“Chegada do Miguel é a realização de um sonho”, diz Soraya Fardin
A advogada Soraya Fardin celebra um ano do filho, que nasceu 2 anos após a morte do marido. Casal havia congelado o embrião
Um ano depois de chegar ao mundo, Miguel é a prova de que um sonho pode sobreviver ao luto. O menino, que fez aniversário no último dia 10, nasceu a partir do último embrião congelado por sua mãe, a advogada Soraya Fardin, e pelo marido, Alberto Santos, que morreu em julho de 2023, de câncer agressivo.
Hoje, Miguel é descrito pela mãe como um bebê alegre, simpático. “Foi o ano mais feliz da minha vida, porque é a realização de um grande sonho”, afirma Soraya.
Para ela, a chegada do filho representa a concretização de um desejo que carregava havia anos. A rotina, no entanto, também mudou completamente. Soraya conta que precisou abrir mão de parte da liberdade que tinha antes da maternidade.
“É uma liberdade que eu tinha e que eu deixei de ter, mas por opção minha. Porque era um sonho. Então, eu olho para isso e falo: ‘Era isso que eu queria, então está tudo bem”, conta.
Mesmo com os desafios, ela destaca as características do filho. “O Miguel é um menino muito simpático e muito feliz. Se você chega aqui e ele está bem, ele vai rir para você sem te conhecer. Ele é muito simpático, muito carismático”, diz.
O menino está começando a andar e a balbuciar as primeiras palavras. Segundo a mãe, ele é bastante comunicativo e utiliza gestos para se expressar.
Para Soraya, algumas características lembram dela mesma e do falecido marido. “Não por acaso, eu sou muito comunicativa e o pai dele também era”, relembra.
Tratamento
Soraya e Alberto iniciaram, em 2020, um tratamento de fertilidade após tentativas de engravidar naturalmente. Eles realizaram duas fertilizações in vitro que resultaram em dois embriões considerados viáveis e posteriormente congelados. Em fevereiro de 2023, ainda com Alberto vivo, o primeiro embrião foi transferido, mas a gravidez não evoluiu.
Alberto morreu em 8 de julho de 2023, após cerca de 10 meses de tratamento. Soraya ficou, então, com o último embrião congelado.
O desejo de ser mãe, que sempre esteve presente, permaneceu. Em 2024, após um período de luto e muitas dúvidas, ela decidiu procurar a médica para preparar o organismo para a transferência. O procedimento aconteceu no fim daquele ano.
Soraya Fardin advogada
“A gente tem que ser forte e corajoso”
A Tribuna — A decisão de congelar o embrião foi por necessidade médica ou por que vocês queriam realmente congelar?
Soraya Fardin — O congelamento faz parte do tratamento. Já estávamos tentando engravidar há algum tempo. Quando eu fiz 40 anos, falei: “Não, eu preciso procurar ajuda”. E eu me arrependi de não procurar antes.
Quando a mulher procura sozinha o tratamento, ela congela só o óvulo. Como eu já tinha um parceiro, a gente tirou o material genético de cada um e fertilizou in vitro. Com ele já fertilizado, as chances de sobreviver ao descongelamento são maiores. Além disso, com o embrião a gente consegue fazer a biópsia.
Fiz duas fertilizações in vitro, uma em 2021 e uma em 2022. Em cada uma, eu gerei quatro embriões. Só que, quando o embrião vai para a biópsia para ver se ele é compatível com a vida, desses quatro, um não desenvolveu.
Então, eu fiquei com o embrião dessa primeira fertilização. Por alguns motivos médicos, eu não pude transferi-lo na época. Aí, eu fiz a segunda, um ano depois, em 2022. Foram cinco óvulos fertilizados. Dos cinco, acho dois não foram para frente. Três fertilizaram e um era compatível com a vida. Esse um, de 2022, era o Miguel.
Vocês chegaram a transferir algum embrião enquanto Alberto ainda estava vivo?
Em fevereiro de 2023, a gente transferiu o primeiro embrião. Não deu certo. Mas, no fundo, no meu coração, eu sabia que tinha um motivo. Eu não sabia qual. Mas Deus falou assim: “Não é agora”.
Em julho, acontece a morte. Mas, antes do Alberto falecer, ele ficou apenas cinco dias no hospital. Com aquele luto, aquele monte de coisa, eu não pensei logo em transferir.
Em 2024, eu ainda pensava muito nisso, no embrião. Ele falava muito comigo ainda, no meu coração.
Aí teve uma hora que eu decidi. Eu falei: “Vou procurar a médica. Eu quero”. E aí foi em 2024, mais ou menos em abril. Demorou uns seis meses até eu transferir. Eu tinha que fazer uns procedimentos médicos, acertar o meu endométrio para ficar perfeito, porque era o meu único embrião.
Qual a mensagem que você deixa para quem está em busca do sonho?
Eu sempre falo que a gente tem que ser forte e corajoso, como está na Bíblia mesmo, porque Deus honra quem é forte e corajoso.
E, quando você corre atrás do seu sonho, se ele tem um propósito divino, você vai conseguir de qualquer jeito. Então, tem que correr atrás do que a gente quer efetivamente. E não importa a dificuldade.
Sonhos são caros, eles valem muito. Então, eles são difíceis de conseguir. Sendo difíceis, parece que quanto mais difícil, melhor. Então, não desista.
O que é muito fácil, você não dá valor. É o difícil que é bom na vida.
Recordações
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