Cachorro ajuda a salvar o tutor durante infarto
O animal, da raça border collie, latiu sem parar até que familiares descobrissem que aposentado estava passando mal
O ditado que diz “o cachorro é o melhor amigo do homem” é certeiro para explicar o vínculo entre Gabriel Adolfo Ribeiro, de 76 anos, e Slynk, um border collie de quatro anos. O aposentado foi “salvo” pelo cão após sofrer um ataque cardíaco.
Tudo aconteceu durante a madrugada, enquanto os outros moradores da casa em que o aposentado mora, em Santana do Paraíso, Minas Gerais, estavam dormindo.
Sem o alerta de Slynk, Adolfo não conseguiria pedir por socorro durante a emergência, contou Vanessa Endringer, influenciadora de 46 anos e filha do aposentado.
“Meu pai mora com minha irmã e o esposo dela em uma chácara, na área rural. Era por volta de 4h da manhã quando tudo aconteceu. Se não fosse pelo Slynk, meu cunhado não teria acordado, e o pior poderia ter acontecido. Papai estava se contorcendo de dor na cama, disse que foi a pior sensação que teve na vida”, contou Vanessa.
O cão é criado solto na propriedade e dorme do lado de fora da casa. Na madrugada da emergência, latiu sem parar, até que o genro de Gabriel acordasse e fosse verificar o que estava acontecendo.
“O Slynk é dócil e calmo. Mas naquela madrugada, não parou quieto. Meu cunhado viu que não havia nenhum problema, mas ele não parava de latir para a janela do quarto do meu pai. Então ele foi verificar, e o encontrou agonizando. Na mesma hora, o levou para o hospital”, contou a influenciadora, mãe da pequena Maria Clara.
O aposentado passou por cirurgia de cateterismo e ficou internado por uma semana. Hoje, passa bem, e está recebendo cuidados da família no Espírito Santo.
“Ele está na casa da minha mãe, onde tem mais gente para cuidar dele. Nossa família é do Estado, meu pai que quis se mudar com minha irmã para Minas Gerais. Ele está bem, só precisa tomar remédios controlados agora”, disse Vanessa.
Vínculo
O laço afetivo entre Slynk e Gabriel pode ter feito a diferença no momento de emergência, avalia a veterinária Elissa Nunes.
“O pet aprende e se condiciona com o tutor e seus comportamentos. Ele percebe mudanças emocionais que o fazem notar cenários de risco, e assim pode tentar proteger o dono. A convivência com o bichinho com certeza é o ponto principal para fortalecer esse vínculo”, avaliou a veterinária.
Elissa também disse que é possível ensinar para o pet comandos básicos que podem ajudar em momentos de emergência.
Gabriel Adolfo Ribeiro aposentado
“Fiquei muito feliz em ver a preocupação dele comigo”
A Tribuna — Como você está se sentido após o susto?
Gabriel Adolfo Ribeiro Agora, estou bem, porque tudo passou. Mas foi estranho, uma novidade para mim, eu nunca havia passado por um infarto antes. Não foi nada agradável, mas o que passou, passou. Vida que segue.
O vínculo afetivo entre você e o Slynk aumentou após o que aconteceu?
O vínculo entre mim e o Slynk existe desde quando ele é pequeno, um filhotinho, porque eu sempre gostei de cachorro. Tanto que tenho um em Vitória, e o Slink em Minas Gerais. O laço que tenho com o Slynk é de carinho, de amor, é como se ele fizesse parte da família, tanto que eu trato ele como um neto. Falo “o vovô vai botar a sua comida agora, o vovô vai sair de casa, mas volta daqui a pouquinho”. Essa é a relação que eu tenho com ele, nosso vínculo já era forte antes do meu infarto.
O que você achou da reação do seu cão durante o infarto?
Eu fiquei muito feliz sabendo o quanto ele se preocupou comigo, e com o quanto ele foi importante nesse caso que me aconteceu.
Sua filha contou que você escreveu uma música para o Slink após a emergência.
A canção que escrevi para ele foi para mostrar o quanto ele é inteligente, seja pelo comportamento diário, seja pela reação dele durante o meu infarto. Eu contei toda a história de amor que existe entre mim e o meu cachorro.
E você pode recitar um trecho dessa canção?
Um parceiro de todas as horas. Meu cachorro, meu amigo. Me exige toda a atenção, para sempre ficar comigo. É muito dócil e carinhoso, brincalhão igual nunca vi. É especial e atencioso, ele veio de presente para mim. Esse é meu Slynk!
Saiba Mais
Vínculo com pet
- O pet aprende e se condiciona com a rotina, com o tutor responsável, com os comportamentos.
- Portanto, ele percebe mudanças emocionais que o fazem notar cenários de risco, e assim pode tentar defender ou proteger a pessoa de acordo com a situação.
- Dessa forma, biologicamente, os pets são capazes de ter a percepção de risco e ameaça pelas quais o tutor está passando.
Treinamento
- Alguns comportamentos básicos podem ser ensinados em casa ao pet, principalmente comandos de obediência e respostas simples, como chamar atenção, sempre acostumando um tom de voz específico para cada contexto.
- Porém, para pessoas que convivem com condições médicas e que correm risco de viver emergências, é recomendável buscar treinamento específico por profissionais capacitados, como adestradores.
Fortalecendo laços
- A convivência é o ponto principal para fortalecer o vínculo com o animal, sempre respeitando a natureza da espécie e permitindo que ele expresse o comportamento.
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