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OPINIÃO ECONÔMICA

Por onde passa o futuro econômico do Espírito Santo

Artigo aponta que Espírito Santo precisa conectar infraestrutura, inovação, energia e capital humano para atrair investimentos e sustentar crescimento

Alecsandro Casassi, Colunista A Tribuna | | Atualizado em
Opinião Econômica


          Imagem ilustrativa da imagem Por onde passa o futuro econômico do Espírito Santo
Alecsandro Casassi é presidente do IBEF-ES |  Foto: Divulgação

O Estado reúne características que poucas cidades brasileiras possuem ao mesmo tempo. Localização estratégica, infraestrutura logística consolidada, diversidade econômica e um ambiente favorável aos negócios a colocam em posição privilegiada para aproveitar as transformações que estão redesenhando a economia nacional e global.

Mas essa vantagem, por si só, não garante protagonismo. O futuro dependerá da nossa capacidade de integrar três ativos fundamentais: logística, tecnologia, energia e capital humano.

Durante muitos anos, a logística foi vista como o principal diferencial competitivo capixaba. Portos eficientes, malha rodoviária, ferrovias e a vocação para o comércio exterior garantiram o Espírito Santo como uma importante porta de entrada e saída de mercadorias. Esse patrimônio continua sendo essencial, mas já não é suficiente para sustentar o crescimento de longo prazo.

Hoje, empresas escolhem onde investir considerando fatores que vão além da localização geográfica. Avaliam disponibilidade de profissionais qualificados, capacidade de inovação, ambiente tecnológico, segurança pública, segurança jurídica e qualidade das instituições. A competitividade passou a ser construída por um conjunto de fatores que se complementam.

Assim, a tecnologia chega para somar. A transformação digital deixou de ser uma pauta restrita às grandes empresas e passou a influenciar negócios de todos os portes e segmentos.

Inteligência artificial, automação, análise de dados, energia e conectividade estão modificando cadeias produtivas, aumentando a produtividade e criando novos modelos de negócio.

O Estado possui um ecossistema de inovação em expansão, formado por universidades, centros de pesquisa, startups e empresas que investem em desenvolvimento. O desafio agora é acelerar a conexão entre esses agentes e transformar conhecimento em geração de valor para toda a economia.

Entretanto, nenhuma transformação tecnológica acontece sem pessoas preparadas para conduzi-la. O capital humano será, cada vez mais, o principal diferencial competitivo das regiões que querem crescer de forma sustentável.

Isso significa investir em educação de qualidade, formação técnica, qualificação profissional e aprendizagem contínua. Também significa desenvolver lideranças capazes de conduzir organizações em um ambiente marcado por mudanças constantes.

O setor empresarial tem responsabilidade direta nesse processo. É necessário apoiar a formação de talentos, aproximar-se das instituições de ensino e estimular uma cultura de inovação dentro de suas equipes. Da mesma forma, o poder público e a academia possuem papel estratégico na construção de políticas que favoreçam esse ambiente colaborativo.

O Estado já demonstrou diversas vezes sua capacidade de superar desafios e construir soluções inovadoras. A força do agronegócio, da indústria, da logística, da economia do mar, do petróleo e gás, da tecnologia e dos serviços mostra que temos uma base sólida para avançar ainda mais.

O próximo ciclo de desenvolvimento econômico capixaba dependerá menos de vantagens naturais e mais da inteligência com que conectaremos nossas competências.

Quando logística eficiente, tecnologia aplicada, energia disponível e pessoas qualificadas caminham na mesma direção, criam-se condições para atrair investimentos, ampliar a competitividade das empresas, gerar empregos de maior valor agregado e promover desenvolvimento de forma consistente.

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