Podemos reverter a epidemia de doenças cardiovasculares
Setembro Vermelho reforça a importância de hábitos saudáveis e acompanhamento médico para cuidar da saúde do coração
Leitores do Jornal A Tribuna
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Os dados do Ministério da Saúde apontam que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em nosso país. O Brasil registra, anualmente, entre 300 mil e 400 mil óbitos em função de doenças que afetam o coração e os vasos sanguíneos. No mundo, as doenças do aparelho cardiovascular levam à perda de 17,5 milhões de vidas por ano.
A campanha Setembro Vermelho, voltada à conscientização sobre as doenças cardiovasculares, surge como um lembrete anual e urgente de que a saúde cardiovascular precisa ocupar o topo da nossa lista de prioridades.
Uma boa saúde do coração é resultado de hábitos diários, entre os quais estão uma dieta balanceada, com predominância de alimentos frescos ou minimamente processados, a prática regular de atividades físicas e a avaliação da saúde através do acompanhamento regular em consultas cardiológicas.
No entanto, alcançar esses objetivos, que podem não parecer tão desafiadores, tem se tornado uma batalha perdida para milhões de brasileiros. As exigências da vida, a falta de tempo e até mesmo a falta de informações são obstáculos que dificultam o cumprimento de uma agenda voltada à saúde.
Além disso, por razões econômicas, a oferta de alimentos ultraprocessados, como biscoitos, salgadinhos industrializados, preparados instantâneos e congelados, se tornou abundante e com preço mais competitivo para a maior parte da população.
Isso representa um enorme contrassenso na busca pela saúde cardiovascular, uma vez que os alimentos ultraprocessados são compostos por grande quantidade de calorias vazias, ou seja: facilitam o ganho de peso sem oferecer real nutrição, sendo produtos repletos de elementos como açúcares, gorduras e sódio, todos relacionados ao aumento do risco para o coração e o sistema circulatório.
Estamos presenciando um aumento preocupante na incidência de infartos e derrames em adultos jovens, na faixa dos 30 e 40 anos. O sedentarismo, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e os níveis alarmantes de ansiedade têm antecipado o desgaste do sistema circulatório nas novas gerações.
A boa notícia, comprovada exaustivamente pela ciência, é que cerca de 80% das mortes prematuras por doenças cardiovasculares poderiam ser evitadas com a adoção de hábitos de vida saudáveis e o acompanhamento médico regular.
Nunca é cedo demais para começar, nem tarde demais para mudar. A construção da longevidade começa nas escolhas diárias: na decisão de praticar uma atividade física prazerosa, na redução do excesso de sal e açúcar na mesa, na priorização de noites de sono reparadoras e na gestão do estresse.
Mas, para corrigirmos sistemicamente a problemática cardiovascular no Brasil, precisamos também criar condições para que a população possa fazer melhores escolhas. Que os alertas deste mês ecoem durante todo o ano, garantindo que o ritmo do nosso país continue forte, saudável e pleno de pulsação.
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Tribuna Livre,por Leitores do Jornal A Tribuna