História de engenheiro que virou atleta após superar câncer vira livro
O engenheiro Eduardo Calhau, que teve um câncer no pâncreas aos 38 anos, conta como o triatlo mudou sua vida após a doença
Após descobrir um câncer agressivo no pâncreas aos 38 anos, passar meses internado e ser submetido a grandes cirurgias e sessões de quimioterapia, o engenheiro capixaba Eduardo Calhau transformou a experiência de superação em uma história com palavras, frases e capítulos.
Hoje, aos 72 anos, com o tratamento concluído, ele faz triatlo, uma competição esportiva que junta três modalidades em sequência direta: natação, ciclismo e corrida. Eduardo reúne cerca de 15 troféus de primeiro lugar na categoria em provas nacionais, além de participações em competições na Alemanha e na Espanha.
A trajetória, marcada por recomeços e desafios, virou livro: “Você é um Atleta – Histórias Reais de Superação e Vitórias”, que será lançado no próximo dia 15.
“A mensagem do livro é que tudo é possível na vida. Você tem que ter força de vontade, disciplina e botar a autoestima para cima. Nunca é tarde para começar. Temos que derrotar os pensamentos ruins”, afirmou.
No livro, Eduardo conta a difícil descoberta do diagnóstico, em 1991, que o levou a passar cerca de cinco meses internado, enfrentando cirurgias e sessões de quimioterapia. Segundo os médicos que o acompanhavam na época, as chances de recuperação eram pequenas.
Antes de chegar ao triatlo, ele precisou reconstruir a própria relação com o corpo. Depois de abandonar o esporte ainda na juventude, durante os anos de trabalho, voltou ao basquete, porém enfrentou lesões e perda de massa muscular.
“O alerta médico foi direto: ou fortalecia a musculatura ou poderia precisar de cirurgia”, lembra. Eduardo passou a fazer pilates e natação e, depois, entrou em uma equipe de corrida.
Em 2021, aos 67 anos, acompanhou o filho em uma prova de triatlo e, desde então, não parou mais. Atualmente a rotina de treinos diária é intercalada entre corrida, bicicleta e natação, reservando dias para descanso.
“O importante é começar e você se planejar para dar continuidade, além de ter persistência. Tudo isso vai te levar ao resultado final. Mas não adianta sair dando cabeçada: 'ah, vou fazer e tal'. Como é que você vai fazer? Aí chega dali a um mês e desiste porque ficou decepcionado com alguma coisa .”
Lições da engenharia para os treinos
No livro “Você é um Atleta – Histórias Reais de Superação e Vitórias”, Eduardo Calhau conta como levou para o esporte uma habilidade que desenvolveu ao longo da carreira: o planejamento. Ele mostra como conceitos da engenharia podem ajudar na preparação para provas e também na organização da rotina de treinos.
“Na engenharia a gente planeja muito. Então, eu faço essa associação do planejamento com a rotina de treinos. É importante escolher, por exemplo, uma atividade ou esporte que mais goste, e se dedicar”.
De acordo com ele, é preciso definir os dias de maior intensidade e os momentos de descanso para evitar sobrecarga. Para quem passou pelo câncer, retomar hábitos saudáveis também pode fazer parte da reconstrução da rotina.
A oncologista Juliana Alvarenga, da São Bernardo Samp, destaca que a atividade física e a alimentação equilibrada são importantes tanto durante quanto depois do tratamento.
“Do mesmo jeito que eu estou prescrevendo o remédio, eu preciso prescrever atividade física para os pacientes, porque isso é extremamente importante. É um dos pilares do tratamento do paciente com câncer”, afirma.
Segundo Juliana, o exercício ajuda a preservar a força e a massa muscular, além de melhorar o condicionamento cardiovascular, o humor e a qualidade do sono. Com isso, pode contribuir para que o paciente tenha uma melhor tolerância ao tratamento.
Para quem decide praticar esportes de alta intensidade, a idade não é, por si só, uma contraindicação. Segundo o ortopedista Dhyego Bonelle de Sousa, o mais importante é avaliar as condições de saúde e adaptar a atividade a cada pessoa.
“O paciente, quando faz atividade física, consegue se manter ativo fisicamente e mentalmente. Isso vai dar uma condição de envelhecer com qualidade melhor de saúde”.
No triatlo, que reúne natação, ciclismo e corrida, o cuidado deve ser maior por envolver diferentes modalidades e alta intensidade. Antes de começar, o atleta deve manter exames cardiovasculares e ortopédicos em dia e contar com acompanhamento profissional.
Saiba Mais
“Você é um Atleta – Histórias Reais de Superação e Vitórias”
O quê: O livro reúne relatos da trajetória do engenheiro Eduardo Calhau desde a superação do câncer até a descoberta do triathlon e as experiências em competições no Brasil e no exterior.
Lançamento: Terça-feira (15), às 18 horas, no restaurante Tero Brasa e Vinho, na Praia do Canto.
Dicas para praticar esporte
Prepare-se antes de começar
A idade não impede a prática esportiva, mas exige cuidados maiores. Antes de iniciar atividades de alta intensidade, é importante manter exames cardiovasculares e ortopédicos em dia e ter acompanhamento.
Comece aos poucos
No caso de modalidades como o triathlon, que reúne natação, bicicleta e corrida, o treino deve ser gradual, com aumento de intensidade conforme a resposta do corpo. Para atletas mais velhos, esse acompanhamento deve ser mais próximo.
Engenharia nos treinos
No livro, Eduardo mostra como conhecimentos da engenharia, adquiridos ao longo da vida, podem ser aplicados ao esporte. Entre os exemplos, está o planejamento da rotina de treinos, com definição dos dias de maior intensidade e de descanso.
Ele também relaciona a engenharia à logística das provas, mostrando como organizar equipamentos e etapas para tornar a transição entre natação, bicicleta e corrida mais eficiente.
Atividade física após o câncer
A oncologista Juliana Alvarenga destaca que exercícios e alimentação saudável podem fazer parte do tratamento e da rotina após a recuperação. A atividade física ajuda a preservar massa muscular, melhorar o condicionamento, o humor e o sono, e pode contribuir para uma melhor tolerância ao tratamento.
Diagnóstico precoce
Quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as chances de cura e menores podem ser a agressividade e a complexidade dos tratamentos. Exames de rastreamento são importantes para a descoberta precoce de tumores.
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