Tradição do crochê atravessa gerações e atrai os mais jovens
Antes associado às avós e às peças artesanais de outras épocas, hoje aparece em roupas, acessórios e pequenos negócios
Em meio a uma rotina cada vez mais dominada por telas e redes sociais, uma tradição que atravessa gerações vem ganhando novos adeptos entre os jovens: o crochê.
Antes frequentemente associado às avós e às peças artesanais de outras épocas, hoje aparece em roupas, acessórios e pequenos negócios, impulsionado pela moda e pela busca por atividades manuais.
A estudante de Psicologia da Ufes Maria Brandt, de 21 anos, proprietária da Papillon Crochet, é um exemplo dessa aproximação. O primeiro contato com a técnica aconteceu durante uma aula de arteterapia na faculdade.
A partir dali, ela encontrou nas próprias mãos da família os materiais para continuar o aprendizado. “Eu cheguei em casa, e aí tinha umas agulhas e umas linhas aqui do tempo que minha mãe tentou fazer crochê. Eu peguei e comecei a aprender”, conta.
Amigas, a mãe e a irmã passaram a encomendar as criações, inicialmente por valores simbólicos. A procura fez Maria perceber que aquilo poderia ir além de uma atividade de lazer.
“Eu vi que poderia ter um futuro, ter um caminho, que poderia ser legal eu investir nisso. Cada peça de crochê realmente é única, cada peça traduz ali a habilidade e o trabalho da artesã que se dedicou para fazer”, explica.
Em Vila Velha, a professora Cleuza da Silva Mattedi, 59 anos, reúne alunos de diferentes idades em suas aulas. No início do mês foi a formatura da turma, com 14 pessoas entre 8 anos e 69 anos, na Primeira Igreja Batista em Alvorada.
O curso recebe participantes de diferentes bairros. “Eu queria passar o meu dom para outras pessoas. O grupo acabou se tornando uma família. Tem aluno que, às vezes, vem só para conversar, porque o crochê também funciona como uma terapia”, afirma Cleuza.
O interesse pela atividade também tem crescido entre as crianças. A professora de Educação Física Thamires Ronconi Guignoni diz que a experiência trouxe benefícios além do aprendizado artesanal para a filha Sophia, de 8 anos. “Percebemos melhora na atenção e até a professora da escola comentou essa evolução”, destaca.
A assistente administrativo Letícia Nitz iniciou o curso há três meses com os filhos Herick e Heloísa Nitz, ambos de 10 anos. “Eu produzia para presentear, mas agora estou investindo nessa oportunidade”, conta Letícia.
Aprendizado pelas redes sociais
A estudante Lara Hirle, 15 anos, aprendeu a gostar de crochê assistindo a vídeos no YouTube. Segundo a mãe dela, a dentista Andressa Hirle, 38, a filha não costuma passar muito tempo diante das telas e tem outros hábitos, como a leitura.
“Ela não tem nem sequer foto em redes sociais. O crochê foi interesse que ela desenvolveu e aprendeu sozinha, há um ano e meio, com os vídeos. É uma atividade que ajuda na concentração dela, que faz as peças que gosta de usar, como biquínis e blusas”, diz a mãe.
Crianças talentosas
O interesse pelo crochê também tem crescido entre as crianças. A pequena Sophia Ronconi Guignoni, de 8 anos, é a aluna mais nova da turma da Primeira Igreja Batista em Alvorada, juntamente com Herick Nitz e Heloísa Nitz, ambos de 10 anos, que são irmãos.
“Eu gosto de fazer marca-página, chaveiro, fiz um brinco para a minha madrinha. Acho que outras crianças também deveriam fazer crochê porque ajuda no nosso desenvolvimento”, diz Sophia.
Hobby contra o estresse
As adolescentes Ana Clara dos Santos, 17 anos, e Sofia Moreira Stein, 13 anos, e as jovens Larissa Mariquito e Gabrielly dos Santos Moreira, ambas de 27 anos, representam uma nova geração que tem mantido viva a tradição do artesanato.
Ana Clara, por exemplo, destaca que o crochê trouxe benefícios para sua rotina. “Eu acho muito importante porque é muito relaxante, é desestressante e também faz diminuir o nosso tempo em telas. É bom ter um hobby assim”.
Artesanato para todas as idades
Os alunos Letícia Nitz, 39, Irene Francisca da Silva, 65, Andreia Ribeiro, 42, Cleuzeni Garcia, 47, e João Calzi, 69, fazem parte da turma da professora Cleuza da Silva Mattedi, 59 (de pé), e descobriram novas habilidades com o crochê.
João é cabeleireiro e começou a fazer crochê há cerca de um ano.
“Eu gosto de fazer de tudo. O importante é continuar aprendendo e aproveitando a vida. Sou um idoso ativo. Acho que velho é o mundo, que veio primeiro do que eu”, brinca.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários