Vale quer explorar no Espírito Santo minério cobiçado pelos Estados Unidos
Empresa busca aval para 5 áreas com cério e monazita em Linhares e Jaguaré. Minerais são estratégicos para uso militar e tecnologia
A Vale está de olho no potencial das terras raras no Espírito Santo. A empresa busca autorização para explorar minerais estratégicos, entre eles o cério e a monazita, cobiçados pela indústria e por setores de alta tecnologia.
A reportagem apurou que a Vale procura por esses minerais em cinco áreas: quatro em Linhares e uma em Jaguaré, no Norte do Estado.
Segundo o físico nuclear, professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e representante da Ufes no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Terras Raras, Marcos Tadeu Orlando, o cério possui propriedades interessantes para ser usado como catalisador ou na captura de CO (dióxido de carbono).
O mineral também é utilizado em polimento e descoloração de vidros e lentes, em ligas metálicas para pedras de isqueiro e em revestimentos de fornos autolimpantes.
Já a monazita, como explica a arquiteta Erika Almeida, membro do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Estado (Ibef-ES), é um mineral que é uma fonte natural de terras raras. “Contém principalmente elementos como cério e lantânio, além de outros elementos em menores concentrações.”
O coordenador dos cursos de Relações Internacionais e Comércio Exterior da UVV, Daniel Carvalho, salienta que a importância desses materiais vai além da economia e da tecnologia. Eles também têm peso estratégico para grandes potências, especialmente China e Estados Unidos, por sua utilização na indústria de defesa.
“As terras raras podem ser empregadas na fabricação de motores de jatos de combate, sistemas de orientação de mísseis e radares, tornando esses materiais importantes para a autonomia das cadeias de suprimentos militares”.
Por meio de nota, a Vale informou que segue “atenta ao mercado de minerais críticos e terras raras e avalia novas oportunidades, considerando escala, competitividade e retorno”.
“O foco permanece em minério de ferro, cobre e níquel, enquanto acompanha o desenvolvimento dessas novas cadeias no País.”
O que é monazita?
É um mineral encontrado em algumas rochas e também em depósitos de areia pesada. Ela é importante porque pode conter terras raras, principalmente cério, além de lantânio, neodímio e outros elementos.
Por que é estratégica?
Porque ela pode ser uma fonte de terras raras, que são importantes para setores tecnológicos e industriais. Além do cério, a monazita pode conter neodímio, por exemplo, que é muito importante para a fabricação de ímãs permanentes usados em motores elétricos, geradores e equipamentos eletrônicos.
E o que é o cério?
É um elemento químico do grupo das terras raras. É um metal prateado e relativamente abundante entre as terras raras. Ele não é usado normalmente como metal puro. O mais importante é que seus compostos têm propriedades que interessam a várias indústrias.
Ou seja:
- Monazitaé o minério.
- O Cério é um dos elementos químicos que podem ser extraídos desse mineral.
Principais usos do cério
- Catalisadores automotivos: ajuda a reduzir poluentes dos gases de escapamento.
- Vidros: compostos de cério são usados para polir e dar acabamento de alta precisão em vidros e superfícies.
- Óptica: utilizado em vidros e materiais ópticos, inclusive para controlar efeitos da radiação ultravioleta.
- Eletrônica e tecnologia: aparece em materiais usados em componentes e processos industriais de alta precisão.
- Energia: compostos de cério são estudados e utilizados em algumas tecnologias relacionadas a catalisadores e armazenamento/conversão de energia.
- Metalurgia: pode ser usado em ligas metálicas para melhorar determinadas propriedades.
Exploração
A Vale tem interesse em investir na exploração desses minerais cobiçados no Estado.
Quais são as áreas de interesse?
- Elas ficam no Norte do Estado.
- Linhares: monazita, em uma área de 1.000 hectares;
- Linhares: monazita, em 666 hectares;
- Linhares: monazita, em 448,25 hectares;
- Linhares: cério, em 1.000 hectares;
- Jaguaré: monazita, em 139,33 hectares.
Fonte: Vale, especialistas entrevistados e pesquisa A Tribuna
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