“É preciso fortalecer vínculo com a família”, afirma psicanalista
Jane Haddad será uma das palestrantes do 14º Congresso Educacional das Escolas Particulares do Espírito Santo
Além de discutir o impacto da tecnologia e da Inteligência Artificial na educação e os caminhos para uma inclusão mais efetiva, educadores colocam em pauta a saúde mental na escola.
Mais de cinco anos após a pandemia e com tantas transformações nos últimos anos, o tema ganha espaço mais uma vez no 14º Congresso Educacional das Escolas Particulares do Espírito Santo, que reúne debates sobre os desafios da educação contemporânea.
Para a psicanalista, psicopedagoga, escritora e doutoranda em Educação Jane Haddad, que participa do congresso nesta quinta-feira (20) com a palestra “Saúde mental na escola: caminhos de escuta e cuidados”, a resposta passa por uma mudança na relação entre escola, família e estudantes.
“O primeiro passo para a promoção da saúde mental na educação é essa aproximação entre a família e a escola”.
Confira a entrevista com Jane Haddad
A Tribuna: Desde a pandemia, muito se fala sobre a importância de estratégias relacionadas à saúde mental nas escolas. Por que esse assunto não tem saído da pauta de professores, escolas e famílias?
Jane Haddad: A saúde mental, pensada do ponto de vista da educação, é a forma como a gente está vivendo e transitando no mundo, principalmente pensando o contexto da escola. É o atravessamento daquela idealização de uma escola perfeita, de uma família estruturada, de um professor que sabe tudo.
Estamos lidando com um outro contexto da educação, que é o atravessamento das tecnologias digitais, das cobranças que têm sido feitas em cima do profissional da educação, da hiperconectividade e desse olhar das expectativas em cima do performar das crianças, dos jovens e dos professores. Temos hoje os metadados da pressão por resultado, das transformações tecnológicas, mas, principalmente, das novas demandas socioemocionais para lidar com esse ambiente.
Como escola e famílias podem trabalhar juntas?
É preciso uma aproximação com essa leitura desse mundo em transição, porque, a partir do momento em que a gente está lidando com valores, com crenças, com padrões, é preciso fazer essa atuação da transição de mundo também. Então, o primeiro passo de uma promoção da saúde mental na educação é essa aproximação da família com a escola.
O que a escola pode fazer para acolher essas questões de saúde mental?
A escola tem de pensar que é um espaço, mais do que nunca, privilegiado de cuidado e escuta. É um espaço de acolhimento.
O sofrimento contemporâneo está nos sinalizando que tem alguns limites, mas também há uma urgência de trazer profissionais (psicólogos) para dentro da escola. Mas não para fazer da escola um consultório ou uma clínica, mas, sim, uma pedagogia do acolhimento, com um olhar de intersetorialidade.
Hoje, qual é o erro mais comum que famílias e escolas acabam cometendo que prejudica o aluno?
Primeiro, o uso inadequado dos grupos de mães. É comum e errado disseminar uma ideia ou uma informação equivocada nesse grupo de mães, nesse lugar comum que as famílias têm e a escola não entra.
Algumas queixas, algo que a família ou que a escola observa, muitas vezes não são colocadas com uma comunicação fluida, no âmbito correto. Quando um começa a falar mal do outro, ou com fatos equivocados, a criança e o adolescente que estão nesse meio não confiam. Assim como a escola, muitas vezes, trabalha com um discurso competitivo que exclui todo o trabalho de acolhimento que ela está fazendo.
É importante ter cuidados éticos, como a preservação do sigilo, a não exposição da família ou da escola. É pensar um pouco esse cuidado: como que a gente pode melhorar essa comunicação entre as duas instituições essenciais para a humanização da educação em tempos de tecnologia digital.
O que precisa mudar na escola para que ela consiga preparar os alunos não apenas academicamente, mas também para lidar com frustrações, ansiedade, relações sociais e diferenças?
Precisamos preparar as crianças, adolescentes e professores para dar nome ao que eles estão sentindo. Mais do que nunca, devemos trabalhar com pequenos grupos temas que estão na sociedade, como de saúde, de prevenção e de violência. E ter esse olhar mais acolhedor frente às diferenças.
Isso envolve também questões de bullying?
Precisamos entender o nosso lugar diante do outro no espaço coletivo antes mesmo de fazermos parte de um grupo, conversando sobre questões como apelidos, comentários maldosos e compartilhamento indevido de fotos e conversas. Isso, por si só, já ajuda a evitar episódios de bullying.
Outros palestrantes desta quinta-feira
Walter Longo
Especialista em Inovação e Transformação Digital. Publicitário e administrador de empresas, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Walter Longo é empreendedor digital, palestrante internacional e sócio-diretor da Unimark Comunicação.
Em sua palestra, nesta quinta-feira, vai abordar o tema “Nunca é só um clique: o impacto real da educação para um futuro sustentável”.
Walter é membro de vários conselhos de empresas como SulAmérica, Portobello, Cacau Show e MGB, sócio de múltiplas empresas digitais, palestrante reconhecido internacionalmente, articulista de múltiplas publicações, além de autor, entre outros, dos livros “O Marketing e o Nexo” (Ed. BestSeller) e “Marketing e Comunicação na Era Pós-Digital” (Alta Books). É também membro do Comitê Digital e mentor do Programa de Investimentos de Startups do Hospital Albert Einstein, além de influencer do LinkedIn com quase 600 mil seguidores.
Mônica Pitanga
É administradora de empresas, pós-graduada em Comunicação, Diversidade e Inclusão nas Organizações, além de palestrante, consultora, mentora e escritora. Também é educadora e orientadora parental de famílias atípicas; fundadora da ONG Mova-se e da Comunidade Mãe Leoa.
No congresso do Sinepe-ES, Mônica vai palestrar sobre “Educação inclusiva na prática” com sua filha Luísa Pitanga, estudante de Jornalismo e profissional multimídia.
Mônica também é certificada em Disciplina Positiva pela Positive Discipline Association, com especialização em Disciplina Positiva para Crianças com Deficiência. É ainda certificada em parentalidade e educação positivas, inteligência emocional e social e orientação e aconselhamento parental pela escola de Portugal. Possui livros publicados, entre eles “Maternidade atípica: uma jornada de amor, aceitação e crescimento”.
Confira a programação do congresso do Sinepe-ES
Com o tema “Educação para um futuro sustentável: formando cidadãos para o mundo”, começa nesta quinta (20) e vai até sexta-feira (21).
Investimento: R$ 420 (individual).
Inscrições: www.sinepe-es.org.br.
Inf.: [email protected] ou (27) 99601-6872.
Escolas associadas ao Sinepe-ES têm 50% de desconto nas demais inscrições. Escolas não filiadas também podem se inscrever pelo site.
Programação desta quinta-feira
8h30: Credenciamento e visita à ExpoSinepe-ES.
10h30: Abertura oficial com o presidente Moacir Lellis.
11h: Palestra “Nunca é só um clique: o impacto real da educação para um futuro sustentável”, com Walter Longo (empreendedor digital, palestrante internacional e sócio-diretor da Unimark Comunicação).
12h: Intervalo para almoço e meetup.
14h: Palestra “Educação inclusiva na prática”, com Mônica Pitanga (administradora, educadora, escritora, palestrante e orientadora parental de famílias atípicas) e sua filha Luísa Pitanga (estudante de Jornalismo e profissional multimídia).
15h: Pausa para café e networking na ExpoSinepe- ES.
16h: Palestra “Saúde mental na escola: caminhos de escuta e cuidados”, com Jane Haddad (psicanalista, doutoranda em Educação, psicopedagoga, conferencista e escritora).
17h: Encerramento e sorteio.
Programação da Arena Inovação
13h: “Sustentabilidade como currículo: o amanhã começa na escola”, com a doutora em Comunicação, Saúde e Meio Ambiente e gerente de Negócios de Impacto da Seama-ES, Fabiana Franco.
14h10: “Robótica x gamificação: uma anula a outra?”, com Jamil Lopes, comendador, engenheiro, escritor, microsoft regional director, board mentor for Microsoft Startups, Investidor Anjo e mentor da Anjos do Brasil.
15h30: “Replicar o webinar - A arte de reter e captar alunos”, com Cauê Upneck, gestor educacional, professor, com formação em Metodologias Ativas, e especialista em Gestão Escolar, Liderança de Equipes, Marketing Educacional e Estratégias de captação e retenção de alunos
Fonte: Sinepe-ES.
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