"É como se eu tivesse perdido uma parte do meu corpo", diz mãe de ciclista
Adriani Luiza da Silva, mãe de Luísa Lopes, desabafou durante segundo dia de júri; Adriana Felisberto Pereira permaneceu em silêncio
"A morte da Luísa abalou com a minha vida, é como se eu tivesse perdido uma parte do meu corpo e até hoje não consegui me recompor". O desabafo foi feito por Adriani Luiza da Silva, mãe da ciclista Luísa da Silva Lopes, durante o segundo dia de julgamento da corretora Adriana Felisberto Pereira, acusada de atropelar e matar a estudante.
O segundo dia de julgamento começou nesta quinta-feira (06), no Tribunal do Júri, dando abertura, pela manhã, à fase de debates e depoimentos, iniciada pela acusação do Ministério Público.
Assim como no dia anterior, Adriana Felisberto Pereira preferiu permanecer em silêncio, seguindo uma orientação da sua defesa. Após o intervalo para almoço, a defesa da acusada assumiu a tribuna.
No momento, o julgamento segue em fase de votação entre os jurados, indicando que a sentença da ré pode ser proferida ainda nesta quinta-feira (06).
Acusação
A corretora responde pelos crimes de homicídio qualificado — perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima —, dolo eventual e embriaguez ao volante. Segundo a denúncia do Ministério Público (MPES), Adriana conduzia o veículo acima do limite de velocidade permitido na via, enquanto estava sob o efeito de álcool e medicamentos de uso controlado.
Na denuncia, o MPES destacou que a corretora assumiu o risco de causar a morte da vítima e que demonstrou desprezo pela vida humana ao proferir comentários degradantes em relação à estudante logo depois do atropelamento.
Relembre
Luísa da Silva Lopes morreu após ser atingida por um carro na orla da Praia de Camburi, em Vitória, por volta das 21h de uma sexta-feira, 15 de abril de 2022. A vítima estava de bicicleta e foi atingida por um Chevrolet Onix branco na avenida Dante Michelini, próximo ao Clube dos Oficiais da Polícia Militar.
Moradores e frequentadores da orla prestaram os primeiros socorros à mulher atingida pelo carro. Uma equipe do Samu ainda prestou os primeiros socorros à vítima, que acabou não resistindo aos ferimentos, principalmente na cabeça.
De acordo com agentes da Guarda de Trânsito, duas mulheres estavam no carro que atropelou a ciclista. As duas prestaram as primeiras informações à Guarda e Polícia Militar, que também foi acionada e esteve no local com a Radiopatrulha 4809 da 12ª Cia. Independente.
Conforme informações do boletim de ocorrência do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, os peritos da Polícia Civil informaram que a ciclista foi arrastada sobre o teto e a bicicleta foi arremessada a uma distância de 21 metros do local onde o carro estava parado.
Em nota, a Polícia Militar informou que foi oferecido o teste do bafômetro à condutora do veículo, porém ela se recusou a fazer. "Como a mulher estava com fala alterada, odor etílico, sonolência e dispersão, os militares confeccionaram o laudo de constatação psicomotora", explica a nota.
Segundo informações, a condutora do veículo, juntamente com sua irmã, estavam se deslocando sentido Praia do Canto x Jardim Camburi, pela Avenida Dante Micheline após saírem de um bar na Praia do Canto. Já a ciclista, estava na ciclovia atravessando a via sentido ao bairro Jardim da Penha.
A carteira de motorista da condutora foi recolhida e ela conduzida até a 1ª Delegacia Regional de Vitória, onde o caso foi registrado.
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