Sensores de glicose começam a ser distribuídos a crianças no ES em dezembro
Aparelhos que medem a glicemia em tempo real sem furar o dedo serão entregues a pacientes de até 12 anos a partir de 18 de dezembro
A dificuldade para que crianças com diabetes mellitus tipo 1 (DM1) tenham acesso ao sensor de glicose tem dia para acabar. A partir de 18 de dezembro, os dispositivos de monitoramento contínuo estarão disponíveis de graça em unidades da Farmácia Cidadã Estadual.
A medida consta na lei estadual nº 12.927, sancionada no último dia 20, que dá 120 dias para que o governo do Espírito Santo se organize e garanta o fornecimento dos aparelhos para pacientes de até 12 anos.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), os estudos para definição da forma de implementação da legislação estão em andamento e serão finalizados nos próximos dias.
A pasta informou, em nota, que o trabalho envolve a elaboração do protocolo, com a definição dos critérios clínicos e assistenciais, do fluxo de acesso, da população potencialmente elegível e da tecnologia que será disponibilizada. Hoje, 594 pacientes são atendidos pelo insumo, 46 por medidas judiciais e 548 por via administrativa.
Os sensores são considerados facilitadores no tratamento do diabetes para esses pacientes, já que os dispositivos são adesivados nos braços, duram 14 dias e conseguem realizar a medição da glicose quase em tempo real sem a necessidade de furar o dedo.
“Facilita muito, pois não precisa ficar furando a criança. O fato de furar pontinha de dedo gera baixa adesão ao monitoramento. Consequentemente, o controle de glicemia fica mais prejudicado”, explica a pediatra Flávia Tavares.
A endocrinopediatra Cíntia Moreira ressalta que o monitoramento contínuo ajuda na prevenção de complicações e situações de emergência geradas pela alta ou baixa glicemia. “Muitas vezes crianças pequenas fazem hipoglicemia e não falam que estão com fome ou tonteira, que são sintomas. Com o aparelho checando, fica mais fácil, pois ele emite alertas”, afirma.
Desde 2024, Vitória oferece a pacientes de 4 a 12 anos o acesso gratuito aos dispositivos. Segundo Patrícia Vedova, subsecretária de Saúde do município, a solicitação deve seguir requisitos como laudo médico, cadastro no SUS e na Rede Bem-Estar, estudar na rede pública e possuir indicação para usar o aparelho.
“Observamos mudanças importantes, como o monitoramento noturno por parte da família e o cuidado na escola”, destaca.
Custo de 660 reais por mês
O acesso gratuito aos sensores de glicose pode representar uma enorme mudança na rotina da família do microempresário Anderson Possati. Ele é pai de Lorenzo, de 11 anos, com o diabetes tipo 1.
“É uma rotina difícil, principalmente porque ele tem que furar os dedos várias vezes ao dia, e ele reclama que dói muito. Quando alguém vai cumprimentar, ele já recua as mãos porque os dedos doem. Sem o sensor, nunca temos a segurança de quando ele está com uma hiperglicemia ou hipoglicemia. Tem que vigiar o tempo todo”, diz.
A família chegou a dar entrada no processo para obter o dispositivo na Farmácia Cidadã, mas não conseguiu após uma espera de 180 dias. Com a nova lei, ele espera uma melhora na qualidade de vida do filho e nos custos, que chegam a R$ 660 por mês na compra de dois sensores.
“Imagina você ter que furar seus dedos pelo menos de 4 a 8 vezes ao dia, todos os dias. Já basta a quantidade de vezes em que precisa se furar para aplicar as insulinas. Ajudaria muito nossa rotina em relação às madrugadas, um controle maior no número de aferições mais vezes ao dia, nos locais fora de casa sem os olhares curiosos ou constrangedores, inclusive na escola.”
O que elas dizem
Acompanhamento
“O monitoramento contínuo possibilita um acompanhamento quase que em tempo real. Para crianças pequenas, que frequentam creches e escolas é bastante difícil fazer o teste na ponta do dedo. O aparelho aplica em casa e dura 14 dias e facilita muito nos cuidados com as crianças dentro e fora de casa”
Alternativa
“O sensor não vem só pela tecnologia, mas para tirar a parte angustiante de as crianças monitorarem a glicose até dez vezes ao dia. Chega a ser inconveniente, pois há a picada da medição e depois a picada da insulina já que muitas vezes as crianças fazem uso da medicação”
Saiba Mais
Facilitador no tratamento da doença
- A lei estadual nº 12.927, sancionada no último dia 20, estabelece que o governo do Estado tem 120 dias para organizar e garantir o fornecimento de dispositivos de monitoramento contínuo de glicose para pacientes de até 12 anos com o diabetes tipo 1.
- Segundo a Sesa, os estudos para definir a melhor maneira de implementação da legislação estão em andamento e devem ser finalizados nos próximos dias.
- O trabalho prevê a elaboração do protocolo, com a definição dos critérios clínicos e assistenciais, do fluxo de acesso, da população potencialmente elegível e da tecnologia que será disponibilizada.
- Atualmente, 594 pacientes são atendidos pelo insumo, sendo 46 por medidas judiciais e 548 por via administrativa.
- Os dispositivos de monitoramento contínuo são apontados por especialistas como um facilitador no tratamento do diabetes, principalmente em crianças. Os aparelhos são adesivados nos braços, duram 14 dias e conseguem realizar a medição da glicose quase em tempo real.
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