Novos caminhos para educar uma geração cada vez mais conectada
De acordo com o palestrante Walter Longo, a Inteligência Artificial pode ser uma ferramenta para personalizar o ensino
A tecnologia já faz parte da rotina dos estudantes, mas o desafio da educação não está apenas em colocar computadores, Inteligência Artificial e outras ferramentas digitais dentro da sala de aula. É preciso repensar a própria forma de ensinar para uma geração cada vez mais conectada.
Essa foi a reflexão que Walter Longo, empreendedor digital, palestrante internacional e sócio-diretor da Unimark Comunicação, trouxe durante a abertura do 14º Congresso Educacional das Escolas Particulares do Espírito Santo, quinta-feira (20), em Vitória.
“Do café ao banco do carro, dos filmes aos serviços de entrega, quase tudo ao redor foi se adaptando às preferências individuais. A escola, porém, ainda reúne dezenas de estudantes em uma sala e ensina, muitas vezes, como se todos aprendessem da mesma maneira”.
Com a palestra “Nunca é só um clique: o impacto real da educação para um futuro sustentável”, Walter Longo defendeu que a escola precisa compreender que cada estudante tem seu próprio ritmo, dificuldades e formas de aprender.
“O mundo está cada vez mais individualizado, e as coisas são desenhadas para cada pessoa, enquanto a educação continua pensando em turmas ou classes, e não em pessoas”, afirmou.
Nesse cenário, segundo ele, a IA pode ser uma ferramenta para personalizar o ensino. O especialista cita a possibilidade de sistemas identificarem as dificuldades de cada aluno e funcionarem como um “copiloto” do professor, permitindo que ele acompanhe melhor diferentes níveis de aprendizagem, assim como já acontece nos Estados Unidos e Inglaterra.
Outra transformação necessária está na relação com o tempo, já que, de acordo com Walter, o mundo está mais veloz e a escola funciona em ciclos longos, enquanto a sociedade passou a viver em ciclos curtos.
“Antes uma pessoa estudava durante anos para construir uma carreira, hoje a formação precisa acompanhar uma realidade que muda rapidamente. É preciso trabalhar com microcertificações”.
O evento, promovido pelo Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES), reuniu educadores e autoridades, entre elas o governador do Estado, Ricardo Ferraço. O congresso termina hoje.
O que eles dizem
Legado para o futuro
“Estamos falando dos temas que hoje mais afligem as nossas instituições, como saúde mental, Inteligência Artificial e sustentabilidade. Temos de plantar agora para colher no futuro. Me preocupo muito sobre qual o legado que estamos deixando para a geração futura”.
Educação sustentável
“Quando falamos de educação sustentável, não estamos falando apenas de meio ambiente, mas também de responsabilidade social, de cuidado com as relações, do emocional, da ética e sustentabilidade econômica. Estamos levantando esse debate para que isso seja discutido em nossas escolas e na formação de nossos alunos”.
Polo ativo
“A educação é o polo ativo que vai trazer esse futuro sustentável para nossa sociedade. Um dos grandes desafios é enxergar o futuro da educação, por exemplo, com a tecnologia, que está aí. A educação não pode ficar fora dela”.
A palestra
Novo papel
De transmissor a mentor
Com a personalização do ensino e o apoio da Inteligência Artificial, o professor tende a deixar de ser apenas o responsável por transmitir conteúdo. A função passa a incluir o acompanhamento individual dos alunos e o desenvolvimento de habilidades como curiosidade, empatia, sociabilidade e trabalho em equipe.
Escola dos ciclos curtos
Etapas menores
Walter Longo chama atenção para uma mudança na relação com o tempo. A escola ainda trabalha com ciclos longos, como formações de quatro anos, enquanto os jovens estão acostumados a respostas e resultados imediatos. Para o especialista, a educação precisa criar etapas menores de reconhecimento e evolução.
Microcertificações
Reconhecimento
Em vez de esperar anos para comprovar o que aprendeu, o estudante poderia receber certificações ao longo da formação. A proposta das microcertificações é reconhecer competências adquiridas e tornar mais visível a evolução individual.
IA como “copiloto”
Tecnologia para entender cada aluno
A inteligência Artificial pode ajudar professores a identificar dificuldades, ritmos de aprendizagem e necessidades específicas. A ideia não é substituir o docente, mas fornecer informações para que ele consiga trabalhar de maneira individualizada.
Modelo dos games
Aprendizagem com evolução
A lógica dos games pode inspirar novas metodologias. Nos jogos, o usuário recebe estímulos frequentes e percebe que está avançando. Para Longo, a escola precisa criar mecanismos semelhantes para que o aluno consiga visualizar seu progresso.
Migração cognitiva
Processamento de informação
Walter Longo chama de “migração cognitiva” a transformação na maneira como as novas gerações acessam, processam e consomem informação. Para ele, essa mudança deve trazer consequências nos próximos anos e exige que a escola repense suas formas tradicionais de ensinar.
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