Airbus planeja produzir no Brasil o H145, helicóptero igual ao do Neymar
Modelo H145 deverá ser produzido na linha de montagem da Helibras
A gigante Airbus está preparando uma linha de produção para fabricar o helicóptero leve H145 na fábrica de sua subsidiária brasileira Helibras, em Itajubá (MG). Na sua versão executiva, essa é a aeronave do atacante Neymar —toda preta, ela ostenta a marca do Batman no estofamento.
O modelo H145 deverá ser produzido na linha de montagem da Helibras onde atualmente está sendo feito o último helicóptero militar H225M.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, a produção do H225M será descontinuada após o término de um contrato com o governo federal para o fornecimento de 47 unidades para as Forças Armadas. O último deles, destinado à Força Aérea Brasileira, deve ser entregue entre o fim de 2026 e o início de 2027.
A ideia de se fabricar o H145 no Brasil vem amadurecendo ao menos desde março de 2024, quando o assunto teria sido discutido entre os presidentes Lula e Emmanuel Macron, durante visita do francês ao Brasil.
Em julho do ano passado, Brasil e França assinaram uma carta de intenções para a fabricação do modelo em Itajubá. A sede da divisão de helicópteros da Airbus fica em Marignane, perto de Marselha, na França.
Na época, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estimou o investimento em R$ 1 bilhão.
À Folha de S.Paulo, a pasta afirma que atua como articuladora com ministérios que poderiam ter interesse na compra desse tipo de helicóptero, de uso militar e civil.
"A carta de intenções entre o Brasil e a França expressou o interesse dos franceses em produzir a linha H145 na fábrica da Helibras e a disposição do governo brasileiro em estudar possíveis aquisições dessas aeronaves, observando eventuais inclusões de cláusulas de nacionalização de componentes e de desempenho exportador", disse o ministério.
No caso da produção do H225M, a nacionalização exigida foi de 50%, índice atingido.
A ideia é começar a produção pela versão militar, a H145M.
Em nota, a FAB não cita o modelo diretamente, mas o Emaer (Estado Maior da Aeronáutica) afirma que há estudos, no âmbito do Ministério da Defesa, sobre eventual aquisição conjunta de helicópteros leves para operação nas Forças Armadas.
"Os equipamentos que atendem às necessidades militares, assim como as quantidades e os parâmetros para eventual aquisição, ainda não foram definidos", diz.
Para ativar uma nova linha, a Helibras estaria de olho em um contrato de ao menos 40 helicópteros.
A versão militar pode receber um sistema chamado de HForce, que permite a integração de metralhadoras, foguetes e outros armamentos.
A Helibras, entretanto, não está de olho apenas no mercado bélico. Vislumbra o de serviços, como helicópteros executivos e de serviços de saúde, defesa civil, bombeiros e polícia, além da aviação executiva.
Os dois H145D3 entregues para o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais —voam desde o ano passado —são a menina dos olhos da Helibras.
"É o estado da arte", diz Amary Bastos, presidente da empresa no Brasil, sobre o alto nível de automação do helicóptero. Com o piloto automático, são mantidos atitude, rumo, altitude e velocidade.
"O piloto pode estar concentrado na missão", afirma o executivo.
Configurados para serviço aeromédico de emergência também para busca e salvamento, os dois helicópteros custaram quase R$ 160 milhões ao governo de Minas Gerais.
A Airbus/Helibras vê como "enorme" o potencial de venda desse helicóptero. Para Bastos, só para o serviço público há uma demanda estimada em 200 aeronaves.
Não há uma data estimada para início de produção. Isso depende de um primeiro contrato, mas o presidente da Helibras diz que a fábrica está preparada.
"Temos a formação de especialistas na produção do H145 e queremos já começar essa nova aventura", diz.
Atualmente cerca de 15 H145 voam no Brasil, conforme registros da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Desses, seis são executivos (que levam a sigla ACH145), como o do Neymar. O helicóptero tem prefixo PP-NJR, em referência à empresa de Neymar e às iniciais do jogador. Foi comprado em 2019 por R$ 40 milhões, cerca de R$ 56,2 milhões atuais, corrigidos pela inflação. O valor não inclui personalização —foi com ele que o atacante se apresentou em maio na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), para a Copa do Mundo.
Segundo a fabricante, duas unidades executivas foram vendidas no país nos últimos três anos.
Com cabine flexível, pode levar até dez passageiros, mais os dois pilotos. Tem 3h35 de autonomia de voo e 650 km de alcance máximo com tanque de combustível padrão.
São dois motores Safran Arriel 2E, que podem chegar a uma velocidade de cruzeiro de até 241 km/h.
Pode se ter muito mais, basta pagar. Em fevereiro, a Airbus lançou uma nova versão do ACH145, em parceria com a Mercedes-Benz. O modelo é inspirado no SUV de luxo AMG G Class, da montadora alemã. O primeiro dono no mundo é um empresário brasileiro.
A aeronave pode ser adquirida por preços na casa dos US$ 15 milhões (R$ 78 milhões), variando conforme a configuração interna e a tecnologia embutida que o cliente desejar inserir.
SEM SUSTOS
A versão mais moderna disponível no mercado conta com cinco pás, o que, segundo o fabricante, proporciona um voo mais suave.
No último dia 12 de agosto, a reportagem voou em um ACH145 até a sede da Helibras, no sul de Minas Gerais, em uma viagem de cerca de 1 hora, a partir do aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo.
A aeronave alcançou altitudes que variaram entre 3.500 e 7.000 pés (de 1.066 m a 2.130 m). Tanto a ida quanto a volta ocorreram sem turbulência. A aeronave estava com sua capacidade máxima de lotação, de oito passageiros.
A automação era visível pelas mãos livres dos pilotos em boa parte do voo.
O jornalista viajou a Itajubá (MG) a convite da Airbus/Helibras
FICHA TÉCNICA
AIRBUS H145
Helicóptero leve multimissão
Característica - Dados
Alcance máximo - 650 km
Autonomia máxima - 3h35
Capacidade - 1 ou 2 pilotos + até 10 passageiros
Capacidade 1 ou 2 pilotos - 1 ou 2 pilotos + até 10 passageiros
Carga máxima no gancho - 1.600 kg
Carga útil - 1.905 kg
Combustível padrão - 723 kg
Comprimento13,54 m - 13,54 m
Diâmetro do rotor principal - 10,8 m
Motores - 2 × Safran Arriel 2E
Peso máximo de decolagem - 3.800 kg
Teto máximo para decolagem/pouso - 6.096 m (20.000 pés)
Teto pairado - 2.729 m
Velocidade de cruzeiro recomendada - 241 km/h (130 kt)
Fonte: Airbus
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