Menopausa engorda ou muda as regras do jogo?
Tudo o que você precisa saber para uma alimentação saudável no dia a dia
Gabriela Rebello
Gabriela Rebello é nutricionista, especialista em saúde feminina, estética, nutrição esportiva e comportamento alimentar. Colunista de A Tribuna, professora e coordenadora do curso de Nutrição em instituição de ensino superior, integra o quadro de nutricionistas do Hospital Albert Einstein na Grande Vitória, unindo ciência, prática clínica e cuidado humano.
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Você passou dos 40 e percebeu que a barriguinha apareceu mesmo sem grandes mudanças na alimentação? A roupa apertou na cintura, o sono piorou e aquilo que antes funcionava para controlar o peso parece não funcionar mais. A primeira conclusão costuma ser: “a menopausa acabou com meu metabolismo”. Calma. A história é um pouco diferente.
O climatério é a fase de transição que antecede e acompanha a menopausa. Nesse período, as oscilações e a redução dos hormônios femininos podem favorecer mudanças na composição corporal, com maior tendência ao acúmulo de gordura na região abdominal e perda gradual de massa muscular. Mas isso não significa que engordar seja obrigatório.
E aqui está o outro lado da moeda: às vezes, a balança quase não muda, mas o corpo muda muito. Uma mulher pode manter praticamente o mesmo peso e perceber aumento da gordura abdominal porque perdeu músculo e ganhou gordura. Por isso, nessa fase, olhar apenas para os quilos pode esconder o que realmente está acontecendo.
É justamente aí que alimentação e exercício precisam mudar de estratégia.
Depois dos 40, proteína deixa de ser preocupação apenas de quem quer “ficar musculosa”. Ovos, carnes, peixes, leite, iogurte e leguminosas, distribuídos ao longo do dia, ajudam na preservação muscular. Associados ao treino de força, tornam-se uma dupla importante para manter força, autonomia e um metabolismo mais ativo.
Também é hora de olhar com carinho para os ossos. Cálcio, vitamina D e uma alimentação variada ganham ainda mais importância. Verduras, frutas, feijão, aveia e sementes fornecem fibras, enquanto azeite, castanhas, abacate e peixes oferecem gorduras de boa qualidade.
Mas Nutri, e a tal da barriguinha? Nem sempre o problema está apenas no prato.
Fogachos e alterações hormonais podem prejudicar o sono. Dormindo mal, você acorda cansada, movimenta-se menos e pode sentir mais fome e desejo por alimentos muito calóricos. Forma-se um ciclo: sono ruim, cansaço, menos atividade, mais fome e maior dificuldade para controlar o peso.
Por isso, viver de salada durante a semana e ignorar sono, musculação, bebida alcoólica e qualidade da alimentação dificilmente resolverá o problema.
A menopausa não é uma sentença para engordar. Ela apenas sinaliza que o corpo mudou e que algumas estratégias também precisam mudar.
Comece observando menos a balança e mais a sua composição corporal, sua força, seu sono e a sua alimentação. E, se os sintomas estiverem incomodando, procure avaliação médica e acompanhamento nutricional individualizado.
Depois dos 40, não é hora de comer cada vez menos. É hora de se cuidar cada vez melhor. Encontro vocês na próxima semana!
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Saúde não é moda, é construção diária. Nesta coluna semanal, você vai entender como alimentação, comportamento, emoções e estilo de vida impactam seu corpo e sua mente. Reflexões práticas, ciência aplicada e estratégias reais para viver com mais equilíbrio, energia e consciência.