Jovens são presas suspeitas de aplicar golpe do falso emprego no ES e em Goiás
Duas jovens de 19 e 22 anos foram presas após atraírem candidatos com falsas vagas de emprego e financiarem veículos em nome das vítimas.
Duas mulheres, de 19 e 22 anos, foram presas suspeitas de integrar uma quadrilha especializada no chamado “golpe do falso emprego” no Espírito Santo. De acordo com a investigação da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), as investigadas se aproveitavam de pessoas em busca de trabalho para obter informações pessoais e dados biométricos e realizar financiamentos e empréstimos em nome das vítimas.
Uma das vítimas teve um prejuízo de R$ 247 mil, após um veículo da marca BMW ser financiado fraudulentamente no nome dela.
As jovens foram presas em Goiânia, no Estado de Goiás, entre os dias 21 e 22 de agosto. Segundo a PCES, a prisão foi possível graças à cooperação entre as forças de segurança, após as investigações terem sido iniciadas no Espírito Santo e avançado em território goiano.
Como funcionava o golpe do falso emprego
A investigação revelou que a quadrilha atraía as vítimas para empresas de fachada por meio de anúncios de falsas vagas de emprego nas redes sociais. As oportunidades divulgadas eram, em sua maioria, para cargos de motorista e entregador.
Atraídas pela possibilidade de contratação, as vítimas eram direcionadas a essas empresas de fachada utilizadas pela quadrilha, onde eram convencidas pelas suspeitas a realizar um suposto “cadastro admissional” ou uma “verificação de segurança”.
Com a autorização das vítimas, as investigadas fotografavam o rosto dos candidatos com um aparelho celular, obtendo dados de biometria facial. Posteriormente, as vítimas descobriam que seus dados pessoais e a biometria facial haviam sido utilizados, sem consentimento, para a contratação fraudulenta de financiamentos de veículos de alto valor junto a instituições financeiras.
Em um dos casos investigados no Espírito Santo, uma vítima de Serra teve um veículo da marca BMW financiado fraudulentamente em seu nome, gerando uma dívida contratual de R$ 247 mil.
"A partir do trabalho de inteligência realizado pela PCES, conseguimos identificar o modo de atuação da associação criminosa e compartilhar essas informações com as forças de segurança de Goiás, o que contribuiu para a localização e prisão das investigadas”
Foi o que explicou o delegado Jonathan Lana, adjunto da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa).
Vítimas identificadas e continuidade das investigações
Até o momento, as investigações identificaram pelo menos cinco vítimas, sendo três no Espírito Santo e duas em Goiás. A PCES, no entanto, acredita que outras pessoas possam ter sido alvo do grupo.
A orientação é para que eventuais vítimas procurem as autoridades policiais para registrar a ocorrência, de forma a auxiliar na identificação de novos casos e no avanço das apurações sobre a associação criminosa.
Alerta da polícia sobre processos seletivos
A Polícia Civil do Espírito Santo alerta a população para que desconfie de processos seletivos que exijam o fornecimento de dados biométricos, como selfies ou fotografias do rosto, especialmente quando solicitados por meio de aparelhos celulares de terceiros ou fora de canais institucionais oficiais.
Em caso de suspeita ou identificação de atuação semelhante, a orientação é registrar a ocorrência por meio da Delegacia Online ou procurar a unidade policial mais próxima.
As investigações continuam com o objetivo de identificar outros integrantes da associação criminosa e verificar a existência de novas vítimas e possíveis ocorrências relacionadas ao mesmo modus operandi.
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