“A inclusão não pode depender só do professor”, afirma Mônica Pitanga
Em palestra no Congresso do Sinepe-ES, mãe e filha defendem que a inclusão escolar vá além da boa vontade do professor e envolva toda a comunidade.
Se a escola do futuro precisa compreender cada estudante como indivíduo único e aprender como lidar com uma geração cada vez mais conectada, o próximo passo é olhar para as diferenças que estão dentro da sala de aula.
Para Mônica Pitanga, administradora, educadora e orientadora parental de famílias atípicas, e sua filha Luísa Pitanga, estudante de Jornalismo e profissional multimídia, as escolas precisam desenvolver uma cultura inclusiva, e isso parte das lideranças.
“A inclusão não pode depender da iniciativa de um professor dentro da sala de aula, mas de um esforço coletivo. Precisamos de políticas públicas, dos professores, do envolvimento das famílias e da sociedade. É uma construção coletiva”, afirmou Mônica durante a palestra “Educação inclusiva na prática”, ministrada no 14º Congresso Educacional das Escolas Particulares do Espírito Santo.
A educadora trouxe, durante sua reflexão, o contexto histórico. “São séculos de exclusão, de segregação e apenas duas décadas da Lei Brasileira de Inclusão tentando fazer essa inclusão acontecer na prática. Então, é algo muito novo para as escolas e para as famílias. Estamos aprendendo. Por isso é um desafio tão grande”, afirmou
O desafio ganha dimensão diante do crescimento das matrículas da educação especial. Segundo dados apresentados pelas especialistas, o Brasil chegou a 2,5 milhões de matrículas na educação especial, aumento de 227% em 15 anos. Na rede privada, o crescimento foi de 79% nos últimos cinco anos.
Para Mônica, porém, inclusão não significa apenas colocar o estudante na escola regular. É preciso garantir participação, autonomia e protagonismo.
Luísa, que é cadeirante, conhece esse processo na prática. Ela contou que, durante a vida escolar, enfrentou bullying, exclusão e até questionamentos sobre sua capacidade intelectual. Em uma das situações, colegas diziam que uma boa nota só poderia ter sido resultado da ajuda de sua profissional de apoio.
A mudança de escola, porém, em 2017, transformou sua trajetória. Em um ambiente mais acessível e que já desenvolvia ações de inclusão, ela encontrou profissionais que compreenderam suas dificuldades e contribuíram para sua autonomia.
Para mãe e filha, o caminho para essa inclusão passa por escutar estudantes e famílias, combater o capacitismo e preparar professores e gestores. “Por isso é tão importante estudar sobre a deficiência, sobre a inclusão, sobre o cenário da deficiência no Brasil, porque isso vai muni-los de ferramentas para lidar com a prática”, afirmou Luísa.
Experiências
Escuderia de Fórmula 1
Imagine transformar a escola em uma verdadeira escuderia de Fórmula 1. É essa a proposta da Stem Racing, projeto apresentado pelos alunos do Sesi Guilherme Carvalho e Maria Flor Sessa, de 15 anos, em companhia do analista de educação da instituição, Lucas Rigo. A iniciativa reúne estudantes em áreas como engenharia, gestão e empreendedorismo, reproduzindo o funcionamento de uma equipe. Os jovens projetam os carros em softwares de modelagem 3D, fazem testes de aerodinâmica e constroem os modelos do zero.
Robótica
A tecnologia tem ganhado espaço na educação desde os primeiros anos. As expositoras Larissa Assunção e Lívia Layra, da Ensina Mais Turma da Mônica, escola de cursos extracurriculares, mostram que o ensino robótico pode ser ofertado para crianças a partir dos 4 anos.
Em parceria com escolas, a empresa leva professores, kits e material didático, permitindo que a disciplina seja incorporada à grade curricular ou oferecida como atividade extracurricular. A proposta inclui ainda cursos de programação, desenvolvimento de games e aplicativos, informática e apoio em Português e Matemática.
Personagem de livro
Quem passou pela área de exposição do Congresso do Sinepe-ES pode conferir o estande Muqueca Editorial, que tem à frente Ilvan Filho e a jornalista, escritora, professora e produtora cultural Ivana Oliveira. Para o evento, a editora contou com toda interpretação da atriz Letícia Braga, dando vida a Daisy, personagem criada por Ivana.
“A Casa de Tijolinho à vista”, que será lançado hoje, é o primeiro livro autoral de Ivana. “Trouxe um pouco da minha história e de ficção”.
Indústria
Com a simulação de uma planta industrial, Nayara Miranda, supervisora do Senai, e Israel Amaro, estagiário da área de tecnologia do Senai, expuseram ao público o seu funcionamento, por meio de um processo todo automatizado, com aplicação de robótica e mecatrônica. “O aluno consegue ter a visão do que é essa área de tecnologia. Nessa planta, em vez de ter linhas de pessoas operando, os robôs que farão todo o processo”, explicou Nayrara.
O que eles dizem
Transformação
“Estamos discutindo aqui temáticas que são desafios para toda a educação, não só a privada, mas também a pública. A educação tem o objetivo de formar os cidadãos, e temos a responsabilidade de pensar o que podemos mudar ou transformar como profissionais da área”.
Referência
“Esse congresso já se consolidou como uma grande referência para a educação. Se o Espírito Santo tem uma educação pública e privada de qualidade, é muito em função do que vem sendo promovido ao longo dos anos”.
Importância
“O Congresso do Sinepe é muito importante para a educação capixaba. Essa interação entre escola pública e particular, para trazer uma educação de qualidade para o Espírito Santo, é importante, ainda mais quando trazemos o que está sendo feito de novo na educação do Brasil e do mundo”.
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