João Campos e Raquel Lyra adotam posturas diferentes em relação aos presidenciáveis
Na primeira semana da campanha, João Campos explora o apoio de Lula, e Raquel Lyra reforça discurso de neutralidade e foco em Pernambuco.
Na primeira semana de campanha oficial das Eleições 2026, a forma como os candidatos ao governo de Pernambuco se relacionam com os presidenciáveis voltou ao centro do debate. Enquanto João Campos reforça publicamente o vínculo com o presidente Lula, candidato à reeleição, Raquel Lyra repete o tom de neutralidade adotado em 2022.
João Campos exibe apoio de Lula nas redes e em agendas
Nesse cenário, João Campos tem buscado destacar o apoio do presidente em sua estratégia de comunicação. O tema ganhou força durante uma agenda com representantes do Sindicato dos Odontólogos de Pernambuco e após a veiculação do terceiro vídeo de Lula nas redes sociais.
No material divulgado, o presidente pede votos diretamente para João Campos, gesto que o candidato faz questão de ressaltar. Em conversa com jornalistas, ele afirmou que não pretende esconder seus apoios políticos.
"Eu mostro meus aliados, não tem problema. Tenho orgulho dos meus aliados, defendo meus aliados, e as pessoas precisam saber quem são os aliados de cada um"
Alinhamento com Lula e críticas à capacidade de articulação
Como justificativa para a articulação conjunta com Lula, João Campos citou dados sobre propostas apresentadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área de recursos hídricos. Segundo o candidato, enquanto a Bahia cadastrou cerca de R$ 4 bilhões em projetos e o Ceará apresentou aproximadamente R$ 1,5 bilhão, Pernambuco somou apenas R$ 400 milhões em propostas na mesma área.
"Não adianta só você ter uma boa relação como eu tenho com o Lula. É importante a gente ter capacidade de trabalho conjunta de apresentar bons projetos", disse João.
Raquel Lyra repete neutralidade e evita citar presidenciáveis
Do outro lado da disputa, a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) mantém o tom discreto adotado em 2022. Naquele pleito, ela se declarou "isenta" e buscou se afastar da polarização nacional, postura que volta a repetir em 2026.
Nesta quinta-feira (20), Raquel Lyra exaltou a parceria de sua gestão com o presidente Lula (PT), mas novamente evitou declarar em quem votará para o Palácio do Planalto. A governadora também não tem mencionado o presidenciável Ronaldo Caiado, candidato do partido dela, o PSD, à Presidência.
Cobrada pela postura neutra diante da disputa nacional, Raquel afirma que prefere manter a campanha focada na agenda estadual. Ela se autodefine como "pernambuquista" e tenta reforçar a imagem de que está mais preocupada com as demandas locais do que com a guerra entre candidaturas à Presidência.
"Vão querer me taxar de um lado ou de outro, me rotular, tentar me enquadrar em um lugar ou no outro, dizer que estou em cima do muro, mas não vai ter quem me tire do foco do Estado de Pernambuco", ressaltou.
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