Médicos explicam como evitar os riscos de danos à saúde por caneta emagrecedora
Além do ajuste correto das doses, é preciso garantir a ingestão de proteínas e manter uma rotina de exercícios físicos
Com a popularização das canetas emagrecedoras, perder peso e melhorar a qualidade de vida se tornou a realidade de muitos. Porém, médicos alertam que é preciso ter um acompanhamento adequado para não causar danos à saúde.
Um dos riscos que exige atenção é o surgimento de pedras na vesícula. Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Felipe Monge Vieira, da Unimed, isso pode acontecer pela perda rápida de peso.
“Quando a pessoa perde peso rápido, há mais colesterol na bile. Ao mesmo tempo, a vesícula se contrai menos, fazendo com que a bile fique armazenada por mais tempo, o que também favorece a formação desses cálculos”, explica.
E quando uma dessas pedras migra para os canais biliares, há ainda o risco de pancreatite, uma inflamação do pâncreas. Por isso, o medicamento pode ser contraindicado em alguns casos.
“É importante manter acompanhamento médico, avaliar se há indicação para o uso da medicação e observar o risco. Assim, é possível conduzir o tratamento e preservar a saúde do aparelho digestivo”, acrescenta Felipe.
O emagrecimento rápido pode causar também uma perda grande de massa muscular. A presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia no Espírito Santo, Maria Amélia Julião, alerta que isso pode deixar o corpo enfraquecido.
“Se durante o processo a pessoa não consome uma quantidade adequada de proteínas e não pratica exercícios de resistência, como musculação, o corpo entende que aquele músculo não é prioridade e pode ser eliminado”.
Além disso, sem acompanhamento nutricional, os pacientes podem apresentar deficiência de vitaminas.
“As medicações reduzem o apetite. Se o paciente come alimentos vazios em nutrientes, a quantidade de vitaminas e minerais no organismo vai cair”, diz Maria Amélia.
Para evitar esses problemas, a endocrinologista Flávia Tessarolo reforça que o tratamento deve ser individualizado e acompanhado.
“O médico precisa fazer o ajuste correto das doses para não causar problemas ao paciente. Além disso, é preciso garantir a ingestão correta de proteínas nas refeições e manter uma rotina de exercícios físicos constantes”.
Entenda
1. Pedras na vesícula
A perda rápida de peso aumenta a quantidade de colesterol presente na bile. Além disso, as medicações podem fazer com que a vesícula se contraia menos, deixando a bile armazenada por mais tempo e favorecendo a formação dos cálculos.
O que fazer
- Manter o acompanhamento médico durante o tratamento, principalmente se o paciente já tiver pedras na vesícula ou histórico familiar.
- Em caso de sintomas como dor abaixo das costelas do lado direito ou na região da “boca do estômago”, geralmente acompanhada de náusea e vontade de vomitar, é preciso buscar um médico.
2. Pancreatite
Pode ocorrer como uma complicação das pedras na vesícula. Quando um cálculo migra para os canais biliares, pode interferir na drenagem do pâncreas e causar a inflamação.
Nesse caso, não se trata necessariamente de uma ação tóxica direta da medicação sobre o órgão.
O que fazer
- Acompanhar possíveis alterações na vesícula e procurar atendimento diante de sintomas como dor na parte superior do abdômen junto com náuseas, vômitos, febre e inchaço na barriga.
- Pacientes com fatores de risco precisam de uma avaliação médica mais cuidadosa.
3. Perda de massa muscular
Toda perda excessiva de peso pode levar à redução da massa magra.
Como as canetas diminuem o apetite, esse risco aumenta quando o paciente consome pouca proteína e não pratica treinos de força.
O que fazer
- Garantir a ingestão adequada de proteínas, praticar exercícios de resistência, como musculação, e ajustar a medicação com acompanhamento médico individualizado.
4. Perda de massa óssea
O emagrecimento acentuado pode contribuir para a redução da densidade dos ossos, especialmente quando há perda de massa magra e ingestão insuficiente de nutrientes como o cálcio e a vitamina D.
O que fazer
- Manter alimentação adequada com acompanhamento nutricional e praticar exercícios de força.
5. Deficiência vitamínica
Como a medicação diminui o apetite, os pacientes comem menos e podem reduzir a ingestão de vitaminas e minerais, como ferro, vitamina B12, vitamina C e cálcio.
O que fazer
- Priorizar alimentos nutritivos mesmo que em pequenas porções, manter acompanhamento nutricional e realizar exames para avaliar a necessidade de suplementação.
6. Desconfortos gastrointestinais
As medicações retardam o esvaziamento do estômago e modificam a movimentação gastrointestinal.
Por isso, náuseas, refluxo e constipação podem aparecer no início do uso ou após aumento da dose.
O que fazer
- Aumentar a dose gradativamente com acompanhamento médico, manter boa hidratação e evitar alimentos pesados.
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