Operação da PCPE mira fraude de R$ 2 milhões em empresa de transportes
PCPE apura fraude tributária cometida por contador que teria desviado mais de R$ 2 milhões de empresa de transportes em Pernambuco
A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (10), a Operação de Repressão Qualificada Pay Back para desarticular um esquema envolvendo sonegação fiscal, estelionato e lavagem de dinheiro.
A ação é coordenada pela Delegacia de Crimes contra a Ordem Tributária (DECCOT/DRACCO), unidade vinculada ao Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Pernambuco (CIRA-PE), formado pela Secretaria de Defesa Social (SDS), Secretaria da Fazenda de Pernambuco (SEFAZ-PE), Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e Procuradoria Geral do Estado (PGE-PE).
Mandados, alvos e apreensão de arma
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão domiciliar, além de ordens judiciais de sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros. As medidas tiveram como alvos quatro pessoas físicas e quatro empresas, entre elas dois ferros-velhos, uma empresa de venda de veículos e consultoria.
Durante o cumprimento das ordens, uma arma de fogo foi apreendida e o responsável pelo armamento foi autuado em flagrante. Dois simulacros também foram apreendidos pelas equipes.
Como funcionava o esquema liderado por contador
As investigações tiveram início em junho de 2025, a partir da identificação de um esquema fraudulento praticado por um contador. Segundo a apuração, o investigado, valendo-se da confiança dos clientes e do acesso ao certificado digital das empresas, simulava o pagamento de tributos e apresentava comprovantes falsificados aos proprietários. Os valores, no entanto, não eram efetivamente recolhidos aos cofres públicos.
A fraude teria sido praticada por cerca de dois anos contra uma empresa do setor de transportes, gerando um prejuízo superior a R$ 2 milhões. De acordo com a investigação, os recursos eram utilizados em outros negócios, como compra e venda de veículos e empresas do ramo de sucata.
“Ele se aproveitava da confiança que tinha como contador para, mensalmente, apresentar comprovantes falsificados e dizer que havia feito os pagamentos dos tributos. Só que esses valores não eram recolhidos. Ao longo de aproximadamente dois anos, ele foi sangrando a empresa e acumulou um prejuízo de mais de R$ 2 milhões. A partir da investigação financeira, identificamos que, paralelamente, ele começou a utilizar esse dinheiro em outros negócios, como compra e venda de veículos e empresas do ramo de sucata”, explicou o delegado Breno Varejão, titular da DECCOT.
Rede empresarial e histórico de sonegação
Ainda de acordo com o delegado, a investigação financeira revelou que os recursos obtidos com a fraude eram movimentados por meio de uma rede empresarial e utilizados em diferentes atividades econômicas, com o objetivo de ocultar sua origem. Parte dos investigados já havia sido alvo de apurações anteriores relacionadas à sonegação fiscal e à receptação de materiais, especialmente cobre e outros metais.
“O setor de sucata já é tradicionalmente acompanhado pelo CIRA em razão de ocorrências de sonegação fiscal e também porque pode ser utilizado para lavagem de dinheiro. O cruzamento das informações financeiras dessa investigação com dados já existentes permitiu identificar a conexão entre os investigados e outras empresas”, acrescentou Varejão.
Empresas de fachada e objetivo do bloqueio de bens
As diligências apontaram ainda que o grupo investigado mantinha empresas em nome de interpostas pessoas, inclusive integrantes do mesmo núcleo familiar, e utilizava negócios com expressivos passivos fiscais para movimentar e ocultar recursos. As transações identificadas pelos investigadores eram sucessivas, atípicas e sem justificativa econômica aparente.
As medidas de bloqueio e sequestro de bens têm como objetivo preservar o patrimônio para eventual ressarcimento das vítimas e recuperação de valores devidos ao Estado.
Prejuízo estimado de R$ 287 milhões e continuidade das ações
A operação foi realizada no âmbito do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA), com assessoramento da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (DINTEL/PCPE) e apoio operacional da Diretoria de Operações Estratégicas da SEFAZ-PE.
Segundo o coordenador do CIRA, João Maria Rodrigues, o grupo investigado possui uma atuação empresarial mais ampla e já teria causado um prejuízo expressivo aos cofres públicos.
“Essa deflagração é de extrema importância porque atinge um grupo que já vem sendo investigado pelo CIRA há bastante tempo. Estamos falando de aproximadamente R$ 287 milhões em sonegação fiscal, relacionados a um grupo de cerca de 38 empresas e 81 processos administrativos tributários. O objetivo, agora, é avançar ainda mais na recuperação desses recursos e alcançar valores que vão além daqueles determinados judicialmente nesta primeira etapa”, afirmou.
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