As transformações da Grande Vitória nas lentes de um mestre na fotografia
Paulo Bonino reúne 50 fotografias com registros da Grande Vitória entre 1960 e 2000 na mostra “Lampejos Sedutores”
Com 50 fotografias que reúnem registros da Grande Vitória entre 1960 e 2000, a exposição “Lampejos Sedutores” já está aberta para visitação gratuita, trazendo registros de Paulo Bonino, de 98 anos, reconhecido nacional e internacionalmente como o “fotógrafo dos beija-flores”.
A mostra recebe visitas no Centro Interpretativo Aldeia de Reis Magos, em Nova Almeida, na Serra, que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A estrutura remonta à colonização dos jesuítas na região, além de contar com recursos interativos modernos e peças históricas.
Aos 98 anos, Paulo Bonino é um dos mais experientes fotógrafos em atividade no Espírito Santo, cuja trajetória é marcada por fotografias aéreas, científicas e artísticas.
Registros de duas dessas fases são disponibilizadas na exposição em um curta-metragem, por meio apresentação em retroprojetor.
“Tudo foi feito com muito carinho, escolhi as fotos, junto com a curadoria, com muito cuidado. Espero que as pessoas visitem e gostem. É um prazer imenso chegar a quase 99 anos com o privilégio de ver minhas fotografias sendo prestigiadas”, declarou o fotógrafo.
Em 1984, Bonino, que é natural de Santa Teresa, ganhou projeção internacional quando suas fotografias de beija-flores foram publicadas na capa de uma reportagem da revista National Geographic, intitulada “Beija-flores - Uma lição de equilíbrio”.
Paulo também documentou, por meio de fotografias aéreas, as transformações urbanas de Vitória, Vila Velha e Guarapari, e já recebeu mais de 40 premiações nacionais e internacionais.
Érika Kunkel Varejão, presidente do Instituto Modus Vivendi, responsável pela gestão do Centro Interpretativo Aldeia de Reis Magos, afirma que receber a exposição é motivo para celebração.
“Sentimos grande satisfação em trazer o trabalho de um artista capixaba de renome, como o Paulo Bonino, para cá. A exposição mostra também parte da história da fotografia do Espírito Santo, por isso essa mostra é tão especial para os capixabas”, afirmou.
Joubert Jantorno, superintendente do Iphan no Espírito Santo, participou da solenidade de abertura da exposição e destacou a importância de receber a exposição artística em um patrimônio histórico.
“Ter uma galeria para receber uma mostra fotográfica com registros históricos valoriza o patrimônio tombado e estabelece relações com a cultura moderna e a arte contemporânea”, ressaltou.
“O segredo é ter equilíbrio, se afastar daquilo que te faz mal”
A Tribuna — Como foram os seus primeiros passos no mundo da fotografia?
Paulo Bonino — Eu já fotografava para eventos. Meu irmão estava fazendo curso de piloto no Aeroclube do Espírito Santo e ficava muito solitário. Naquela época não tinha GPS, então você tinha que decolar e pousar no mesmo lugar. Eu disse a ele que se ele sobrevoasse a cidade de Vitória, o acompanhava. Ele topou, e comecei a fazer as fotografias aéreas. Foi um estouro, fazia muitas fotos de terrenos demarcados para construções. Fotografei quase Guarapari toda, isso já com outro piloto.
E por que você começou a fotografar beija-flores?
Eu era amigo do Augusto Ruschi, ele também era de Santa Teresa, nossas famílias se conheciam. Certo dia, nos anos 1970, ele me chamou para observar um fotógrafo biólogo da National Geographic registrando os beija-flores. Mas ele tinha um flash super-rápido feito sob medida para a câmera dele. Aprendi a técnica e, quando pude, comprei uma câmera melhor e flashes adequados. As fotos não ficaram iguais as do outro fotógrafo, mas rodaram o mundo.
Qual é o segredo para o sucesso na carreira de fotógrafo e para ter longevidade?
Primeiro, você deve amar o que faz, ter amor pelas coisas que o cercam. Eu estava sempre com os olhos ligados, atento a qualquer detalhe que pudesse render uma boa foto. E para a longevidade, o segredo é ter equilíbrio, se afastar daquilo que te faz mal. Eu, por exemplo, fumei por 42 anos e parei porque enxerguei o vício que me prendia. Por fim, é necessário ter força de vontade para viver bem e também para trabalhar com qualidade.
Algumas fotografias
Serviço
Mostra inédita em Nova Almeida
“Lampejos Sedutores”
A exposição está aberta para visitação gratuita, e para todas as idades, até o dia 31 de outubro, no Centro Interpretativo Aldeia de Reis Magos (Igreja Reis Magos, Nova Almeida, Serra).
O espaço fica aberto de terça a domingo, das 9h30 às 17h30, e conta com cafeteria e loja de artesanato.
Grupos acima de 10 pessoas precisam marcar agendamento com guia de turismo, pelo WhatsApp (27) 99531-8281.
Aldeia de Reis Magos
Inaugurado em 2024, o Centro Interpretativo Aldeia de Reis Magos foi revitalizado e ocupa antiga residência jesuítica do complexo histórico de Nova Almeida, construído entre os séculos XVI e XVII.
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