Organizações brasileiras enfrentam mais de 4 mil ataques cibernéticos por semana
Relatório da Check Point Research mostra avanço de 44% nos ataques cibernéticos ao Brasil e alerta para risco com uso corporativo de IA generativa.
A aceleração da transformação digital no ambiente corporativo e nas instituições públicas trouxe ganhos de produtividade, mas também ampliou a superfície exposta a ataques cibernéticos -- e a necessidade de proteção. Em junho, as organizações brasileiras registraram, em média, mais de 4 mil ataques por semana, enquanto o setor de educação permaneceu como o principal alvo dos criminosos digitais no mundo.
Os dados fazem parte do relatório de inteligência de ameaças da Check Point Research, divisão de pesquisa da Check Point Software. O levantamento revelou que, em junho, as organizações brasileiras enfrentaram uma média de 4.001 ataques cibernéticos por semana — alta de 44% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O volume ficou significativamente acima da média global, de 2 270 ataques semanais por organização. O resultado mostra que as empresas e instituições brasileiras estão submetidas a uma atividade cibernética mais intensa do que a observada no cenário mundial.
Globalmente, depois da educação, os setores mais atacados foram governo, com 2.836 ataques semanais e alta anual de 5%, e telecomunicações, com 2.835 ataques e crescimento de 13%. Juntos, os três segmentos continuam concentrando uma parcela desproporcional do volume mundial de ataques.
"O avanço observado em junho reflete uma retomada ampla da atividade cibernética, e não um pico isolado de ataques", afirma Omer Dembinsky, gerente de Pesquisa de Dados da Check Point Research. "Os cibercriminosos estão ampliando seu alcance entre regiões e setores, enquanto os grupos de ransomware continuam se reorganizando e aumentando sua escala de atuação", acrescenta.
Educação lidera ataques no mundo; América Latina é a região mais atingida
Globalmente, o segmento de educação e pesquisa manteve a liderança isolada entre os setores mais atacados, com uma média de 4.816 ataques cibernéticos semanais por organização, aumento de 16% em relação a junho de 2025.
Segundo o levantamento, redes abertas, alta rotatividade de dispositivos e recursos limitados para segurança tornam escolas e universidades alvos atrativos para os criminosos. A necessidade de facilitar o acesso de alunos, professores e pesquisadores amplia a quantidade de equipamentos conectados e os pontos que precisam ser protegidos.
Em outro recorte do estudo, a América Latina permaneceu como a região mais atingida do mundo, com uma média de 3.501 ataques semanais por organização e alta anual de 27%. A região ficou à frente da Ásia-Pacífico, com 3.060 ataques, e da África, com 3 008.
Governo lidera ataques no Brasil
No recorte nacional, o comportamento da criminalidade digital apresentou características diferentes do panorama global. Enquanto a educação liderou entre os setores mais atingidos no mundo, o governo permaneceu como o principal alvo no Brasil.
Na sequência apareceram os segmentos de bens e serviços de consumo e de energia e serviços públicos, este último considerado parte da infraestrutura crítica do País.
Uso corporativo de IA amplia a exposição de dados
O uso de ferramentas de inteligência artificial generativa também representa uma fonte relevante de exposição para as empresas em todo o mundo, segundo o relatório. Um em cada 26 prompts enviados a essas plataformas a partir de redes corporativas apresentou alto risco de vazamento de informações sensíveis, o equivalente a uma taxa global de 3,9%.
O problema não está relacionado ao uso de IA pelos cibercriminosos nem a falhas dos próprios modelos, mas ao conteúdo inserido pelos usuários. Registros de clientes, documentos internos, informações sobre infraestrutura, dados financeiros, materiais jurídicos e informações de recursos humanos podem ser compartilhados em ferramentas públicas ou sem gerenciamento adequado.
Atividades de alto risco foram identificadas em 85% das organizações que utilizam regularmente ferramentas de IA generativa. Além disso, 27% dos prompts continham informações potencialmente sensíveis.
O levantamento também mostra que, em junho, cada organização utilizou, em média, sete ferramentas diferentes de IA generativa, enquanto cada usuário produziu 78 prompts. Os números indicam que essas aplicações passaram a integrar a rotina de trabalho mais rapidamente do que as políticas de proteção de dados, o treinamento dos usuários e os controles técnicos conseguem acompanhar.
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