Médicos explicam doença que atingiu Alex Escobar
Alex Escobar foi diagnosticado com condição autoimune que causa fraqueza muscular e afeta a fala e a respiração
Após passar mal durante a transmissão dos jogos da Copa do Mundo, o apresentador Alex Escobar foi diagnosticado com miastenia gravis, doença autoimune que afeta atividades cotidianas, como falar, enxergar, movimentar braços e pernas, manter os olhos abertos, respirar, mastigar e engolir.
Segundo Victor Saadeh, neurologista da MedSênior, o que acontece é que o sistema imunológico acaba produzindo anticorpos que interferem na comunicação entre os nervos e os músculos.
“Por isso, uma das características mais marcantes do problema é uma fraqueza que pode variar ao longo do dia e geralmente piora com a atividade e melhora com o repouso”, explica Victor.
No caso de Alex Escobar, em junho, durante a cobertura da Copa do Mundo, um episódio de mal-estar fez com que ele se afastasse para investigar a causa do ocorrido.
Na situação do apresentador, a doença foi identificada durante uma investigação de uma lesão no timo, glândula localizada no tórax e relacionada ao sistema imunológico. Ele foi submetido a uma cirurgia para retirada do órgão, após os médicos identificarem um tumor de aparência benigna. O apresentador retornou recentemente às suas atividades profissionais.
Daniel Escobar, neurologista do Hospital Vitória Apart, explica que, hoje em dia, já há evidências científicas que relacionam a retirada do timo a uma redução significativa na progressão da doença.
“A ciência mostra que, em pacientes que retiram esse órgão, o curso da doença melhora significativamente, tornando-se muitas vezes mais brando. Não significa que aquele timo é um tumor maligno. Na maioria das vezes, é uma condição benigna”, afirma.
Tratamento
A miastenia gravis ainda não tem cura, porém os tratamentos disponíveis podem ajudar a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
“Temos medicamentos que melhoram a comunicação entre o nervo e o músculo e tratamentos que atuam no sistema imunológico, como imunossupressores”, explica a neurologista Mariana Grenfell.
O paciente também deve fazer acompanhamento regular com um médico especialista.
Você sabia?
Cerca de 50% das pessoas com miastenia podem não conseguir identificar o fator desencadeante. Como o grau de fraqueza muscular pode variar entre os pacientes, pode ser difícil diagnosticar a doença em quem apresentar fraqueza leve ou que se restringe a apenas alguns músculos.
Fique por dentro
O que é a miastenia gravis?
Doença neurológica autoimune que afeta a comunicação entre os nervos e os músculos, chamada junção neuromuscular. O sistema imunológico produz anticorpos que prejudicam essa comunicação e provocam fraqueza muscular.
O que acontece no organismo?
A transmissão dos impulsos nervosos para os músculos fica prejudicada. Com isso, os músculos podem perder força durante atividades repetitivas ou ao longo do dia.
Principais sintomas
Queda de uma ou das duas pálpebras, visão dupla, fadiga, fraqueza nos braços e nas pernas, além de dificuldade para andar, levantar os braços, pentear o cabelo, falar, mastigar ou engolir.
Manifestação
A fraqueza costuma piorar com a atividade e ao longo do dia e melhorar após o repouso.
O paciente pode acordar se sentindo bem e perceber aumento do cansaço com o passar das horas.
Diagnóstico
A investigação começa com a avaliação dos sintomas e o exame neurológico.
O médico pode solicitar exames de sangue para identificar anticorpos e neurofisiológicos para avaliar a comunicação entre nervos e músculos.
Cura
É uma doença crônica, ou seja, não tem cura definitiva. O tratamento busca controlar os sintomas e reduzir as manifestações da doença.
Muitos pacientes conseguem manter uma boa qualidade de vida com acompanhamento adequado.
Tratamento
É individualizado e pode incluir medicamentos que melhoram a comunicação entre nervos e músculos e fármacos que atuam sobre o sistema imunológico, como imunossupressores. Também existem terapias mais específicas para determinados pacientes.
Quem procurar?
Neurologista, preferencialmente com experiência em doenças neuromusculares.
O que fazer após o diagnóstico?
Manter acompanhamento regular com neurologista, evitar automedicação e informar outros profissionais de saúde sobre a doença antes de procedimentos, cirurgias ou uso de medicamentos.
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