Pediatras alertam para riscos no uso de caneta para emagrecer por crianças
Pediatras dizem que os medicamentos para emagrecer têm risco de causar déficit de crescimento e até pancreatite aguda
Com 7 milhões de crianças e adolescentes (entre 5 e 19 anos) vivendo com obesidade no Brasil, segundo Atlas Mundial da Obesidade 2026, médicos têm observado um aumento desse público fazendo uso das canetas antiobesidade, conhecidas como “canetas emagrecedoras”.
Mas o uso sem direcionamento e acompanhamento médico levou a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) a lançar uma nota de alerta sobre o uso dessas medicações. No documento, a sociedade destaca diversos riscos, entre eles o déficit de crescimento e desenvolvimento.
Há ainda risco de desidratação e distúrbios eletrolíticos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula.
“O uso com finalidade estética também pode servir de gatilho para transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e quadros depressivos relacionados à imagem corporal”, alerta o documento.
O presidente do Departamento Científico de Endocrinologia da SBP, Crésio Alves, ressalta que crianças e adolescentes são bastante suscetíveis à pressão estética, uma vez que estão em processo de desenvolvimento de sua identidade, autoestima e comportamento.
A endocrinologista pediátrica Adriane Cardoso Demartini, do Departamento de Endocrinologia da SBP, explica que as canetas à base de liraglutida e semaglutida são indicadas para tratamento de obesidade em crianças a partir dos 12 anos.
“Há indicação, mas, como a própria bula do medicamento diz, esse processo deve ser acompanhado por mudança no estilo de vida, com dieta saudável, adequação do sono, atividade física e redução do tempo de tela”.
O pediatra Lincoln Rohr, da Rede Meridional, alerta ainda que não é possível saber se o uso das canetas na infância pode ter algum comprometimento durante a puberdade, além do perigo que pode haver no uso das medicações não liberadas pela Anvisa, vindas de outros países ou manipuladas.
As canetas de tirzepatida e liraglutida são indicadas para o tratamento do diabetes tipo 2 em crianças com 10 anos ou mais. Lincoln, porém, alerta que a doença está associada à obesidade.
“Temos visto um aumento crescente de diabetes tipo 2 que, muitas vezes, em crianças e adolescentes conseguimos tratar com dieta e atividade física e, eventualmente, com medicação”.
Fique por dentro
Canetas indicadas para crianças e adolescentes
- No Brasil, até este mês, três moléculas tinham sido aprovadas pela Anvisa para uso na faixa etária pediátrica:
- Liraglutida (agonista do GLP-1): Administrada por injeções subcutâneas diárias para o tratamento do diabetes tipo 2 em crianças com 10 anos ou mais e o tratamento da obesidade em adolescentes com 12 ou mais anos e peso superior a 60 kg.
- Semaglutida (agonista do GLP-1): Administrada por injeções subcutâneas semanais para o tratamento da obesidade em adolescentes com 12 anos ou mais e mais de 60 kg.
- Tirzepatida (agonista duplo do GLP-1 e GIP): Administrada por injeções subcutâneas semanais para o tratamento do diabetes tipo 2 em criança com 10 anos ou mais como monoterapia quando há intolerância ou contraindicação à metformina; ou como terapia combinada quando o controle glicêmico em uso da metformina é inadequado.
Riscos
- Entre os riscos do uso sem acompanhamento médico, a Sociedade Brasileira de Pediatria aponta déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação e distúrbios eletrolíticos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula.
- O uso com finalidade estética também pode servir de gatilho para transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e quadros depressivos relacionados à imagem corporal.
- A SBP contraindica a utilização de produtos sem procedência ou registro sanitário, incluindo preparações clandestinas.
Efeitos
- Entre os mais comuns estão náuseas, vômitos, refluxo, azia, diarreia, constipação e perda de massa magra. Entre os eventos graves: pancreatite, hipoglicemia e colelitíase.
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