Colombiana que mora no ES relata drama por notícias de amigos e familiares
Estudante colombiana que mora em Vitória acompanha a distância os desdobramentos do tremor que já deixou quase 250 mortos
O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na última segunda-feira (10), deixando quase 250 mortos e mais de 3.770 feridos, levou milhares de famílias a uma busca por informações sobre parentes e amigos. O tremor teve epicentro no departamento de Chocó.
Entre os colombianos que acompanham a situação a distância está a estudante de Nutrição Paula Jimenez, de 22 anos, que mora em Vitória.
Nascida em Mocoa, no departamento de Putumayo, a cerca de 510 quilômetros do epicentro, ela acompanha de longe os familiares que permanecem na Colômbia.
A cidade onde nasceu não foi atingida diretamente, mas a estudante relata a angústia de pessoas próximas que vivem nas áreas afetadas.
“Toda a minha família está bem e amigos que moram em outras cidades que foram afetadas também estão bem. Porém, alguns conhecidos de Mocoa que moram nessas cidades mais afetadas ainda estão desaparecidos nos escombros”, contou Paula.
A doutora em Geologia e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Luiza Bricalli explica que o terremoto registrado recentemente na Colômbia, os dois na Venezuela, além de um no Japão, não fazem parte de uma mesma sequência.
“A Colômbia está numa região tectonicamente muito complexa. No oeste, a Placa de Nazca converge e mergulha sob a Placa Sul-Americana. Além disso, no Norte da Colômbia e na Venezuela existe a interação entre as Placas Sul-Americana e do Caribe, com importantes sistemas de falhas transcorrentes”, explica.
A professora de Geografia Paula Favarato observa que a profundidade do abalo vai ser diretamente ligada à intensidade da percepção desse fenômeno.
“Quanto mais perto da superfície, mais forte; quanto mais profundo, a tendência é ele ser mais fraco justamente por causa da energia liberada e da distância percorrida. Por exemplo, os reflexos observados no Norte do Brasil”.
Os terremotos na Venezuela de magnitudes 7,2 e 7,5 ocorreram em 24 de junho, deixando mais de 5.500 mortos e 16.700 feridos.
No Japão, em 28 de julho, o tremor teve magnitude 6,8, com 39 mortos e mais de 170 feridos.
Espírito Santo já registrou mais de 40 terremotos
Apesar de estar em uma das áreas consideradas mais estáveis do planeta do ponto de vista tectônico, o Espírito Santo já registrou 45 terremotos, segundo a doutora em Geologia e professora da Ufes Luiza Bricalli.
A maioria dos eventos teve baixa magnitude, mas o Espírito Santo já registrou um tremor de magnitude 6,1 em Vitória, em 1955, considerado o segundo maior terremoto já registrado no Brasil.
“O primeiro foi em 1767 e o de maior magnitude foi em 1955. Os recentes foram em 2020, em Vitória e, em 2021, em Pancas, onde pessoas sentiram o tremor que rachou paredes de casas no dia 20 de junho daquele ano”, afirmou Luiza Bricalli.
A ocorrência de terremotos no Estado, porém, não significa que o Espírito Santo esteja localizado em uma área de encontro de grandes placas tectônicas.
“O Brasil está localizado no interior da Placa Sul-Americana, relativamente distante de seus principais limites. Portanto, não estamos numa zona de contato direto entre grandes placas”, diz Luiza Bricalli.
A professora observa que o Brasil tem terremotos intraplaca, associados, especialmente, à reativação de falhas geológicas e compressão da Placa Sul-Americana, dentre outros. “Porém, em geral, a taxa de deformação e a frequência de grandes terremotos são muito menores que nas bordas de placas”.
A professora de Geografia Paula Favarato diz que a posição do território é determinante para entender a diferença entre o Brasil e regiões como a Colômbia.
“A placa pode ser a mesma, mas as posições são totalmente diferentes. Quem está em risco de instabilidade são justamente as áreas da borda da placa, e o Brasil tem o território exatamente colocado no centro da placa”.
A Colômbia também está inserida no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, área que concentra intensa atividade sísmica e vulcânica, que inclui áreas do Japão.
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