É normal a memória falhar depois dos 50 anos?
Médicos explicam que com o envelhecimento, a recuperação de informações fica mais lenta. Mas há alguns sinais que são de alerta
Quem nunca esqueceu onde colocou as chaves, o nome de algum conhecido ou até mesmo se trancou a casa? Pequenos esquecimentos no dia a dia, segundo especialistas, são normais. E quando a memória falha após os 50 anos, será que deve ser motivo de preocupação?
O esquecimento é um dos principais sinais do Alzheimer, demência mais frequente na população. Não à toa, no Brasil, 78% das pessoas têm medo de desenvolver Alzheimer.
“Com o envelhecimento, geralmente, o processamento e recuperação de informações ficam mais lentos. Pode haver alguns esquecimentos pontuais, como onde colocamos um objeto, mas esses esquecimentos não progridem e não afetam o cotidiano do idoso”, explica o geriatra e superintendente do Programa Bem Envelhecer da MedSênior, Roni Mukamal.
Há sinais de esquecimento que são de alerta, destaca o geriatra, como esquecer onde colocou ou se tomou o remédio, esquecer senha de banco, prejuízos com manejo do dinheiro e esquecer panelas no fogo. “Tudo isso merece investigação médica”, alerta.
No Brasil, 2,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais vivem com Alzheimer e outras demências. Por isso, durante este mês, a campanha Setembro Lilás chama a atenção para a conscientização sobre o Alzheimer e outras demências.
“O Alzheimer é a demência mais conhecida, mas temos outros quadros e eles não necessariamente começam com esquecimentos. Se a população ficar esperando apenas aparecer o esquecimento para se preocupar, os quadros menos frequentes ou mais atípicos demoram ainda mais para ser identificados”, alertou Laiss Bertola, psicóloga, neuropsicóloga e 2ª vice-presidente de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de Minas Gerais.
A geriatra Daniela Barbieri lembra ainda que outros problemas de saúde podem levar à alteração do bom funcionamento cerebral, como o hipotireoidismo e a apneia obstrutiva do sono, em que as alterações de memória e outras funções são potencialmente reversíveis com a melhora do quadro que as geraram.
“Várias medicações também podem ter esse efeito inibitório sobre o funcionamento cerebral, como sedativos por exemplo. O álcool e o tabaco são grandes vilões para a saúde do cérebro, assim como o sedentarismo, as doenças mal controladas (diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia) e a falta de estímulo cerebral”.
Mente saudável
Aos 45 anos, Kátia Siquara entrou novamente na faculdade para fazer uma segunda graduação, a de Educação Física. Hoje, aos 62 e aposentada, ela é professora em sua escola de vôlei de praia e técnica do projeto social Viva Vôlei Melhor Idade.
Ela conta que manter a mente e o corpo em movimento é uma das estratégias que usa para manter a mente saudável. “Eu escrevo projetos, busco estar sempre antenada com as modernidades, cuido da saúde do corpo e da mente, além da saúde espiritual”, explica.
FIQUE POR DENTRO
Números
No Brasil, cerca de 2,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais vivem com Alzheimer e outras demências. Um estudo publicado em junho estima que 84,3% dos casos não têm diagnóstico formal.
80% da população em geral e 65% dos profissionais de saúde ainda acreditam, equivocadamente, que a demência é uma consequência natural da idade, segundo Relatório Mundial de Alzheimer 2024.
78% das pessoas no Brasil têm medo de desenvolver Alzheimer, segundo o “ADI: Relatório Mundial de Alzheimer 2019 – Atitudes em demência”.
Demência
> É um termo genérico para um conjunto de sintomas causados por distúrbios que afetam o cérebro e têm impacto na memória, pensamento, comportamento e emoção.
> A forma mais comum é a doença de Alzheimer, que afeta 50-60% das pessoas com demência. Outros tipos de demência incluem a vascular, a demência de corpos de Lewy e a fronto-temporal.
Até que ponto esquecer é normal?
Pequenos esquecimentos pontuais, como não lembrar onde colocou um objeto, podem se tornar mais frequentes. O principal é que essas falhas sejam simples, não piorem progressivamente e não interfiram no cotidiano nem na autonomia da pessoa, explica o geriatra Roni Mukamal.
Outra condições podem causar esquecimento?
> Sim. Problemas de memória podem ter várias causas e, por isso, é importante fazer uma avaliação abrangente antes de concluir que se trata de Alzheimer. Depressão, ansiedade e outros transtornos psiquiátricos podem prejudicar concentração e memória.
> Alterações da tireoide, deficiências de vitaminas, AVC, traumatismo craniano e outras condições neurológicas também podem provocar alterações cognitivas. O consumo de álcool e alguns medicamentos, especialmente determinados remédios para dormir e psicotrópicos, também podem interferir na memória.
Quando investigar o esquecimento?
> Falhas que atrapalhem o funcionamento normal do indivíduo são sempre relevantes e devem ser investigadas, alerta a geriatra Daniela Barbieri.
> Mudanças de comportamento, personalidade e outras capacidades cognitivas também podem indicar que algo não está bem, frisa a psicóloga e neuropsicóloga Laiss Bertola.
Fonte: Febraz e especialistas entrevistados.
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