Morre Dolly Parton, rainha da música country, de hits como 'Jolene', aos 80 anos
Cantora e compositora de 'Jolene' e 'I Will Always Love You' morreu aos 80 anos, após seis décadas de carreira marcadas por prêmios e filantropia.
A cantora e compositora Dolly Parton, rainha da música country e uma das artistas mais premiadas e queridas dos Estados Unidos, morreu aos 80 anos.
Parton também foi atriz, empresária e filantropa generosa, além de ter sido uma rara unanimidade num país dividido culturalmente, celebrada como ícone feminista, da comunidade gay e também da classe trabalhadora do sul do país, onde nasceu. Colecionou 11 estatuetas do Grammy, incluindo uma pelo conjunto da obra, além de indicações ao Oscar, Emmy e Tony.
A notícia foi divulgada, nesta terça (25), por seu sobrinho, Brian Seaver, nas redes sociais. Seaver era chefe de segurança da artista, cargo que também foi do seu pai, Larry, e afirmou que a própria Parton tinha pedido a ele anteriormente que ficasse a cargo do anúncio da sua morte.
"É uma honra que se mistura com absoluto orgulho e grande tristeza. Mas a tristeza está conosco, não com Dolly. Dolly viveu na luz e está nos braços de Jesus, certamente recebida por Carl [Thomas Dean, de quem era viúva], seus pais e inúmeras outras pessoas que a observaram e ansiaram por encontrá-la nos céus."
Ainda não foram divulgados detalhes sobre a causa da morte, mas, na semana passada, a artista afirmou à People que lidava com um declínio na sua saúde desde a morte do marido, em março do ano passado. Nos últimos meses, ela também cancelou shows após problemas de saúde.
Parton, que era madrinha de Miley Cyrus, não teve filhos com Dean, com quem se casou em 1966.
Numa carreira espalhada por seis décadas, Parton dizia ter composto mais de 3.000 músicas. Entre elas, estão dezenas de hits, como "Jolene", "Coat of Many Colors", "9 to 5" e "I Will Always Love You", gravado por Whitney Houston para o filme "O Guarda-Costas", de 1992.
"No final das contas, espero ser lembrada como uma boa compositora", escreve Parton no seu livro "Songteller: My Life in Lyrics", publicado pela editora Chronicle Books, em 2020. "As músicas são meu legado."
Parton transcendeu o country e conquistou fãs de diversos estilos e gerações, entre eles famosos como Johnny Cash, Elton John, Cher, Taylor Swift e Beyoncé, que fez uma releitura de "Jolene" em seu álbum "Cowboy Carter", de 2024.
"Dolly é uma força de evolução e transformação em nossa indústria, mas ela faz isso com uma leveza tão divertida que quase parece sem esforço", disse Swift numa entrevista à The Hollywood Reporter há três anos.
"Seu senso de humor e jeito brincalhão são facilmente minhas coisas favoritas nela, porque força o mundo a aceitar que uma mulher pode ser uma artista e escritora séria que também se diverte absurdamente com isso."
Conhecida pelos figurinos exuberantes, Parton tinha um humor autodepreciativo e brincava que era "preciso muito dinheiro para parecer assim cafona." Também falava com sinceridade de seus tratamentos estéticos, cunhando a frase: "Se eu vejo algo caindo, balançando ou arrastando, mando dar uma ajeitada, puxada ou sugada."
Parte de uma geração permeada pelo machismo, ela não perdia o rebolado quando falavam de suas curvas acentuadas, em especial os seios. Disse num programa de televisão que, quando resolveu queimar seu sutiã, os bombeiros levaram três dias para apagar as chamas.
Curiosamente, a ovelha replicante Dolly, concebida em 1997 a partir de glândulas mamárias, foi batizada em homenagem à cantora porque, segundo o biólogo Ian Wilmut, "é difícil imaginar glândulas mamárias tão impressionantes como as de Parton".
Nascida nas montanhas do Tennessee, região sudeste dos Estados Unidos, Parton nunca esqueceu suas origens e realizou diversos projetos no estado. Ela contava que havia nascido na pobreza, numa cabana pequena às margens de um rio que dividia com os pais e 11 irmãos.
Parton começou a cantar ainda criança, na igreja pentecostal do avô, no Tennessee. Aos 13 anos, gravou sua primeira canção e apareceu no influente programa de rádio Grand Ole Opry, sendo apresentada por Johnny Cash. Décadas mais tarde, ela revelaria ter sido ele seu primeiro "crush".
Após terminar o colégio, em 1964, mudou-se para Nashville, considerada a capital da música country, onde se firmou como compositora.
A fama como cantora veio em 1967 com a parceria com o cantor country Porter Wagoner, que a convidou para fazer parte de seu programa de TV. Os dois também gravaram uma série de duetos populares, como "The Last Thing on My Mind" e "Please Don't Stop Loving Me".
O fim da parceria profissional inspirou Parton a escrever "I Will Always Love You", de 1974, seu maior sucesso comercial e internacional ao ser gravado por Houston nos anos 1990.
Depois da separação de Wagoner, veio seu primeiro álbum a vender mais de 1 milhão de cópias, "Here You Come Again", de 1977. O disco foi uma tentativa de fazer um country mais pop e levou Parton ao topo das paradas country.
Os anos 1980 trouxeram mais conquistas. Parton lançou o disco "Trio", em parceria com Emmylou Harris e Linda Ronstadt, e escreveu a canção "9 to 5", do filme "Como Eliminar Seu Chefe", de 1980, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Ela estrelou o filme ao lado de Jane Fonda.
Após a fama em Hollywood, voltou ao condado onde nasceu para lançar o parque temático Dollywood, em 1986. Hoje, o local é parte de um complexo turístico e a maior atração paga do estado, com 3 milhões de visitantes por ano.
Foi também no Tennessee que ela iniciou seu projeto filantrópico mais famoso, o Imagination Library, que deu mais de 200 milhões de livros gratuitos a crianças dos Estados Unidos e outros países. O projeto, inspirado pelo analfabetismo do pai, lhe rendeu o apelido de "moça dos livros", do qual o pai tinha mais orgulho do que de sua carreira musical.
Entre outras ações filantrópicas, doou US$ 1 milhão para pesquisas de vacina contra a Covid-19 em 2020 e levantou mais de US$ 9 milhões para famílias vítimas de incêndios florestais na região do Tennessee conhecida como Great Smoky Mountains, em 2016.
Nas últimas décadas, Parton conquistou novas gerações de fãs com uma presença marcante nas redes sociais, impulsionada pelo ativismo solidário e filmes na Netflix. O streaming lançou o documentário "Here I Am", o seriado "Dolly Parton's Heartstrings", sobre as histórias e inspirações por trás de suas canções, e um especial de Natal que ganhou um Emmy em 2021.
Entre inúmeros prêmios e celebrações, foi incluída no Hall da Fama do Rock and Roll em 2022, um convite que inicialmente rejeitou. No ano seguinte, lançou seu primeiro álbum de rock, "Rockstar", com colaborações de Paul McCartney, Sting, Elton John, Artimus Pyle, Sheryl Crow, Pink e Miley Cyrus.
Em junho de 2024, anunciou um musical autobiográfico chamado "Hello, I’m Dolly", escrito por ela e Maria S. Schlatter. A produção foi apresentada em setembro do ano passado, em Nashville, e estava prevista para chegar à Broadway no final deste ano.
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