Auditoria do SUS aponta falhas em contrato de hospital ligado a vice-governadora
Relatório do DenaSUS encontrou pagamentos sem comprovação a hospital de Garanhuns ligado ao marido de Priscila Krause
Uma auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), divulgada na noite desta quinta-feira (13), identificou falhas na fiscalização e na manutenção de contratos entre o governo de Pernambuco e um hospital de Garanhuns, no Agreste Pernambucano.
A Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que pertence ao marido da vice-governadora Priscila Krause, teria recebido recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) por procedimentos sem comprovação, segundo a auditoria.
O relatório apontou um prejuízo de cerca de R$ 905,2 mil aos cofres públicos devido a procedimentos pagos pelo SUS sem a devida comprovação de execução nos prontuários médicos, e recomendou a devolução integral desses valores ao Fundo Nacional de Saúde.
Os auditores destacaram fragilidades na governança, no controle interno e na transparência do contrato, classificando a relação como uma "contratação direcionada de fato, ainda que não formalmente". O documento pondera que contratos de alto valor com entidades vinculadas a agentes políticos de alto escalão elevam os riscos aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.
Principais achados sobre hemodiálise e oncologia
Na análise dos serviços de hemodiálise, a auditoria verificou que, de 507 prontuários analisados, 90 sessões foram pagas sem comprovação técnica ou registros de presença e prescrição.
O hospital contestou o dado, afirmando ter localizado documentos de 15 sessões, mas o parecer final manteve a cobrança por ressarcimento ao erário.
Em relação ao tratamento oncológico, foram identificadas irregularidades em 113 Autorizações de Internação Hospitalar (AIH) entre janeiro de 2023 e maio de 2025, incluindo cobranças a maior e falta de controles individuais de frequência em sessões de quimioterapia.
Valores regulares e escopo da fiscalização
O DenaSUS ressaltou que a maior parcela dos recursos federais repassados à unidade foi aplicada corretamente, considerando regulares os pagamentos relativos às diárias de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A fiscalização abrangeu os serviços prestados entre janeiro de 2023 e julho de 2025, em atendimento a um pedido da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
Posicionamento do hospital de Garanhuns
Em nota divulgada para a imprensa, o hospital informa que os valores apontados pela auditoria representam cerca de 1% do total de recursos auditados no período.
Segundo a instituição, a maior parte dos questionamentos está relacionada a divergências sobre a codificação administrativa aplicada a cirurgias oncológicas efetivamente realizadas, e não à inexistência dos procedimentos.
O hospital também sustenta que a avaliação feita pelos auditores desconsidera aspectos da autonomia técnica dos médicos responsáveis pelo atendimento.
De acordo com a direção, a escolha da técnica cirúrgica e da via de acesso utilizada em cada paciente cabe ao médico assistente, conforme as características de cada caso clínico.
Ao final, a Casa de Saúde afirma que apresentará documentação médica para contestar os apontamentos do relatório e reforça que mantém compromisso permanente com o SUS e com a população atendida há mais de cinco décadas.
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