Maranata forma professoras e novos instrumentistas no Marajó
Com missões, minisseminários e aulas on-line de instrumentos, Maranata prepara novos membros no Marajó para assumir funções nas igrejas ribeirinhas.
Com a abertura de novas igrejas no arquipélago do Marajó, no Pará, e mais pessoas se convertendo, a Igreja Cristã Maranata tem preparado seus membros para continuar espalhando a Palavra de Deus. O trabalho tem como foco o entendimento da doutrina e o fortalecimento das igrejas ribeirinhas.
Fora dos períodos das missões, as igrejas não ficam desassistidas. A cada 15 dias, irmãos de Belém se deslocam para dar suporte aos cultos e à formação doutrinária dos novos membros, conta o pastor Adaiso Fernandes, responsável pelas igrejas do Norte do País.
"Esse trabalho é feito para impulsionar essas igrejas e, quatro vezes por ano, há uma evangelização maior. Temos visto um crescimento extraordinário das nossas igrejas"
Formação espiritual e preparo para novas funções
O pastor Antônio Carlos Silva Panjota Júnior, responsável pelas novas igrejas frutos da missão, destaca que mais ações vão preparar os novos membros para assumir funções nas congregações, seja na música ou no ensino de crianças.
"A partir deste ano, teremos algumas missões de cunho essencialmente espiritual, com foco na doutrina e na formação de instrumentistas, obreiros, professoras e servas à frente do trabalho com senhoras, para que as igrejas locais tenham um crescimento de melhor qualidade"
Ele afirma ainda que as pessoas evangelizadas nas missões já estão desempenhando papéis importantes nas comunidades.
"São eles que preparam as igrejas para os cultos, fazem convites e marcam visitas. Muitas pessoas tiveram experiências marcantes nas missões com a Palavra de Deus e os dons espirituais e, agora, sentem alegria em passar isso adiante"
Aulas presenciais e on-line para instrumentos
Para dar suporte a esse trabalho contínuo, ainda são realizados minisseminários presenciais, com pastores locais, e também reuniões on-line. Segundo o pastor Panjota, há uma programação semanal voltada à formação doutrinária e musical.
Às quartas-feiras ocorrem as reuniões doutrinárias. Já às segundas, há aulas de diversos instrumentos para os irmãos interessados em servir na parte musical das igrejas.
Os participantes podem aprender, em encontros on-line e presenciais:
- violão
- teclado
- escaleta
- percussão
Ele relata ainda que já foram disponibilizados vários instrumentos para as igrejas da região, reforçando a estrutura dos cultos e a participação dos novos músicos.
Casos marcantes: alegria com a Bíblia e cura após nova cirurgia
A enfermeira Priscilla Ruela, de 40 anos, participou da nona edição da missão e viveu uma experiência com uma criança que a marcou profundamente.
"Antes de eu viajar, o Senhor mostrou que eu falaria sobre Deus a um menino e ele nunca se esqueceria. Lá, encontrei um garoto que estava resistente aos convites, mas aceitou falar comigo. Conversamos muito sobre o amor de Deus, eu dei uma Bíblia de presente a ele e o menino foi embora muito alegre"
Outro caso relatado pela equipe envolveu a correção de um procedimento cirúrgico. Em uma das missões, uma mulher de 34 anos, que havia passado por cirurgia recentemente, buscou atendimento porque sentia dor abdominal e apresentava febre.
Foi realizado um exame de imagem e identificada uma massa no abdômen, sem que fosse possível saber do que se tratava inicialmente. Por insistência da equipe da missão, o clínico geral do município transferiu a paciente para Belém.
Na capital, confirmou-se que o problema era grave e ela precisou passar por outra cirurgia para corrigir o procedimento anterior, evitando complicações maiores.
Equipe se conecta pela internet antes da Missão Amazônia
Apesar de serem de diferentes locais do Brasil, os voluntários já se conhecem antes de chegar a Belém para a Missão Amazônia. Isso acontece graças ao uso da tecnologia no período de preparação.
A biomédica Rachel Alves explica que são realizadas videochamadas com a equipe antes da viagem.
"Nos reunimos pelo Zoom para fazermos vigílias e cultos de madrugada. Além da importância espiritual desses momentos, vemos que eles favorecem o entrosamento dos voluntários"
Ela conta que, logo no primeiro dia de trabalho, já é possível perceber os benefícios dessa preparação conjunta.
"Todos trabalham em sintonia, como se atuassem juntos há anos"
Rachel também destaca que a operação do Espírito Santo durante a missão é muito intensa e que viver isso em conjunto une ainda mais os voluntários.
"O Senhor revela para onde devemos ir, quem vai chegar buscando atendimento e prepara todas as coisas para que esse trabalho seja uma bênção. É uma alegria muito grande fazer parte disso"
Segundo os voluntários, a sintonia entre eles chama a atenção e fortalece o testemunho da missão junto às comunidades atendidas.
“As dificuldades viram milagres com Deus” na cozinha do barco
A maior parte das refeições dos voluntários é preparada em fogões de duas bocas, dentro do barco que serve de base para a missão. A empresária Andréia Mercês, 50, atua como cozinheira nas viagens e fala sobre os desafios de encontrar e preparar alimentos para tanta gente.
"Nós terminamos uma refeição e já temos que começar a preparar a outra. Encontrar alimentos para comprar também é difícil, porque a demanda comum da região é pequena, mas, quando estamos na dependência de Deus, as dificuldades viram milagres. Uma vez, tínhamos dois quilos de frango e dois de trigo. Isso é muito pouco para toda a equipe. Preparamos esfirras e todo mundo comeu o suficiente e ainda sobrou"
Para ela, o cuidado com a alimentação, mesmo em condições simples, também faz parte do testemunho da missão e reforça a fé dos que participam.
Aprender a valorizar as coisas simples
A fisioterapeuta Thamires Campos, 31, foi voluntária na última edição e conta que a experiência a ensinou a dar mais valor às coisas simples do dia a dia.
"A realidade daquela população é muito diferente da que estamos acostumadas em grandes centros. Uma pousada que, aos meus olhos, era simples, foi chamada de muito chique por um garoto com quem conversei na rua. Ver como, mesmo com o acesso difícil, as pessoas aceitavam nossos convites, se esforçavam para estar nos cultos e chegavam com alegria, mexe com a gente"
Segundo ela, as experiências vividas na missão produzem reflexão sobre prioridades, gratidão e sensibilidade diante da realidade das comunidades ribeirinhas.