito Santo cresce mais que o dobro da média nacional
Petróleo, gás e minério puxaram avanço capixaba, e indústria defende agregar valor à produção para sustentar crescimento
A economia capixaba cresceu mais que o dobro que a do Brasil nos primeiros seis meses deste ano, apontam os dados do Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado (Findes). Enquanto a média nacional ficou em 1,9%, a do Espírito Santo alcançou 4,4%.
Puxaram o resultado a extração de petróleo e gás e a mineração de ferro. Petrobras, Vale, Samarco e Prio são algumas das empresas que expandiram a produção.
No caso das petroleiras, a alta no preço do petróleo bruto e os resultados de investimentos em plataformas offshore, com destaque para o Maria Quitéria, impulsionam os números. De janeiro a junho, o setor teve incremento de 49,1%. Já a pelotização, principal produto da Vale e da Samarco, cresceu 18,7%.
A produção de bens primários, dado o cenário, segue o motor da economia capixaba, com a maior participação no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), mesmo que o setor de Serviços tenha mais participação.
O desafio agora é transformar esse potencial de extrair da natureza em instalação de indústrias que fazem produtos acabados, prontos para o consumidor final.
“Precisamos agregar cada vez mais valor ao produto fabricado no Espírito Santo e não apenas vender o produto bruto”, diz o presidente da Findes, Paulo Baraona.
Já a economista-chefe do Observatório da Indústria, Marília Silva, alerta para a importância das empresas do setor extrativista continuarem investindo para que não ocorra uma queda da importância do setor. Esse cenário se avizinha devido à perspectiva de ociosidade dos poços da Bacia de Campos.
“A indústria extrativa está colhendo hoje, tanto da Samarco e da Petrobras, os seus investimentos do passado”, destaca Marília.
Já papel e celulose tiveram destaque negativo. Com recuo de 6,5%, o setor foi influenciado, disse Marília, por redução na demanda da China, um dos principais compradores do insumo no Brasil.
Agora, porém, tem investido em aumentar a própria base florestal para diminuir a dependência da importação da matéria-prima. No Estado, quem perde é a Suzano, que exporta para a China mais de 40% da produção e até mantém no país um centro de pesquisa.
Carne bovina vira desafio na indústria
A produção de carne bovina e do gado de corte tiveram influência na queda no setor de alimentos (-9,3%) e na pecuária (-7,5%), disse a economista-chefe do Observatório da Indústria, Marília Silva. Isso é visto tanto nos produtos frescos como também nos congelados, quando se fala no produto final.
“Provavelmente esse próprio recuo da produção de alimentos vem também de uma redução do insumo, em especial para a carne bovina”, diz Marília.
A inflação dos combustíveis, porém, é a maior preocupação da indústria atualmente, criando diretamente custo logístico.
Os dados do Observatório da Indústria
Transporte de cargas cresce
- O setor de serviços cresceu 1,6% de janeiro a junho deste ano, estimulado principalmente pelo aumento nos transportes, com alta de 2,9%.
- O resultado é atrelado ao crescimento da atividade industrial.
- A indústria extrativa é destacada como uma das principais demandantes do segmento de transportes. Há, também, participação do transporte de passageiros na alta.
Freio no comércio
- Embora o comércio de bens e serviços tenha aumentado em 2%, o setor vem desacelerando, comparado ao “boom” no período pós-pandemia.
- Esse cenário preocupa a indústria, principalmente devido à reforma tributária, que vai atrelar a arrecadação de impostos ao consumo local, nos estados. E começa em 2027.
- A capacidade das famílias em consumir, o endividamento e a inflação elevada acabam pressionando o setor de serviços como um todo.
Mais consumo de energia
- A atividade de energia e saneamento cresceu 7,9% no primeiro semestre, puxada pelo aumento do consumo de energia elétrica.
- Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que o consumo de energia elétrica no Espírito Santo avançou 7% no semestre, na comparação com o mesmo período do ano passado. Houve alta em todas as classes de consumo: industrial (8,7%), residencial (7,4%), comercial (6,1%) e outros (3,3%).
Construção civil
- O setor também teve desempenho positivo, com crescimento de 2,7%.
- O resultado aponta para resiliência em um cenário macroeconômico marcado por juros elevados, que podem comprometer a capacidade de realização de empreendimentos e a compra de imóveis pelas famílias.
- A atividade é sensível ao custo do crédito e, por isso, demanda atenção permanente, diz Paulo Baraona.
IAE
- O Indicador de Atividade Econômica acompanha trimestralmente o desempenho econômico do ES, com análise detalhada dos setores industrial, de serviços e agropecuário.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários