Internações de ciclistas por causa de acidentes no ES aumentam 51% no SUS
Segundo especialistas, uma lesão comum é a concussão cerebral causada por algum trauma na cabeça por causa do acidente
As internações de ciclistas vítimas de acidentes seguem crescendo no Espírito Santo. O número de atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) saltou de 373, em 2024, para 565, em 2025, uma alta de 51,5%, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
Quanto aos casos fatais, o Anuário de Segurança Pública mostra que o Espírito Santo registrou 26 mortes de ciclistas no primeiro semestre de 2025, contra 19 no mesmo período de 2024, representando um crescimento de 36,8%.
O neurocirurgião Denis Soprani, que atende pelo SUS, diz que a alta das internações é algo preocupante, já que mesmo que as lesões sejam pequenas, há uma sobrecarga no sistema de saúde.
Segundo ele, uma lesão comum é a concussão cerebral causada por algum trauma na cabeça.
“Geralmente os pacientes ficam levemente desorientados ou perdem a consciência por um período curto. A maioria é lesão leve, mas há também casos de hemorragias intracranianas que precisam de cirurgia”, diz Denis.
A gravidade também aumenta em casos envolvendo as bicicletas elétricas, de acordo com o ortopedista George Alfred Delatorre, especialista em cirurgia do ombro, cotovelo e joelho.
“Pelo peso e pela velocidade, muitas vezes não dá tempo da pessoa colocar a mão ou o pé à frente para tentar se proteger da queda. Aí o trauma começa a se parecer mais com um acidente de moto”, explica.
Nas bicicletas convencionais, são mais comuns fraturas de clavícula e punho, de acordo com o médico. Já entre os usuários de modelos elétricos, ele tem observado lesões maiores.
“Estamos vendo fraturas grandes nos ombros, além de lesões na coluna, no quadril, na pelve e na bacia, que eram menos comuns em acidentes com bicicletas”.
O ortopedista Jefferson Coelho de Leo, membro da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), diz que a vulnerabilidade aumenta quando o ciclista divide espaço com outros veículos.
Por isso, a orientação é ter prudência e usar equipamentos de proteção. “É essencial usar o capacete, além de seguir as regras de trânsito para a segurança de todos”, conclui Jefferson.
Atenção especial com impactos na coluna
Embora sejam menos frequentes do que as fraturas nos braços e punhos, as lesões na coluna estão entre as consequências mais graves dos acidentes com bicicletas.
Ortopedista e membro da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), Jefferson Coelho de Leo explica que esses traumas são mais frequentes em colisões com carros ou situações em que o ciclista é projetado para a frente.
“São acidentes com maior energia envolvida. Nesse movimento, ocorre uma combinação de extensão, flexão e rotação da coluna, que pode provocar fraturas, principalmente na região cervical baixa, parte inferior do pescoço, entre as vértebras C5, C6 e C7”.
Mas nem toda fratura na coluna precisa de cirurgia, segundo o médico. Lesões mais leves podem ser tratadas sem operação, enquanto casos instáveis ou acompanhados de alterações neurológicas podem exigir algum procedimento cirúrgico.
Nos quadros de maior gravidade, existe até mesmo o risco de comprometimento da medula.
“Uma lesão cervical pode levar à perda dos movimentos dos braços e das pernas. Não é comum, mas pode acontecer de acordo com a gravidade do acidente”, afirma.
O neurocirurgião Denis Soprani ressalta que, apesar de acontecerem em menor número, as lesões na coluna preocupam justamente pelo potencial de deixar sequelas importantes.
“O paciente pode, inclusive, deixar de andar em consequência de uma lesão na coluna. As regiões cervical e torácica são as que mais preocupam”, destaca.
Opinão
"As lesões têm se tornado mais graves com o aumento das bicicletas elétricas”
"Mesmo os acidentes leves levam o paciente ao pronto-socorro. Isso gera pressão sobre o sistema de saúde”
Saiba Mais
Os números
- 565 internações de ciclistas no SUS do Espírito Santo em 2025.
- 51,5% foi o aumento das internações em comparação com 2024, quando foram registrados 373 casos.
- 26 ciclistas morreram no primeiro semestre de 2025.
- Em relação às bicicletas elétricas, foram 41 lesões graves entre janeiro e julho de 2026.
Principais lesões
Cabeça
- Concussões cerebrais após pancadas. Em casos graves, podem haver hemorragias intracranianas.
Ombros
- Acidentes graves com bicicletas elétricas podem causar lesão no úmero, osso que faz a ligação entre ombro e cotovelo.
- Mãos, punhos e antebraços
- São as regiões mais atingidas nas quedas, já que o ciclista costuma colocar as mãos à frente para tentar se proteger, podendo causar fraturas.
Coluna
- As fraturas são menos frequentes, mas podem ter consequências graves. A região cervical baixa está entre as mais vulneráveis. Em casos graves, pode haver lesão da medula e perda de movimentos.
Tórax e abdômen
- São mais atingidos quando o ciclista não consegue usar braços ou pernas para amortecer o impacto e podem gerar traumas internos.
- Quadril, pelve e bacia
- São mais associadas a acidentes de maior impacto.
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