Famílias de desaparecidos podem fazer teste de DNA gratuito no ES; saiba como
Material é inserido em bancos de perfis genéticos e comparado com amostras de pessoas vivas ou mortas sem identificação
Familiares de pessoas desaparecidas podem ajudar a ampliar as chances de identificação dos entes queridos por meio de uma coleta simples e gratuita de DNA. Até a próxima sexta-feira (28), a Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES) e a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) ampliam a mobilização sobre o tema.
É que o Espírito Santo participa, desde 2021, da Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas. O cadastro, no entanto, pode ser feito durante todo o ano.
O material é inserido em bancos de perfis genéticos e comparado com amostras de pessoas vivas com identidade desconhecida ou com pessoas falecidas sem identificação.
Segundo a chefe do Laboratório de DNA Forense (LABDNA), perita oficial criminal Bianca Bortolini Merlo, desde 2021, quando o Espírito Santo participou pela primeira vez da campanha, 352 famílias, que somam cerca de 450 familiares, foram cadastradas.
Nesse período, o cruzamento de dados identificou 34, sendo cinco casos interestaduais.
“Não importa o tempo do desaparecimento. A coleta do material é feita apenas uma vez. Se houver compatibilidade, o cruzamento é feito no momento em que os dados são inseridos no sistema”.
Ela reforça que a coleta é gratuita. “O procedimento é feito com uma espécie de cotonete, por meio de uma raspagem na parte interna da bochecha, sem necessidade de coleta de sangue”.
Para realizar o cadastro, é necessário apresentar um documento oficial com foto e o boletim de ocorrência do desaparecimento.
“A orientação é que sejam priorizados parentes de primeiro grau da pessoa desaparecida. A família também pode apresentar objetos de uso pessoal do desaparecido, como escova de dente ou aparelho de barbear”.
O delegado Tarcísio Otoni, titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD), destaca que o DNA pode ser decisivo mesmo em casos antigos.
“O DNA diz com muita precisão que aquela pessoa encontrada, infelizmente muitas vezes em óbito, de fato faz parte daquele caso”.
O perito oficial geral da PCIES, Carlos Alberto Dal-cin, lembra que não é preciso esperar 24 horas para comunicar um desaparecimento.
“A qualquer momento que o familiar entenda que o seu ente querido está desaparecido, ele deve procurar a delegacia para dar os devidos encaminhamentos, porque o tempo é fundamental nessa busca”, destaca.
Fique por dentro
Banco de DNA no Espírito Santo
Desde 2021, ano em que o Estado passou a fazer parte da mobilização nacional para coleta de DNA, 352 famílias capixabas foram cadastradas no Banco Nacional de Perfis Genéticos. Elas somam cerca de 450 familiares que forneceram material genético.
Desde 2021, 34 identificações foram realizadas por meio do Banco de DNA.
Outras cinco foram interestaduais, ou seja, pessoas encontradas em outro estado ou famílias de outro estado que tiveram identificação por meio do cruzamento.
Atualmente, no Estado, há 550 casos cadastrados no banco sem identificação. Há também 352 famílias que continuam cadastradas em busca de seus parentes desaparecidos.
Confira os pontos de coleta espalhados pelo Espírito Santo
Laboratório de DNA forense, em Vitória: localizado na Chefatura da Polícia Civil, na Avenida Nossa Senhora da Penha, 2.290, em Santa Luíza;
Seção Regional de Medicina Legal (SML) de Cachoeiro de Itapemirim: Rodovia Gumercindo Moura Nunes, 134, no bairro Village da Luz;
Seção Regional de Medicina Legal (SML) de Linhares: Avenida Presidente Getúlio Vargas, 1.200, no Centro;
Seção Regional de Medicina Legal (SML) de Colatina: Rua Reynaldo Ferrari Primo, s/n, Bairro Lacê;
Seção Regional de Medicina Legal (SML) de Venda Nova do Imigrante: Avenida Lorenzo Zandonadi, 880, Residencial do Bosque.
Cadastro
É gratuito e pode ser realizado durante todo o ano, não apenas no período da mobilização. O indicado é que o material coletado seja de parentes de primeiro grau, principalmente pais, filhos e irmãos.
O material genético doado será comparado com perfis armazenados nos bancos estaduais e no Banco Nacional de Perfis Genéticos.
O perfil genético é cadastrado uma única vez e pode gerar identificação posteriormente.
Coleta
A coleta do material genético é gratuita e feita com raspagem da parte interna da bochecha, utilizando uma espécie de cotonete ou esponja.
Para realizar a coleta, é necessário apresentar boletim de ocorrência e também documento oficial com foto.
Desaparecidos no ES
Ano - Casos
- 2026 - 1.559 (até julho)
- 2025 - 2.566
- 2024 - 2.621
- 2023 - 2.483
- 2022 - 2.336
Desaparecidos em 2026
- 60,5% homens
- 34,3% mulheres
23,5% dos desaparecidos são adolescentes de 12 a 17 anos
Localizados em 2026
- Encontrados vivos: 262
- Encontrados mortos: 20
- Total: 282 (18,1% dos desaparecidos foram localizados)
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários