Empresas questionam índice que aponta Vitória com o metro quadrado mais caro
Entidades questionam preços anunciados e dizem que a falta de novos imóveis econômicos em Vitória influencia resultado
Vitória foi apontada pelo Índice FipeZAP como a capital com o metro quadrado mais caro do País. Mas representantes do mercado imobiliário capixaba afirmam que a conclusão deve ser vista com cautela e dizem que a metodologia utilizada pelo levantamento pode distorcer a realidade.
O Índice FipeZAP é uma das principais referências para acompanhar a valorização do mercado imobiliário brasileiro. O levantamento é elaborado com base nos preços de venda anunciados na internet.
O vice-presidente jurídico da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Gilmar Custódio, afirma que não acredita que Vitória tenha, de fato, o metro quadrado mais caro do Brasil. “Em alguns bairros, o metro quadrado de Vitória é bem valorizado. Mas não acredito que seja o mais caro. Para mim, esse índice distorce um pouco”, diz.
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Segundo ele, há regiões muito valorizadas, como Praia do Canto e Enseada do Suá, onde a escassez de terrenos e a alta demanda elevam os preços. No entanto, isso não representa toda a cidade.
“Em algumas regiões há uma escassez de terreno e uma demanda muito grande. Então, isso torna essas regiões mais valorizadas, mas isso não é em todos os bairros”.
Outro ponto levantado por Custódio é que o FipeZAP considera os preços anunciados, e não necessariamente os valores efetivamente negociados.
“Não é porque uma pessoa está divulgando um imóvel para venda por um valor que ela de fato o venderá por aquele. O mercado capixaba trabalha com uma margem de negociação. Então, se o preço é medido com base em imóveis ofertados, eles estão equivocados”
O vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Espírito Santo (Sinduscon-ES), Leandro Lorezon, acrescenta que outro fator influencia o resultado: Vitória praticamente não tem empreendimentos enquadrados como imóveis econômicos, como os do programa Minha Casa, Minha Vida.
“Imóveis econômicos são aqueles normalmente enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida, na faixa de mais ou menos R$ 450 mil. Como Vitória não tem, isso faz com que a média suba muito”.
Saiba Mais
Estudo é feito com base em anúncios
Índice FipeZap
- É um índice de preços de imóveis residenciais e comerciais com abrangência nacional. Ele é produzido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
- As variações dos preços são calculadas pela Fipe com base em informações de amostras de anúncios de imóveis para venda e locação veiculados nos portais do Grupo OLX (Zap, Viva Real e OLX).
- No caso dos índices de venda e locação residencial, os resultados acompanham os preços de apartamentos prontos em até 56 cidades, incluindo 22 capitais.
Vitória
- No levantamento feito com base em anúncios de julho, Vitória assumiu o topo do ranking nacional de cidades com o metro quadrado mais caro do país, com preço médio de R$ 15.448 por metro quadrado.
- A capital desbancou municípios como Itapema, onde o valor médio é de R$ 15.403, e Balneário Camboriú, com R$ 15.295.
- Dois bairros de Vitória também ficaram entre com o metro quadrado mais caro. São eles: Praia do Canto, com preço médio de R$ 18.603 por m², e Enseada do Suá, com média de R$ 18.382 por m².
Outro Índice
- A ademi está construindo um índice que terá como base o valor transacionado pelo imóvel, ou seja, quanto de fato foi pago por ele. Segundo a associação, isso permitiria um indíce mais real e próximo da realidade.
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