Cirurgia por vídeo para hérnia de disco acelera recuperação
Técnica minimamente invasiva usa câmera e instrumentos delicados para aliviar a compressão dos nervos e antecipar o retorno às atividades.
Aquela dor intensa que começa na região lombar e se estende pela perna, às vezes acompanhada de formigamento, dormência ou perda de força, pode ser um sinal de hérnia de disco lombar. Embora muitos pacientes melhorem com medicamentos e fisioterapia, alguns casos exigem intervenção cirúrgica.
Nessas situações, a cirurgia endoscópica da coluna, conhecida como cirurgia por vídeo, desponta como uma alternativa inovadora. Segundo o ortopedista Jefferson Coelho de Léo, membro da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), a hérnia de disco ocorre quando o disco entre as vértebras se rompe e parte de seu conteúdo comprime as raízes nervosas, provocando inflamação e sintomas característicos.
Quando a cirurgia por vídeo é indicada
A cirurgia é indicada quando o tratamento clínico não proporciona melhora satisfatória ou quando há perda progressiva de força, piora neurológica ou alterações para urinar e evacuar.
"A decisão não depende apenas do tempo de tratamento, mas principalmente da intensidade dos sintomas, do impacto na qualidade de vida e da presença de déficit neurológico"
Realizada por meio de uma incisão de aproximadamente um centímetro, a cirurgia por vídeo utiliza uma câmera de alta definição e instrumentos delicados para remover a compressão do nervo. Com isso, busca maior precisão e menor agressão aos músculos e tecidos da coluna.
Como funciona a técnica endoscópica
Um dos diferenciais da técnica, segundo o ortopedista Jefferson Coelho de Léo, é a possibilidade de utilizar diferentes vias de acesso conforme a localização da hérnia e a anatomia de cada paciente.
- A via interlaminar é mais utilizada em hérnias centrais e nos níveis mais baixos da coluna lombar.
- A via transforaminal, que pode incluir a foraminoplastia, é indicada para hérnias localizadas em outras regiões da coluna.
"Não existe uma via melhor que a outra. A escolha é individualizada e busca oferecer o acesso mais seguro e preciso para cada paciente"
Principais benefícios da cirurgia por vídeo
Entre as vantagens do procedimento estão menor dor no pós-operatório, menos perda de sangue, risco diminuído de infecção, cicatriz reduzida e recuperação mais rápida. Em muitos casos, o paciente consegue retornar às atividades leves em uma ou duas semanas.
Estudos apontam taxas de sucesso entre 85% e 95%, com resultados comparáveis aos da cirurgia convencional.
Cirurgia endoscópica na estenose do canal vertebral
Menor dor no período pós-operatório, recuperação mais rápida e alta hospitalar precoce também fazem parte dos benefícios da cirurgia endoscópica da coluna no tratamento da estenose do canal vertebral, doença que compromete a mobilidade e afeta principalmente pessoas acima dos 60 anos.
Segundo o ortopedista Jefferson Coelho de Léo, a estenose ocorre quando o espaço por onde passam os nervos da coluna se torna mais estreito, principalmente pelo desgaste natural provocado pelo envelhecimento.
"Com o passar dos anos, os discos perdem altura, os ligamentos ficam mais espessos e surgem alterações nas articulações da coluna, reduzindo o espaço disponível para os nervos. Os sintomas mais comuns incluem dor na região lombar, formigamento, dormência, sensação de peso nas pernas e dificuldade para caminhar"
O quadro pode ser tratado com medicamentos e fisioterapia, mas, quando os sintomas persistem, a cirurgia pode ser indicada. Casos de perda progressiva de força nas pernas ou alterações para urinar e evacuar exigem avaliação médica imediata.
Por ser uma técnica minimamente invasiva, a cirurgia endoscópica preserva melhor os músculos e os tecidos ao redor da coluna. Como consequência, o paciente tende a apresentar menos dor no pós-operatório, menor sangramento, redução do tempo de internação, recuperação mais rápida e retorno precoce às atividades do dia a dia.
O ortopedista Jefferson Coelho de Léo ressalta que a idade, por si só, não determina a indicação da cirurgia. A decisão é individualizada e leva em consideração o estado de saúde do paciente, as características da compressão e o planejamento cirúrgico.
Dor na coluna crônica exige atenção
Sentir dor na coluna por semanas ou até meses e acreditar que isso faz parte da rotina é um erro frequente. Quando o incômodo persiste por mais de três meses, passa a ser considerado dor crônica e pode comprometer não apenas a mobilidade, mas também o sono, o humor, a capacidade para o trabalho e a qualidade de vida.
O ortopedista Jefferson Coelho de Léo, membro da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), esclarece que, nessa fase, a dor deixa de ser apenas um sintoma.
"Com o tempo, o próprio sistema nervoso sofre alterações e passa a amplificar os estímulos dolorosos, tornando o tratamento mais complexo”
As causas da dor crônica na coluna são variadas. Entre as mais frequentes estão:
- desgaste das articulações;
- alterações nos discos vertebrais;
- hérnia de disco;
- estenose do canal vertebral;
- disfunções articulares.
Em muitos pacientes, diferentes fatores podem estar associados ao mesmo tempo. Por isso, identificar corretamente a origem da dor é fundamental para definir o tratamento mais adequado.
Além de medicamentos e fisioterapia, existem procedimentos minimamente invasivos que podem proporcionar alívio dos sintomas.
- Os bloqueios da coluna consistem na aplicação de medicamentos em pontos específicos para reduzir a dor e, em alguns casos, identificar sua origem.
- A rizotomia por radiofrequência é indicada principalmente para pacientes com dor crônica provocada pelas articulações da coluna, reduzindo a transmissão dos impulsos dolorosos com técnica realizada com agulhas, sem necessidade de cortes.
Na maioria dos casos, esses procedimentos permitem recuperação rápida e alta no mesmo dia.
"O mais importante é entender que dor persistente não deve ser considerada normal. Quanto mais cedo o paciente procura avaliação especializada, maiores são as chances de controlar os sintomas e recuperar a qualidade de vida"
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